O presidente da Associação Geral dos Empregados do Ramo de Transporte não vê, para já, uma relação directa entre o reconhecimento mútuo das cartas de condução e os condutores ilegais, no entanto, admite que a política acrescente “confusão” à já complicada situação nas estradas. O CPSP afasta preocupações e garante que a decisão baseou-se numa análise científica

 

Rima Cui

 

Depois de Sulu Sou ter criticado a política de reconhecimento de mútuo das cartas de condução com a China Continental por não ter sido realizada uma consulta pública, nem terem sido apresentados fundamentos e dados suficientes, o Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) garante que a decisão foi tomada com base nas análise e avaliação de dados.

O CPSP concluiu que a medida não apresenta uma relação de causalidade com a segurança rodoviária e a questão de condutores ilegais. Além disso, frisou não haver indícios da possibilidade de um grande aumento no congestionamento das estradas de Macau ou agravamento das situações de trabalho ilegal.

Para apoiar a implementação da política, as autoridades policias prometeram tentar aumentar a consciência rodoviária da população, em três aspectos: divulgação, educação e detecção.

Segundo o CPSP, entre 1 de Janeiro de 2017 e 31 de Março deste ano, foram descobertos 92 casos de condutores ilegais, dos quais seis envolveram trabalho sem “blue-card” e 67 o exercício de funções diferentes das previstas no “blue-card”.

Em comunicado, a Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT) realçou que a medida não significa que os condutores do Continente possam trabalhar no sector de transportes local e reiterou que a política de não importação de motoristas profissionais não será alterada. A DSAT promete continuar a combater os condutores ilegais.

“O Governo Central e o Executivo da RAEM quando negociaram o reconhecimento das cartas de condução, tinham como base a compreensão mútua e a igualdade na conveniência, procurando um consenso viável. A política visa facilitar as actividades dos residentes de Macau quando fazem negócios, viajam, visitam e trabalham no Continente, além disso, promover a cooperação regional, reforçando sobretudo a integração dos jovens no Continente, construindo um ciclo de vida de boa qualidade de Guangdong, Hong Kong e Macau”, sublinhou a DSAT.

Para Tong Chak Sam, presidente da Associação Geral dos Empregados do Ramo de Transporte de Macau, neste momento, não é possível encontrar uma relação causa-efeito entre o reconhecimento mútuo das cartas e o agravamento da situação dos condutores ilegais.

“Ainda é cedo para ver o resultado. Quer a viabilidade da medida, quer o impacto no sector laboral, só poderão ser confirmados algum tempo depois da política ser implementada”, declarou à TRIBUNA DE MACAU.

Mesmo assim, Tong referiu que, na visão profissional do sector dos transportes, com a aplicação da medida, algumas pessoas do Continente vão passar a conduzir em Macau, o que pode causar entraves aos transportes do território. “Como os condutores do Continente não percebem as regras das estradas locais, podem trazer ainda mais confusão e pressão a uma cidade onde os transportes já são suficientemente complicados”, salientou.