A Sociedade de Macau para o Oceano e Hidráulica organizou um seminário apontado como um primeiro passo no debate sobre a melhor forma de desenvolver as áreas marítimas. A possibilidade de se caminhar para o recurso a um transporte marítimo mais “amigo do ambiente” esteve em cima da mesa

 

Inês Almeida

 

Com a evolução da Grande Baía do Rio das Pérolas, o desenvolvimento das áreas marítimas “é uma tendência inevitável”, por isso, na sexta-feira, a Sociedade de Macau para o Oceano e Hidráulica (MSOH, na sigla inglesa) organizou um seminário que pretende que seja um ponto de partida para o debate sobre esta questão.

“A ideia fundamental deste seminário foi que estes assuntos relativos à gestão das áreas marítimas e às novas zonas costeiras atravessam diferentes sectores e que a gestão tem de ser feita de forma integrada, em conjunto com as regiões vizinhas, falando no contexto do Rio das Pérolas”, explicou Tiago Pereira à TRIBUNA DE MACAU.

O representante da MSOH frisou que a sessão contou com especialistas de vários sítios incluindo da China e de Portugal. “O objectivo primordial deste seminário foi promover o debate sobre estas matérias. É o primeiro seminário da MSOH. Foi um ponto de partida. A questão fundamental é haver um diálogo transversal aos diferentes sectores e inter-regional”, defendeu.

Na sessão “falou-se da realidade de Macau, da integração no Delta do Rio das Pérolas e dos aspectos que têm de ser explorados, que têm a ver naturalmente com questões ambientais, relativas à navegabilidade do Rio das Pérolas, da exploração da zona costeira de Macau, o próprio desenvolvimento urbano da cidade e as especificidades futuras que a cidade terá, em função também do seu próprio crescimento”.

Tiago Pereira indicou que o transporte marítimo de carga e de passageiros foi outra das questões debatidas. “Discutiu-se, por exemplo, a possibilidade de se caminhar para o transporte marítimo mais amigo do ambiente, com barcos com combustíveis mais amigos do ambiente, falou-se do gás liquefeito natural, embora não concretamente para Macau”, até porque “não bastaria os transportes de Macau adoptarem essa medida, era necessário que outros portos do Delta também o adoptassem para que houvesse essa coordenação”.

No entanto, ressalva o engenheiro, este é apenas um exemplo. No geral, “estamos a falar de ambiente, de planeamento urbano, desenvolvimento económico, vários aspectos”.

Questionado sobre como se encontra um equilíbrio entre o desenvolvimento inevitável e a protecção do meio ambiente, Tiago Pereira frisa que “as coisas podem andar em paralelo, podem convergir”. “Uma coisa não se opõe à outra. É tudo uma questão de estabelecimento de estratégias. Isto é algo que atravessa os vários sectores da sociedade. É importante que haja um debate público sobre isto porque envolve todos os sectores”, destacou o engenheiro.

“Um outro aspecto importante também, falando especificamente do mar, é que temos aqui a ligação aos Países de Língua Portuguesa, em que o mar, obviamente, é um denominador comum. Existe aqui a possibilidade de explorar cooperação também nesta área”, acredita o representante da MSOH.

O seminário foi organizado pela MSOH em parceria com o Centro de Investigação do Desenvolvimento da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau, além de ter como co-organizadores organismos como o Laboratório de Engenharia Civil de Macau, o Instituto de Estudos Europeus e o Fórum Macau.