A Universidade de Macau deverá entregar em breve um relatório sobre a alegada prestação ilegal de alojamento numa residência de estudantes no campus da Ilha da Montanha. Alexis Tam advertiu ainda que este caso é inaceitável e cabe à instituição saber “governar melhor”. Do lado do Turismo fica a percepção de que é necessário repensar o âmbito de promoção e controlo, reconheceu Maria Helena de Senna Fernandes
Catarina Almeida
Para o Secretário Alexis Tam, o caso suspeito de alojamento ilegal num dormitório de uma das residências da Universidade de Macau (UM), orquestrado por um estudante, é inaceitável. “Fiquei surpreendido e chocado. Como é possível a residência universitária servir como pensão ilegal? Não é aceitável”, vincou, em declarações aos jornalistas, adiantando que já falou com o Reitor da Universidade de Macau, “que muito em breve vai apresentar o relatório de investigação”.
Apesar da UM ter já reagido ao caso, prometendo reforçar e rever o modelo de gestão das residências, dar seguimento às suspeitas com base no estatuto disciplinar dos alunos e “educar” o estudante envolvido, que também já foi expulso da residência, o Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura lançou uma chamada de alerta até porque a UM tem “autonomia financeira e de gestão de pessoal e administrativa”. Portanto, frisou, “tem de governar melhor”.
Em todo o caso, Alexis Tam mostra-se confiante de que este será caso único. Ainda assim, “não pode voltar a acontecer”. “Não podemos agora dizer que as residências universitárias de Macau servem como pensões ilegais. A Universidade de Macau já está a fazer a investigação e muito em breve vai ser divulgada”, disse.
Recorde-se que o caso foi denunciado pelo “Orange Post” – jornal da associação estudantil da UM – apontando a existência de um anúncio na plataforma “Airbnb” indicando que o dormitório providenciava “camas baratas e de boa qualidade”. Por noite eram cobradas entre 314 e 350 patacas, dependendo da altura da marcação.
Por outro lado, os Serviços de Turismo (DST) souberam do caso na semana passada após uma denúncia, sobre a qual Maria Helena de Senna Fernandes não quis dar mais detalhes por motivos de confidencialidade. O processo está a ser investigado, mas segundo explicou a directora da DST, os inspectores não conseguiram entrar no dormitório propriamente dito tendo apenas conversado com os seguranças que lhes disseram que só os estudantes têm livre-acesso àquela zona.
Partindo da explicação dada aos fiscais da DST, é necessário um cartão específico para conseguir entrar nas residências, contudo, de acordo com os dados do “Airbnb”, o aluno de Mestrado em Comunicação Social começou a arrendar o dormitório em Outubro de 2018, tendo recebido comentários positivos de antigos hóspedes ainda este mês.
Nesta fase das investigações, a DST está em conversações com a UM, estando por agora descartada a hipótese de enveredar por vias judiciais para concluir o processo. Para já, os Serviços de Turismo irão apurar a principal causa de interdição à entrada dos fiscais na residência enquanto aguardam por “mais informações” da instituição de ensino superior.
De qualquer modo, este caso terá levantado a necessidade de reforçar o combate às pensões ilegais e alargar o âmbito de acção, reconheceu Maria Helena de Senna Fernandes. “Vamos trabalhar de forma mais estreita com outras possíveis áreas de actuação. Nunca pensámos que este tipo de pensão ilegal poderia existir nas universidades porque [à partida] devem ter um sistema de controlo e segurança, já que é proibida a pernoita de outras pessoas nas residências”.
Além disso, admitiu, “talvez devido à nossa maneira de pensar não fizemos muita promoção junto dessas residências”. “Vamos repensar a nossa área de promoção junto de diferentes locais que podem oferecer residência”.



