Associações defensoras dos animais reiteraram a sua oposição à eventual exportação de galgos para o Continente
Liane Ferreira e Viviana Chan
Como seria de esperar, o plano do Canídromo para enviar galgos para Hainão não foi bem recebido pelas associações locais. “A 29 de Junho, escrevemos ao Gabinete de Ligação a dizer que tínhamos informações de fonte segura de que o Canídromo se preparava para enviar os galgos para Hainão e pedimos o bloqueio”, disse o presidente da ANIMA a este jornal, garantindo que se não houver resposta, será enviada outra carta para o director do Gabinete.
Sobre a proposta do Canídromo, Albano Martins, indicou que a empresa teria de oficiar o pedido aos serviços competentes, mas entretanto terminará o prazo da concessão. Para o líder da ANIMA, existe claramente falta de transparência, como se vê na rejeição de prorrogação da concessão por cinco anos, ontem revelada. “É tudo um bocadinho de truques, jogadas”, frisou.
Por sua vez, Fátima Galvão, sócia fundadora da Associação para os Cães de Rua e o Bem-Estar Animal em Macau (MASDAW), considera estar-se perante “pessoas que não têm absolutamente escrúpulos, que só são coerentes com elas próprias”, pois viviam da exploração dos animais. “O que se espera é que o Governo seja absolutamente intransigente, porque o que está a acontecer é vergonhoso”, destacou, salientando que a Yat Yuen também está a desrespeitar a lei: “Estiveram a esticar a corda até ela rebentar”.
Para a activista, enviar galgos para Hainão seria “uma tristeza” e “horrível para a imagem de Macau”. “Mas não sei se o Governo está preocupado”, frisou, considerando que “os responsáveis pelo Canídromo deviam ser penalizados” e advertindo que as condições do Jockey Club são miseráveis.
Já a presidente da Associação de Protecção aos Animais Abandonados de Macau (APAAM), reiterou oposição à exportação dos cães para qualquer país ou região onde não haja uma lei de protecção dos animais. Anteriormente, oito associações declararam-se contra a exportação de galgos para o Interior da China.
Yoko Choi garantiu à TRIBUNA DE MACAU que a APAAM pretende convidar organizações internacionais de direitos dos animais para “unir mais forças para lutar por este assunto”, mas ainda não pode adiantar pormenores.
“Sempre ouvi boatos sobre a exportação para a China, só que não sabia que era Hainão. Não importa onde, porque se o Governo deixar, a empresa fará o que quiser. Se saírem de Macau, as associações podem fazer muito pouco para os proteger”.
Numa resposta a este jornal, a Casa de Animais Abrigo dos Long Long também declarou estar “firmemente contra levar os galgos para a China”.
Yat Yuen “solidária” na última semana
A cerca de uma semana do fecho de portas do Canídromo, a Companhia de Corrida dos Galgos (Yat Yuen) publicou um comunicado no seu site assegurando que se disponibiliza para cuidar gratuitamente dos galgos adoptados e que estão à espera de ser exportados para outra região. A Yat Yuen frisou que o pedido para usar por mais 120 dias o canil do Canídromo visava, acima de tudo, aproveitar o espaço para servir os adoptantes. Na mesma nota, revela ainda que 39 galgos reformados estão à espera de documentos para rumar a Hong Kong, de acordo com o novo mecanismo especial.



