O Albergue SCM recebe, no sábado, uma sessão para lembrar Vicente Bravo Ferreira e a sua obra, tanto arquitectónica como artística. Carlos Marreiros fala de um homem “brilhante” além de um artista e arquitecto de “grande qualidade”

 

Inês Almeida

 

Pouco mais de uma semana depois do seu falecimento, Vicente Bravo Ferreira será recordado e homenageado numa sessão evocativa no Albergue SCM, no sábado. Nela serão relembrados “o homem, o arquitecto e a obra”. “Perto de uma dezena de colegas arquitectos, engenheiros e amigos relembrarão a obra e a pessoa brilhante que foi Vicente Bravo”, avançou Carlos Marreiros à TRIBUNA DE MACAU.

“A obra arquitectónica de Vicente Bravo é vasta e de qualidade muito elevada. É um dos melhores arquitectos de Macau e a obra dele merece ser mais estudada”, acredita o arquitecto, também presidente do Albergue SCM. Entre os projectos da sua autoria destaca-se o “Pavilhão da Lanterna”, o edifício provisório onde se deu a cerimónia da transferência de soberania.

“Era um pavilhão construído temporariamente ao pé do actual Centro Cultural de Macau, portanto, uma obra feita em muito pouco tempo, e que era uma lanterna iluminada, uma peça extremamente bem desenhada que depois foi destruída, por isso, vamos apresentar fotografias”, indicou Carlos Marreiros.

Vicente Bravo Ferreira tem também no currículo o Museu das Ofertas Sobre a Transferência de Soberania, “uma peça extremamente bem desenhada e muito bonita, de um arquitecto que, sendo português e tendo estado muito tempo em Macau, conhece todos os aspectos do clima, o calor, a humidade, portanto desenha um edifício que, além de plasticamente bem conseguido, resolve as questões de sombreamento, evitando exposições excessivas ao sol”. Além disso, o arquitecto é autor de algumas subestações da Companhia de Electricidade de Macau e o Edifício da Unidade Táctica de intervenção da Polícia.

À parte do trabalho na qualidade de arquitecto, Vicente Bravo Ferreira foi artista plástico que conseguiu expor de forma mais sistemática através do Círculo dos Amigos de Cultura. “Quando inaugurámos o Albergue SCM, ele foi dos primeiros artistas que convidei a expor, desenhos artísticos, não de arquitectura. Foi a primeira exposição de pintura dele, porque já tinha feito outras mas de desenhos só. É um artista de grande qualidade”, destacou Carlos Marreiros.

De um ponto de vista mais pessoal, Vicente Bravo Ferreira “era uma pessoa com um grande sentido de humor, capacidade crítica e analítica”. “Era uma pessoa muito calma. Tem muitos amigos em Macau e colegas que terão histórias para acrescentar ao que já sabemos”. No entanto, ressalva Carlos Marreiros, esta não será “uma sessão lutuosa”. “Desejo até que seja uma sessão de alegria porque ele era uma pessoa alegre, bem-disposta e com sentido de humor”.

No futuro, Carlos Marreiros espera que a obra do arquitecto seja divulgada através de edições de livros, estudos, trabalhos de pesquisa sobre o Património ou arquitectura, “desde os primórdios até aos dias de hoje”. “Sobre arquitectos de Macau faz sentido fazer esta colecção que é para ir saindo nos próximos 10 anos”, destacou.