Apesar de não avançar números, o Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura garantiu que o Executivo pretende continuar a contratar médicos especialistas e até enfermeiros para fazer face às necessidades do território. Alexis Tam já se deslocou a Portugal para celebrar um acordo com o objectivo de trazer clínicos para o território, onde também deverão ocupar-se da formação do pessoal médico local

 

Inês Almeida

 

Alexis Tam voltou a não apresentar dados específicos nem prazos para a conclusão do Complexo Hospitalar das Ilhas limitando-se a referir que Raimundo do Rosário “deu algumas indicações” e que existe “um plano alternativo”. No entanto, admitiu, será preciso contratar médicos especialistas.

“Já nos deslocámos uma vez a Portugal para celebrar um acordo, para assim trazer mais médicos portugueses que possam trabalhar em Macau. Eles também serão mestres para formar o pessoal local”, sublinhou o Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura. Além disso, ultimamente clínicos locais têm ido a Singapura, Hong Kong, Pequim, Xangai. “Este rumo de melhoramento dos cuidados de saúde é contínuo e persistente”, assegurou.

Os Serviços de Saúde (SSM), com a colaboração da Ordem dos Médicos de Portugal, deram início ao recrutamento de 21 médicos portugueses que são necessários para fazer face ao crescimento e desenvolvimento da medicina. As áreas de recrutamento abrangem as especialidades de Gastroenterologia, Imagiologia, Neurologia, Nefrologia, Pediatria, Cirurgia Geral, Torácica, Vascular, Metabólica, Pneumologia, Geriatria, Psiquiatria e Anatomia Patológica. Os interessados terão, até ao fim do ano, de enviar aos SSM os documentos comprovativos das habilitações literárias e respectivos currículos.

Presente na reunião da Assembleia Legislativa de ontem esteve também o director dos SSM que, sobre o Complexo Hospitalar das Ilhas, referiu apenas que foram convidados hospitais de Hong Kong, a Faculdade de Medicina de Zhongshan e uma empresa americana para ajudar na concepção arquitectónica da unidade, “sobretudo do bloco operatório e da unidade de oncologia”. “Se conseguirmos ter uma boa concepção arquitectónica, as pessoas têm melhores serviços”, realçou.

Ao nível dos recursos humanos, Lei Chin Ion garante que a Direcção dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ) e o Gabinete de Apoio ao Ensino Superior têm organizado palestras sobre planeamento de carreira “para ajudar os estudantes do ensino secundário a escolher um curso”. Além de médicos, os SSM procuram aumentar o número de profissionais na área da enfermagem.

 

Terapeutas no plano

de recrutamento

Já Alexis Tam voltou a mencionar a questão da falta de terapeutas, relacionada com o Centro de Avaliação Pediátrica. “Antes precisávamos de dois anos para ter acesso a uma avaliação e a tratamento e agora nem dois meses. Iremos insistir na prestação de apoio”.

Para garantir estes serviços, “fomos a Hong Kong e Taiwan para encontrar terapeutas”. “Vamos recrutas seis terapeutas da fala e quatro fisioterapeutas. No futuro, a DSEJ também vai aumentar o número de vagas para técnicos deste género nas escolas”. “Temos terapeutas de Taiwan que, em breve, vão integrar as nossas equipas”, garantiu.

Admitindo que actualmente há problemas nesta área, o Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura acredita que no futuro as questões podem resolver-se, até porque o Instituto Politécnico de Macau também vai começar a formar terapeutas da fala.

Além disso, “iremos sensibilizar as dificuldades dessas crianças, dando formação aos pais e predominância à família no apoio às crianças. Tendo tratamento precoce, elas têm oportunidade de recuperar”, destacou Alexis Tam.