Representantes de associações de trabalhadores de jogo garantem que as salas VIP dos casinos Wynn Palace e Wynn Macau continuam a ser os pontos mais críticos em termos de fumo ilegal. Asseguram, inclusive, que os chefes desses espaços não deixam os funcionários impedir os clientes de fumar. Cloee Chao também apontou o dedo aos casinos Sands Cotai Central e Venetian

 

Rima Cui

 

A proibição de fumo, quer nas áreas comuns dos casinos quer nas salas VIP, exceptuando espaços autorizados conforme os novos requisitos, está em vigor há quase um mês. No entanto, as salas VIP do Wynn Palace e Wynn Macau continuam a ser as “áreas mais severamente afectadas” pelo fumo ilegal, advertiram representantes da Associação de Empregados das Empresas de Jogo e Associação dos Croupiers de Jogo, acompanhados pelos deputados Ella Lei e Leong Sun Iok. As queixas incluem as salas VIP da Suncity, Meg-Star e Guangdong Group.

Num encontro com a Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ), os responsáveis associativos denunciaram situações em que, alegadamente, o casino não permite que os funcionários da linha da frente advirtam os infractores, apontando até para a existência de salas VIP que oferecem cigarros e isqueiros aos clientes.

À TRIBUNA DE MACAU, Cloee Chao asseverou que, para além do Wynn Palace, também ocorrem com frequência situações problemáticas nos casinos do Sands Cotai Central e do Venetian, onde os superiores impedem os funcionários de controlar o acto de fumar dos clientes.

Segundo a presidente da Associação dos Direitos dos Trabalhadores de Jogo de Macau, ouviram-se já relatos semelhantes em relação ao casino do City of Dreams. Pessoalmente, Chao disse não estar a par da existência de tal problema no Wynn Macau, apesar desse casino ter sido visado na reunião.

“O fumo ilegal é mais grave à noite, altura em que trabalham menos fiscais. Quando descobre uma infracção do género, o ‘croupier’ tem de notificar o superior, que transmite a informação ao gerente, o qual avisa o segurança para controlar a situação. Contudo, quando o segurança recebe a informação, obviamente o cliente já acabou de fumar”, salientou, apontando para o facto de alguns jogadores mais abastados colocarem pilhas de dinheiro nas mesas de jogo antes de fumarem publicamente. “O valor da multa de 1.500 patacas não tem efeito dissuasor nenhum nesses jogadores”, lamentou.

Mesmo assim, Cloee Chao notou que, desde a entrada em vigor das novas regras, a situação de fumo ilegal “melhorou muito”, registando-se uma diminuição de 80% a 90% nas ocorrências.

No entanto, segundo as queixas de representantes do sector do jogo, algumas salas comuns do Venetian apresentam problemas de fuga de fumo, devido à frequente abertura das portas. Nalguns espaços de jogo da SJM e MGM, como há falta de salas de fumo ou algumas ainda estão a aguardar a aprovação dos Serviços de Saúde, as casas-de-banho tornaram-se nos novos pontos críticos, apontaram.

Em reacção, Leong Man Ion, subdirector da DICJ, prometeu ponderar sobre a proposta apresentada por funcionários de jogo com vista à abertura de uma linha telefónica da DICJ para complementar os serviços da linha destinada à apresentação de queixas ao Gabinete para a Prevenção e Controlo do Tabagismo.

O mesmo responsável confessou dificuldades na fiscalização, devido à falta de mão-de-obra, mas assegurou que continuará a comunicar com as operadoras para que respeitem a lei.

No programa do “Ou Mun Tin Toi” de ontem, o director do Gabinete para a Prevenção e Controlo do Tabagismo afastou preocupações demostradas por ouvintes, garantindo não ter visto qualquer situação de fuga de fumo, devido às portas abertas nas salas de fumo, aprovadas consoante os novos requisitos.

Entre 1 e 15 de Janeiro, o gabinete recebeu pedidos de 34 casinos para 505 salas de fumo, dos quais 378 foram aprovados. Durante meio mês de trabalho em conjunto com a DICJ, o organismo realizou 152 inspecções, aumentando duas vezes a frequência das acções face ao período homólogo de 2018. Ao todo, foram detectados 105 casos, representando uma subida de 20%. Os turistas representaram 80% dos infractores.