Se até ao próximo mês não conseguir recolher o dinheiro necessário que permita pagar a renda e os salários dos funcionários, a Associação para o Desenvolvimento Infantil terá de desocupar o “Reach for the Stars”, espaço que funciona como sede há três anos, explicou Eliana Caldéron à TRIBUNA DE MACAU

 

Catarina Almeida

 

A Associação para o Desenvolvimento Infantil (MCDA, na sigla inglesa) corre o risco de perder o espaço “Reach for the stars” – sede da associação há três anos – situado em frente ao Museu das Comunicações, por falta de fundos que viabilizem o pagamento da renda do imóvel e os salários dos que lá trabalham. “Não estamos a conseguir os fundos necessários para pagar a renda”, lamentou Eliana Calderón, presidente da associação que se dispõe a prestar apoio a crianças que necessitem de apoio especial de aprendizagem, à TRIBUNA DE MACAU. Ainda assim, segundo explicou, o senhorio do espaço aceitou “não aumentar [a renda] para 70 mil patacas” mantendo em 60 mil o valor mensal que a MCDA terá de desembolsar se quiser continuar a ocupar o imóvel.

Os problemas financeiros da associação instituída em 2004 não são, de resto, recentes. No mês passado, a MCDA partilhou mesmo publicamente os constrangimentos financeiros após versões opostas no que se refere aos apoios concedidos pelo Instituto de Acção Social (IAS) à organização sem fins lucrativos.

Actualmente, a MCDA trabalha sobretudo no “Reach for the Starts”, que funciona como a sede da associação, e através da qual apoia centenas de crianças. Este é o espaço que poderá vir a ser desocupado, já que, segundo Eliana Calderón, não está em causa qualquer impacto nos serviços do futuro Centro de Desenvolvimento da Criança de Macau – que, de acordo com o IAS, “está dotado de condições para entrar em funcionamento” e irá implicar um aumento no valor do subsídio mensal para 350 mil patacas.

No geral, os custos operacionais da MCDA para oferecer os serviços com a qualidade a que se propõe para as crianças atingem pelo menos 11 milhões de patacas (incluindo gastos com aquisição de equipamentos para complementar actividades e serviços, custos operacionais e projectos de sustentabilidade).

As dificuldades operacionais, associadas a estrangulamentos financeiros, motivaram a associação a criar, em Outubro do ano passado, uma acção de angariação de fundos junto de empresas privadas locais. Alguns meses depois, a MCDA queixa-se de demasiadas respostas negativas estando ainda a aguardar resposta da Fundação Macau. Segundo Eliana Calderón, a FM apoia com dois milhões por ano mas a associação “pediu um incremento” sobre o qual ainda “não obteve resposta”.

Em todo o caso, a MCDA já recebeu fundos directamente da conta pessoal de Eliana Calderón que, até este mês, já totalizaram 400 mil patacas, garantiu a presidente da associação.