Além de definir os planos de actividade e orçamento para este ano, a APOMAC analisou a proposta de ajustamento dos índices mínimos das pensões de aposentação e de sobrevivência que Jorge Fão considera ser “minimalista”. O presidente da Assembleia Geral referiu ainda que a Fundação Macau cortou o apoio à APOMAC em um milhão de patacas, pelo que pode estar em risco a comemoração do aniversário da associação

 

Inês Almeida

 

Os membros da Associação dos Aposentados, Reformados e Pensionistas de Macau (APOMAC) reuniram-se na sexta-feira em Assembleia Geral para aprovar o orçamento e plano de actividades para 2018.

“Tivemos de dar a conhecer aos associados o corte no subsídio da Fundação Macau porque costumamos organizar um convívio para todos os associados nesta quadra festiva primaveril, que este ano não vamos poder organizar porque não temos dinheiro suficiente”, lamentou o presidente da Assembleia Geral da APOMAC em declarações à TRIBUNA DE MACAU, apontando que receberam da instituição menos um milhão de patacas.

“Tínhamos de sacrificar alguma coisa e não podemos cortar o ordenado do pessoal que trabalha. A única coisa que podemos sacrificar são os convívios e as festas”, destacou Jorge Fão. Em suspenso ficam também as refeições oferecidas aos sócios no seu dia de aniversário. “Quando um associado faz anos costumamos oferecer uma refeição aqui na APOMAC mas também tivemos de cortar”.

Entretanto, há uns dias responsáveis da APOMAC encontraram-se com representantes da Fundação Macau e Jorge Fão acredita que chegaram “a um consenso”. “Estou com boas perspectivas de que a Fundação [Macau] venha a repor parte daquilo que foi cortado e que com isso possamos organizar a festa de aniversário da APOMAC que acontece em Maio de cada ano. Fazemos a festa desde que a APOMAC foi fundada, há 17 anos”, sublinhou o responsável.

Em cima da mesa na sexta-feira esteve também o documento de consulta sobre a proposta de ajustamento dos índices mínimos das pensões de aposentação e de sobrevivência, após participação numa palestra organizada pelo Fundo de Pensões (FP) na quinta-feira para debater o projecto com várias associações.

“Achamos que o Governo não teve audácia suficiente para fazer mais qualquer coisa”, defendeu Jorge Fão. O Executivo “vai modificar os índices mínimos das pensões de sobrevivência, com um projecto que será apreciado pela Assembleia Legislativa mas que só virá a beneficiar 68 pessoas”. “É imenso trabalho para um benefício mínimo. A montanha acaba por parir um rato”.

“Limitam-se a subir alguns índices das pensões das pessoas que recebem abaixo do nível de risco e que, assim, têm direito a equiparar-se a ele. Isso é muito pouco. O Governo deve aproveitar esta oportunidade, já que estamos num desafogo financeiro, para conceder ou alterar a filosofia da pensão de sobrevivência”, defendeu o presidente da Assembleia Geral da APOMAC.

Jorge Fão acredita que entre as mudanças deveria constar a possibilidade de os herdeiros dos pensionistas receberem 60% da sua pensão após o falecimento, ao invés de 50%.

“Também achamos que os familiares dos que morreram em serviço, em defesa da terra ou por razões altruístas, deviam ter uma pensão melhor, como prémio, mas nada disto consta do documento que é minimalista. Aquilo só tem duas ou três páginas”, sublinhou.

Na reunião de sexta-feira ficou decidido por unanimidade que o Governo deve ser informado das preocupações da APOMAC. “Além daquilo que está no documento, com que nós concordamos, o Governo deve aproveitar a oportunidade e melhorar o resto. Se há uma coisa que Macau tem de exemplar é a pensão de sobrevivência”.

Jorge Fão antevê que o FP deve receber hoje a carta enviada pela APOMAC espelhando as preocupações.