Segundo o presidente da Federação da Indústria e Comércio de Macau Centro e Sul Distritos, a maioria dos 11.296 estabelecimentos comerciais que receberam apoios pecuniários até 200 mil patacas em 2021 é composta por PME das áreas da restauração e venda a retalho, que operam em zonas turísticas. Lei Cheok Kuan asseverou que, pelo menos na Zona Central e Sul não houve PME que tiveram de devolver a ajuda financeira por despedimento de trabalhadores locais, contudo, frisou que os apoios “já foram praticamente esgotados”. Face à persistência de um cenário operacional difícil, as PME estão cautelosas e prevêem mais “ondas” de pandemia num futuro próximo, apontou
Rima Cui
No final de Novembro do ano passado, a Direcção dos Serviços de Finanças (DSF) concedeu apoios pecuniários a um total de 11.296 operadores de estabelecimentos comerciais, 101.502 trabalhadores e 4.148 profissionais liberais, envolvendo montantes superiores a 1,84 mil milhões de patacas. Um estabelecimento comercial que tenha declarado nulo o rendimento nos resultados no exercício de 2020 pôde receber um apoio pecuniário máximo de 200 mil patacas.
Lei Cheok Kuan, presidente da Federação da Indústria e Comércio de Macau Centro e Sul Distritos, explicou que, na sua maioria, os beneficiários dessa medida foram pequenas e médias empresas (PME) de restauração e de venda a retalho, muitas das quais têm estabelecimentos nas zonas turísticas, uma vez que registaram prejuízos graves em 2020.
“Parte dos beneficiários também tinham lojas nas zonas habitacionais, mas como sofreram muito menos prejuízos do que os estabelecimentos nas zonas turísticas, algumas chegaram a receber, por loja, um apoio financeiro de apenas 12 mil, 20 mil ou 30 mil patacas”, descreveu Lei Cheok Kuan, em declarações ao Jornal TRIBUNA DE MACAU.
Questionado sobre os efeitos desse apoio, o dirigente associativo confessou que, mesmo que tenha atingido o máximo de 200 mil patacas, apenas conseguiu ajudar o estabelecimento a sustentar um ou dois meses sem se calcular a renda e os salários pagos aos trabalhadores. Neste momento, os apoios “já foram praticamente esgotados” e o cenário de operação voltou a ser difícil devido ao reduzido número de turistas no território.
Este jornal tentou obter dados junto da DSF sobre o número dos estabelecimentos comerciais que perderam qualificações e tiveram de devolver os apoios pecuniários por despedimento de trabalhadores locais e quantos trabalhadores residentes foram despedidos, contudo, o organismo limitou-se a dizer que não consegue fornecer as respectivas informações. Sobre este ponto, Lei Cheok Kuan assegurou que pelo menos na Zona Central e Sul não houve este tipo de situações, porque os estabelecimentos comerciais “ainda se querem manter preparados para a recuperação de negócios”, sobretudo após terem visto um “fio de esperança” no ano passado.
“As PME têm enfrentado o problema da falta de mão-de-obra. Mesmo que queiram contratar trabalhadores não residentes (TNR), isso não será concretizado de forma fácil, pois os Serviços para os Assuntos Laborais têm apertado os critérios de apreciação e aprovação dos pedidos para TNR. Se neste caso ainda despedissem residentes, só significava uma coisa: ir à falência”, sublinhou.
“Se despedirem trabalhadores locais, quando houver novamente negócios, [as PME] só morrerão mais rapidamente. Por isso, a taxa de despedimento de residentes nas PME não é muito alta. Raramente houve despedimentos de locais”, asseverou, notando que, em geral, as pequenas empresas estão cautelosas, prevendo que haja mais quatro a cinco “ondas” de pandemia num futuro próximo.
No âmbito do mesmo plano de apoio pecuniário de 2021, a DSF atribuiu 10.000 patacas por pessoa aos trabalhadores locais, cuja receita do trabalho reportado ao exercício de 2020 não tenha superado 144.000 patacas, ou seja, 12.000 patacas por mês. Este grupo de beneficiários abrange também trabalhadores locais que foram despedidos ou em trabalho a tempo parcial ou em licenças sem vencimento durante 2020. Questionada sobre o número de beneficiários nestas circunstâncias, a DSF também disse não ter nada a acrescentar.
Segundo o presidente da Federação da Indústria e Comércio de Macau Centro e Sul Distritos, entre os 101.502 trabalhadores beneficiários das 10.000 patacas, muitos trabalham em PME. Na Zona Central e Sul, existem neste momento as duas situações ao mesmo tempo, observou, explicando ainda que há estabelecimentos comerciais de pequena e média dimensão que insistem em não despedir pessoal nem cortar nos ordenados, enquanto outras PME instam os trabalhadores a exercer funções durante meio mês e receber metade do salário ou congelam as remunerações.
“Os chineses importam-se muito com a ‘face’. Mesmo que enfrentem dificuldades, muitos preferem não revelar as ‘vergonhas de casa’ aos outros. As associações querem ajudar as PME, mas isto não é fácil porque não sabemos o que se passa nestas empresas que mantêm em segredo algumas realidades dolorosas”, frisou Lei Cheok Kuan.



