A exposição “Reflexões de Macau” encontra-se patente ao público até sexta-feira. Com a caligrafia, Ambrose So quer dar a conhecer uma forma de comunicação e arte que promove intercâmbios culturais
Salomé Fernandes
Uma tradição que assume a forma de método de expressão mas que é também uma forma de arte. Foi assim que Ambrose So explicou os dois papéis que a caligrafia pode assumir na sociedade. A exposição de caligrafia chinesa do artista, “Reflexões de Macau” foi inaugurada sexta-feira e permanece patente ao público na Galeria do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM) até sexta-feira, das 9h às 21h.
“É importante para pessoas que amam caligrafia estudar chinês clássico. Quanto mais se estuda mais se compreende a cultura e a sua origem. Os poemas inspiram tal pensamento filosófico, e com a caligrafia é possível expressá-lo. Ao mesmo tempo pode-se aprender sobre a cultura do país e fazer arte”, explicou o artista aos jornalistas.
São mais de 40 trabalhos em escrita oráculo em osso, selo, clerical, semi-cursiva, bem como inscrições em esteira de bambu e madeira. Ambrose So, que é também director executivo da Sociedade de Jogos de Macau, fundou em 1985 a Associação de Caligrafia de Jiazi da qual é presidente. Equilibra a actividade artística com a empresarial porque “se encontra sempre tempo para se fazer aquilo de que se gosta”.
O artista considera que “o chinês simplificado não é adequado à caligrafia porque é demasiado simples” e que “é preciso ter traços mais complexos para nos expressarmos”, pelo que recorre à escrita tradicional. “Diz-se frequentemente que reflecte o tipo de personalidade da pessoa. Para fazer isso, primeiro é preciso conhecer outros tipos de caligrafia. E em segundo lugar, é preciso conhecer o conteúdo que as pessoas escreveram, em que circunstâncias escreveu o poema, porque tem uma razão. Combinando tudo isto pode-se perceber em que estado de espírito estava o escritor”, descreveu.
A sua forma de expressão tem também o propósito de dar a conhecer impulsionar o papel da RAEM como plataforma. “A estadia de Macau durante 400 anos sob autoridades portuguesas e chinesas contribuiu para uma cultura muito distinta a que chamamos identidade de Macau. Por muitos anos estabeleceram-se contactos com países de língua portuguesa, e através da caligrafia podem-se fazer intercâmbios culturais. Eu fiz uma exposição em Portugal, em Lisboa, que mudou para o Museu de Aveiro”, comentou.
Para Ambrose So, o importante é acompanhar a exposição de um livro com os textos traduzidos para a língua do público, como o Português e o Inglês, para que as pessoas saibam o que escreveu. Depois disso, as semelhanças na cultura permitem que o receptor compreenda o tópico de que fala e que isso ressoe. “É o objectivo dos intercâmbios culturais com outros países. E isto também pode ser feito com os outros países de língua portuguesa. Por isso é que digo que Macau pode ser utilizado como plataforma e um meio para fazer este intercâmbio cultural”, frisou.



