A Associação de Auxílio Mútuo de Condutores de Táxi está a preparar o lançamento de um programa de certificação de “bons taxistas”. Este ano, cerca de 100 profissionais devem participar na iniciativa
Viviana Chan
Na sequência de uma série de incidentes envolvendo cobranças excessivas, a Associação de Auxílio Mútuo de Condutores de Táxi anunciou a criação de um programa que tem como objectivo certificar os taxistas com boas práticas, distinguindo de uma forma mais “óbvia” os profissionais que fornecem serviços de qualidade.
À TRIBUNA DE MACAU, Tony Kuok explicou que o objectivo é “salvaguardar a imagem de Macau” como Centro Mundial de Turismo e Lazer, uma vez que, nas últimas semanas foram noticiadas várias infracções envolvendo táxis, cometidas pelas “ovelhas negras” do sector.
Assim, frisa o dirigente associativo, o programa tem como objectivo identificar os taxistas que revelam bom comportamento e atribuir-lhes um símbolo específico que as pessoas consigam reconhecer, desde que o serviço que providenciam cumpra certas exigências. “Vamos avaliar os taxistas para ver se podem ser certificados”, assegurou o presidente da associação.
Para cumprir as exigências associadas a esta certificação, os taxistas devem cumprir sempre o que está estipulado na lei, ajudar os passageiros a colocar e a retirar os pertences da bagageira e circular nas zonas antigas para maior conveniência dos residentes. “Hoje em dia, os residentes têm medo de apanhar um táxi. Queremos melhorar esta situação e recuperar a confiança nos taxistas locais”, sublinhou Tony Kuok.
O programa pode arrancar ainda este ano com cerca de 100 taxistas. A associação estima que entre 300 e 500 profissionais poderão juntar-se à iniciativa em 2019. “Queríamos certificar pelo menos um terço dos táxis pretos em táxis certificados. Se não conseguirmos esta meta, não terá o efeito que pretendemos”, acrescentou o dirigente associativo.
Questionado sobre o que poderá motivar os profissionais a aderir ao programa, Tony Kuok explicou que a iniciativa está relacionada também com a concorrência dos rádio-táxi, uma vez que cada infracção dos táxis pretos “promove o serviço dos rádio-táxi porque dizem que o serviço é melhor”. Nesse sentido, este programa poderá significar um maior volume de negócios para os taxistas.
No que respeita aos profissionais que mancham a imagem do sector, Tony Kuok frisou que as infracções recentemente noticiadas foram cometidas por taxistas mais jovens, o que pode levar a que a população olhe para eles como “ovelhas negras”.
Além disso, o líder associativo acredita que o encerramento de salas VIP do jogo levou à entrada de mais mão-de-obra neste sector. Tony Kuok entende que ser taxista é “um emprego de passagem” e que a profissão é usada como meio para “ganhar dinheiro rápido”, sobretudo no COTAI, a zona onde acontece a maioria dos comportamentos reprováveis.
No primeiro trimestre deste ano, a polícia fez 1.878 autuações a taxistas, o que representa uma subida de 45,5% face ao período homólogo de 2017.
O director dos Serviços para os Assuntos de Tráfego já se pronunciou sobre a proposta da Associação de Auxílio Mútuo de Condutores de Táxi frisando que o organismo que lidera vai apoiar todas as estratégias desde que sejam em prol da melhoria dos serviços de táxi.
Taxista insultou turistas
Um taxista terá cobrado 100 patacas a duas passageiras que transportou até ao Hotel Grand Lisboa, no entanto, insatisfeito com o valor que já tinha sido previamente acordado, exigiu uma quantia mais elevada. Perante a recusa das duas mulheres, exaltado, o taxista insultou as duas mulheres, chamando-lhes “prostitutas”. O caso foi divulgado num vídeo que circulou pelas redes sociais, no entanto, não é conhecida a data da captação das imagens.



