Muitas excursões enchem autocarros públicos e “shuttles” na zona das Portas do Cerco
Muitas excursões enchem autocarros públicos e “shuttles” na zona das Portas do Cerco

O aparecimento de um elevado número de guias turísticos ilegais está a preocupar os profissionais locais do sector. A Associação de Promoção de Guia de Turismo denuncia uma descida significativa no número de excursões com guias licenciados e acusa o Governo de falhar na fiscalização

 

Viviana Chan

 

A Associação de Promoção de Guia de Turismo de Macau alertou para uma “invasão” de guias turísticos não identificados do Interior da China, que levou o número de excursões a cair entre 80% a 90% desde o início de Novembro.

Em declarações à TRIBUNA DE MACAU, a presidente da associação acusou as autoridades de Macau de serem demasiado passivas na fiscalização. Zhu Mingxia garantiu, inclusive, que os Serviços de Turismo (DST) só agiram porque a associação alertou a polícia, que transferiu o caso para aquele organismo.

Zhu Mingxia indicou que, apesar de Novembro ser normalmente um período com grande número de excursões, e que actualmente poderiam ser ainda mais devido à entrada em funcionamento da Ponte do Delta, essa tendência está a ser contrariada este ano. “O número de excursões que os guias turísticos recebem caiu de 25 para cinco mensalmente, o que representa uma descida significativa”, frisou.

Segundo explicou, as excursões ilegais aproveitam-se dos “transportes públicos ou shuttle bus dos casinos e muitos guias turísticos do Interior da China ensinam os visitantes a retirar os sinais de excursão, como por exemplo, não usam chapéu, nem bandeira para de identificação”.

A mesma responsável admite que esta situação já não é nova, mas nunca foi tão problemática. “Agora está “gravíssima”, alertou, indicando que, por um lado, os guias turístico locais ficam sem emprego e, por outro, os excursionistas afectando a deslocação normal dos cidadãos, na medida em que usam os “shuttle bus” ou autocarros públicos.

Essas excursões derivam das Portas do Cerco e da Ilha da Montanha, e “usam os shuttle bus dos casinos para visitar o Venetian ou MGM e depois apanham o autocarro para visitar Ruínas de São Paulo”, afirmou. Acusando “os guias turísticos de fora de não conhecerem bem a história de Macau”, a representante da associação advertiu que, por isso, podem apresentar mal a cidade e prejudicar a sua imagem.

“Para além disso, o Governo local tem investido muito no turismo e não deve deixar que isso seja em vão”, salientou.

Hong Kong também enfrenta a mesma onda de excursões ilegais, devido à Ponte do Delta, mas o Governo da região vizinha está a fiscalizar de forma mais rigorosa, frisou. Zhu Mingxia revelou que as excursões evitam agora entrar em Hong Kong, porque os guias turísticos podem ser apanhados, por isso, decidem operar em Macau.

De acordo com a mesma responsável, depois da associação ter efectuado uma acção de fiscalização no sábado, junto às Portas do Cerco, “as agências de viagens de Zhuhai começaram urgentemente a andar à procura de guias turísticos de Macau, o que significa que as pessoas violavam a lei de propositadamente”.

Considerando que a sobrevivência do sector depende do Governo, Zhu espera que o problema seja resolvido o mais rápido possível.

De acordo com o jornal “Ou Mun”, a directora dos Serviços de Turismo, Maria Helena de Senna Fernandes, assegurou que está a acompanhar a situação e já destacou pessoal para fazer inspecção nos postos fronteiriços.