A presidente da associação “Fu Hong”, Fátima dos Santos Ferreira, continua sem resposta do Governo para a sua sugestão da criação de um edifício para espaços sociais num dos terrenos reavidos pelo Executivo. A dirigente associativa falou ainda da necessidade de integração dos portadores de deficiência
Salomé Fernandes
Não existem mais empresas sociais por falta de espaço. E quanto à ausência de espaços “não há falta de dinheiro, é só questão de vontade”, já que o Governo tem reavido terrenos, apontou Fátima dos Santos Ferreira, à margem de um espectáculo organizado pela associação “Fu Hong”, que preside.
O problema central encontra-se na necessidade de serem as empresas sociais a arrendar os espaços onde operam. A dirigente associativa deu como exemplo o aumento do custo mensal do espaço onde se encontra actualmente a lavandaria “Happy Laundry”, indicando ainda haver uma constante pressão quanto ao momento em que terá de abandonar o local.
“Se o Governo, agora que reouve tantos espaços, juntasse esforços e construísse um edifício só para espaços sociais – não estou a dizer que depois o dê de bandeja às associações, alugava o espaço – havia uma segurança para as associações na organização das suas actividades”, reiterou Fátima Ferreira à TRIBUNA DE MACAU. Já apresentou a ideia, que descreve como sendo o seu “cavalo de batalha”, mas até agora o Governo não lhe deu qualquer resposta.
Caso um dos terrenos reavidos pelo Governo fosse aproveitado para a construção de um edifício para empresas sociais, a dirigente indicou que cada andar poderia ser um espaço, sendo que “a associação que ficar com aquele espaço fará as obras adaptadas às suas necessidades”. Algo mais fácil do que dividir os espaços todos. A necessidade de mais empresas sociais relaciona-se também com uma maior facilidade de pessoas portadoras de deficiência arranjarem um emprego “e não estarem a viver à custa de assistência”.
“Alguns têm dificuldades de se integrar no trabalho exterior, por isso é que é importante existirem mais empresas sociais com oportunidade de darem emprego a deficientes. Nós entendemos porque é que não conseguem trabalhar oito horas seguidas. Alguns são doentes mentais em reabilitação que precisam de medicação, e portanto quatro horas já é muito para eles e a sua atenção”, explicou Fátima Ferreira.
O musical organizado pela associação “Fu Hong” que foi exibido no fim-de-semana no Broadway Theatre tinha precisamente o objectivo de mostrar que “somos todos iguais, e também somos todos diferentes”. A iniciativa contou com 100 participantes, entre os quais utentes do centro de dia, trabalhadores e um elemento da direcção. Os participantes começaram todos do zero na preparação da peça, o que permitiu uma melhor compreensão das dificuldades enfrentadas por cada um.
Os bilhetes esgotaram, tendo a sessão de sábado contado com 1.800 a 2.000 pessoas, estimou a presidente da associação. “Esta peça é também uma mostra da necessidade de inclusão, porque vemos que também fazem parte da nossa sociedade, e neste teatro musical estivemos todos juntos na realização dela. O nome é ‘igual desigual’ precisamente por causa disso. Somos todos iguais mas no fim somos todos diferentes”.
A música teve um papel reforçado nas actividades da entidade também com a abertura de sessões de musicoterapia num espaço do lago Nam Van, apesar de serem abertas a outros membros da sociedade que considerem que este tipo de sessão pode ser benéfica para os filhos. Fátima Ferreira reconhece haver poucos terapeutas da música, por ser uma especialidade que “não é bem reconhecida”, mas a associação acredita na possibilidade de fazer reabilitação pela arte, seja esta música, pintura ou trabalhos manuais.
Entre as próximas actividades da “Fu Hong” encontra-se a conferência de reabilitação internacional para a Ásia Pacífico, a decorrer entre 26 e 28 de Junho, em Macau. Prevê-se a participação de cerca de mil participantes da região, tendo Fátima Ferreira apontado para a possibilidade da vinda de entidades portuguesas.



