A RAEM vai ser palco da entrega de prémios aos contemplados na lista “Asia’s 50 Best Restaurants” no próximo ano e em 2019. Maria Helena de Senna Fernandes considera que esta é uma oportunidade de dar a provar a pessoas de fora as iguarias locais e de fomentar o intercâmbio entre os profissionais da área
Salomé Fernandes
Macau vai receber a cerimónia de entrega de prémios da lista “Asia’s 50 Best Restaurants” em 2018 e 2019. A Direcção dos Serviços de Turismo de Macau (DST) reservou uma verba de quatro milhões de patacas destinada para o efeito.
A directora da DST destacou a importância do evento “não é só a cerimónia de entrega de prémios, mas também a valorização dos restaurantes”. “Vai trazer chefs de toda a Ásia, o que nos dá a oportunidade de os trazer não só a hotéis, mas também a outras partes da cidade. Já estamos a pensar como os levar a provar iguarias locais”, indicou Helena de Senna Fernandes.
A oportunidade de intercâmbio e troca de experiências entre os “chefs” dos vários restaurantes e de elevar o perfil gastronómico e cultural de Macau a nível mundial foram as duas principais vantagens apresentadas pela representante. A DST vai contribuir financeiramente para o evento, sendo que o grupo “William Reed Business Media”, que elabora a lista, estabeleceu também uma parceria com o Wynn Palace, onde o evento vai decorrer no próximo ano, a 27 de Março.
“Durante a última década, Macau evoluiu muito a nível gastronómico, trazendo instalações de ponta a Macau e também experiências gastronómicas sofisticadas. De apenas um restaurante a integrar a lista final dos prémios nas primeiras quatro edições, este ano estamos muito contentes por ver dois restaurantes a serem premiados”, descreveu Helena de Senna Fernandes.
A directora dos Serviços de Turismo indicou que a promoção do evento, e de Macau em geral, vai passar também pelo convite de diferentes “bloggers”. Para além disso, realçou o momento oportuno do anúncio, dada a designação de Macau como Cidade Criativa no ramo da gastronomia pela UNESCO, na semana passada.
“Funcionou muito bem com o anúncio da UNESCO que tenhamos escolhidos um local que também foi apoiado por outra entidade”, disse Tim Brooke-Webb, director administrativo de hospitalidade do grupo organizador, a propósito da escolha do território para hóspede do evento. “Macau é uma jóia escondida. Quando cá vim fiquei muito surpreendido pela qualidade da comida, dos restaurantes, e dos ‘chefs’. É um segredo bem escondido e acho que Macau merece mais”, acrescentou o director administrativo.
A classificação dos 50 melhores restaurantes asiáticos surgiu em 2013, depois de em 2002 ter sido elaborada uma lista a classificar os 50 melhores restaurantes a nível mundial.
A lista dedicada à Ásia resultou da intenção de “ajudar o resto do mundo gastronómico a perceber a diversidade ao longo do continente”, e dar mais força à região.
Para além disso, foi sublinhada a importância de “chefs” de diferentes países entrarem em contacto com novas regiões e tradições gastronómicas. Daí que tenha surgido uma vertente do concurso dedicada exclusivamente à Ásia, e cuja classificação é feita pelo público, separadamente à mundial.
A escolha de Macau como destino gastronómico das duas próximas edições do concurso foi feita depois de pesquisas e conversas com os vencedores e com os patrocinadores, bem como pelo seu cenário de multiculturalismo.
Para além disso, Tim Brooke-Webb sublinhou que “quem visitou a realidade de restauração de Macau nos últimos cinco anos reparou no trabalho que tem sido feito nesta região. Há cá pelo menos 19 restaurantes que merecem uma paragem. Há poucas cidades na Ásia ou no mundo que tenha tanto talento num raio de três milhas”. Nesse sentido, apelou a que não se olhe para o território como sendo apenas uma “meca do jogo”, termo que, segundo considera, desvaloriza o talento gastronómico presente no território.
No lote desses talentos está Tam Kwok Fung, director de operações de cozinha no Jade Dragon, um dos dois restaurantes em Macau a ter integrado o “Asia’s 50 Best Restaurants” de 2017. Tam Kwok Fung acredita que a nomeação, em Fevereiro deste ano, promoveu “mais clientes de diferentes regiões do mundo” e “ajudou também do ponto de vista das relações públicas”, ao dar a conhecer o restaurante. Focado em cozinha cantonesa, Tam não tem em vista integrar pratos macaenses no menu, mas promete usar produtos locais.
Da região vizinha, Richard Ekkebus, chefe de cozinha do “Amber” indicou que, com a entrada na lista pela primeira vez, a procura do restaurante aumentou significativamente. “O nosso sistema de reservas foi abaixo. A nossa equipa estava assoberbada com telefonemas, e os nossos clientes passaram a ser muito mais internacionais. Começámos a ter holandeses a comer cedo, e brasileiros a comer tarde”, descreveu o profissional.
City of Dreams celebra aniversário do Guia Michelin
Para marcar o 10º aniversário do Guia Michelin para Hong Kong e Macau, o City of Dreams vai realizar um jantar de gala a 30 de Novembro. Os convidados vão ter uma refeição cozinhada por seis “chefs” de renome, que reúnem entre si 14 estrelas Michelin. É a segunda vez que a Melco realiza um evento do género. Para além dos “chefs” do complexo, o evento contará com a experiência de Tam Kwok Fung e Fabrice Vulin, que lideram cozinhas de restaurantes locais, Alain Ducasse, de Paris, e Noah Sandoval, de Chicago. A representar Hong Kong estarão Nicholas Tse, Kwong Wai Keung e Hidemichi Seki. O jantar vai ainda ser animado pelo espectáculo musical da artista pop Joey Yung.



