Maria José Grosso assumiu a coordenação do livro
Maria José Grosso assumiu a coordenação do livro

“Promoção do Português em Macau e no Interior da China” é uma obra coordenada por Maria José Grosso, com o contributo de Ana Paula Cleto e Zhang Jing como co-investigadores, que abrange vários textos referentes ao ensino e aprendizagem da língua de Camões. Foi ainda possível criar o perfil do público chinês aprendente de Português – abrangendo diferentes instituições locais e da China – concluindo-se que a memória continua a ser um “factor “indispensável” na sua aprendizagem

 

Catarina Almeida

 

O Centro de Ensino e Formação Bilingue Chinês e Português da Universidade de Macau e a Delegação de Macau da Fundação Oriente lançam hoje, pelas 18:30, na Casa Garden, a obra “A Promoção do Português em Macau e no Interior da China”. O livro abrange um conjunto de textos referentes ao ensino e à aprendizagem do Português na RAEM e na China Continental, envolvendo um total de 15 instituições.

A maior parte dos textos integra parcialmente dados recolhidos por inquéritos, num total de 1.557 informantes, para o projecto “Referencial de Português para Falantes de Língua Materna Chinesa”, iniciado em 2014, e apoiado pela Universidade de Macau (UM). Alguns dados foram facultados aos professores e agentes de ensino das instituições que tinham participado na aplicação dos inquéritos.

Em declarações à TRIBUNA DE MACAU, a docente Maria José Grosso, que assumiu a coordenação deste livro, frisou que uma das intenções deste projecto prende-se com a necessidade de trabalhar “dados concretos” e de “forma mais profunda e interdisciplinar”. Neste caso, no que ao ensino do Português diz respeito. “Seja em que contexto for, não podemos continuar só a dar a nossa opinião, a repetir as mesmas coisas durante anos sem comparar mesmo que seja empiricamente com outras opiniões, com outras razões”.

Por isso, a obra “constitui a reflexão (chinesa e portuguesa) possível” antes da publicação do Referencial que implicou portanto “integrar a diversidade das semelhanças e diferenças entre o público, sejam professores ou alunos de Macau ou da China Interior”.

A título de exemplo, Maria José Grosso explica que foram tidas em conta “as necessidades comunicativas (atitudes, interesses, motivação e expectativas) gerais do aluno falante de chinês na aprendizagem do Português”. “Fala-se muito na mudança de paradigma da prática pedagógica. Será que toda a comunidade (seja ela de que língua for) tem consciência disso? Como é que as línguas, designadamente o Português, podem transmitir valores positivos para a vida do indivíduo? Como é que isso se pode processar? Este livro surge mais no processo da reflexão sobre a construção dum documento orientador (referencial) sobre o ensino do Português para falantes de língua materna Chinesa”, acrescentou a docente.

Nesta linha de raciocínio foi possível estabelecer o perfil do público chinês aprendente de Português com base em dados de instituições locais como a UM, Instituto Politécnico, Instituto Português do Oriente, Universidade de São José e Universidade de Ciência e Tecnologia, além de universidades de Pequim, Cantão, Xangai ou Tianjin.

O foco foi o público adulto embora haja, de facto, diferentes públicos que aprendem Português como Língua Estrangeira. Aliás, “cada instituição tem o seu perfil de público, Macau tem o seu e a China interior também. O que é interessante é comparar e fazer a triangulação dos dados”, vinca a docente da UM.

De um modo geral, verificou-se que “alguns dados são iguais ao que foram recolhidos antes de 1999: O público que estuda línguas é feminino, com uma idade entre os 17 e os 25 anos”, disse. Estes dados serão, de resto, “certamente comuns a outros estudos que referem a aprendizagem das línguas”.

Além disso, continuam a referir a memória como um factor “indispensável na sua aprendizagem, mas o factor mais importante é a vontade de aprender”, explica Maria José Grosso. Além disso, é dada mais importância à oralidade do que à escrita, “talvez por ser nesta capacidade que sentem mais dificuldades”, conclui.

O projecto contou também com a intervenção na qualidade de co-investigadores de Ana Paula Cleto e Zhang Jing e, por um período limitado de tempo, Ricardo Moutinho. Teve ainda o apoio de alunos e assistentes de pesquisa. Para breve está agendado o lançamento do livro “Referencial de Português para Falantes de Língua Materna Chinesa”.

 

*com I.A.