Man Kuan
Man Kuan

Voltaram a pegar nos livros, a repetir a rotina de estudante, mas o regresso à escola depois da reforma permite-lhes sobretudo dar um novo significado ao seu quotidiano. Quando procuram a Academia do Cidadão Sénior do Instituto Politécnico, os alunos querem enriquecer as suas vidas, sem sentir o peso da idade. Agora, revelam também uma veia artística, através de uma exposição composta por obras de alunos e professores

 

Viviana Chan
Arrancou ontem a exposição de obras de arte dos estudantes da Academia do Cidadão Sénior do Instituto Politécnico de Macau (IPM) e dos professores, em ambiente de alegria e satisfação por poderem mostrar à família e amigos os frutos do regresso à escola.

A Academia abriu a porta a quem não teve a oportunidade de estudar na juventude, como Man Kuan de 74 anos, que acabou de concluir o curso de quatro anos. O resultado final não se reflecte apenas num diploma, mas também no facto de se sentir mais jovem, rejuvenescido. Além disso, fica a amizade nascida do convívio com os colegas de turma.

Exposição reúne obras de alunos da Academia do Cidadão Sénior

“Aposentei-me há muitos anos, tenho muito tempo livre e sempre gostei de estudar arte, por isso, estou muito feliz por ter esta oportunidade de dedicar-me aos estudos das disciplinas ligadas à arte”, confessou à TRIBUNA DE MACAU.

O currículo do programa incluiu disciplinas opcionais, como “pintura ocidental, pintura chinesa, caligrafia, gravuras e medicina chinesa”. “Gostei mesmo do ambiente do IPM, os estudos foram muitos interessantes”, sublinhou Man Kuan.

Nesta exposição, Man Kuan exibiu o carimbo em pedra ao lado de dezenas de peças de arte de colegas e dos professores. “A minha qualidade da vida melhorou muito, ficou mais rica, passei a ter muitas actividades para fazer”, disse. Na altura os amigos disseram-lhe que o curso era muito bom, por isso decidiu candidatar-se a uma vaga.

Quatro anos depois, deseja inclusive recandidatar-se. “Penso que vai ser difícil, porque há muita concorrência”, disse.

Na cerimónia de abertura de exposição, a directora da Academia, Lam Wan Mei, revelou que a escola pretende aumentar as admissões dos estudantes devido à procura. Em 2017, recebeu 670 candidatos seniores para 120 a 140 vagas. “Precisamos de dividir as instalações com os jovens… o Governo está a ponderar as condições”, disse Lam Wan Mei, sublinhando que cada vez há mais procura.

Ao Jornal TRIBUNA DE MACAU, uma senhora de apelido Lam confessou que estudar fotografia não foi nada fácil, pois começou do zero. Apesar disso, fez muitos amigos na escola, onde podem estudar juntos e por isso apreciam muito o tempo de estudo.

Para Man Kuan, frequentar a Academia trouxe-lhe mais amigos e os dias não foram nada cansativos. Lamentando que cada um só tenha direito a frequentar quatro disciplinas, referiu que desejava mais, para continuar a aprender.

Tang Chou Kei

Tang Chou Kei foi jornalista antes da aposentação. Recordando que não teve muito tempo para estudar quando era jovem, contou que agora aproveita o tempo da reforma para aprender caligrafia e pintura.

Com 86 anos completou o curso de três anos e agora vai aprofundar os estudos. “Aprendi caligrafia, pintura chinesa, aguarelas e medicina chinesa. Gosto muito das aulas. Para mim, são actividades saudáveis de lazer e, ao mesmo tempo, consegui fazer muitos amigos. Combinamos mais actividades no tempo livre, como viajar juntos, jantar fora e etc.”, explicou.

Para Tang Chou Kei, os estudos podem também ter uma influência positiva nos netos. “Quando estou em casa, estudo muito, faço os trabalhos de casa e, quando os meus netos vêm, percebem que o avô estuda muito aos 80 anos. Isso pode ser um bom exemplo para eles”, referiu.

Tang, que só conseguiu uma vaga à segunda tentativa e irá graduar-se no próximo ano, pretende aproveitar ao máximo o tempo na Academia do Cidadão Sénior.