António Monteiro, membro do Conselho Consultivo de Serviços Comunitários da Zona Central, propôs ontem várias medidas para que os riquexós, que foram introduzidos em Macau em 1948, continuem a fazer parte do dia-a-dia do território. Entre as sugestões apresentadas contam-se a distribuição dos veículos nas marginais da Taipa e Macau, a realização de workshops sobre a sua história e a diminuição dos preços das viagens
Catarina Pereira
Na reunião de ontem do Conselho Consultivo de Serviços Comunitários da Zona Central, o membro António Monteiro falou sobre os riquexós, sugerindo uma série de medidas para que não desapareçam da paisagem do território. “O triciclo, sendo um transporte tradicional e histórico, e até turístico, de Macau, encontra-se com dificuldades operacionais há bastante tempo”, sublinhou.
Neste sentido, defendeu que deve ser delineado um plano estratégico a longo prazo, que permita criar oportunidades de emprego também para as novas gerações, “não deixando ‘morrer’ ou deixar por esquecido um dos transportes mais famosos de Macau”.
Desde logo, propôs a distribuição destes veículos em zonas pedonais “viáveis para circulação e sem causar transtorno nas estradas”, para que tenham o papel de atracção turística. A título de exemplo, o também presidente da Associação dos Jovens Macaenses falou nas recém-criadas marginais de Macau e da Taipa, bem como na Doca dos Pescadores e na Zona de Nam Van.
António Monteiro foi mais longe e sugeriu mesmo que o Governo trabalhe com as concessionárias de jogo por forma a “viabilizar a sua circulação dentro destes estabelecimentos, com espaço apropriado”, bem como potencialize os riquexós durante a promoção da revitalização dos bairros históricos, com breves passeios na zona do templo A-Má, Rua da Felicidade e a Rua dos Ervanários, dando assim ímpeto ao “turismo cultural”.
E numa altura em que na cidade já se sente a “atmosfera” do Grande Prémio, Monteiro sugeriu ainda “reviver a corrida dos triciclos durante os anos 80 do Grande Prémio”.
“Durante a promoção dos bairros históricos, os triciclos podem ser atractivos para a fotografia, pequenas passeatas, realizar workshops diversos para a nova geração e turistas aprenderem a sua história”, sublinhou ainda.
Por outro lado, o membro do Conselho Consultivo considera que é preciso “baixar os preços”, para que os riquexós possam ser mais atractivos para os turistas, em vez de “estarem parados durante o ano”.
Além disso, também propôs que se possa considerar os triciclos serem eléctricos, “sem alterar as suas características tradicionais ou o seu aspecto físico, tornando-os de fácil de circulação pelos condutores”, podendo ao mesmo tempo atrair a nova geração a enveredar por estes trabalhos.
“É necessário estabelecer um consenso com o sector, pois no fim quem perde parte desta característica tradicional e histórica é Macau”, concluiu António Monteiro.
Recentemente, recorde-se, a TRIBUNA DE MACAU publicou uma reportagem sobre as dificuldades que enfrentam os condutores de riquexós e sobre o lento desaparecimento deste meio de transporte. Introduzidos em Macau em 1948, os riquexós eram o principal meio de transporte na cidade. Existiam, na altura, mais de 700 riquexós, uma centena de estações e mais de mil condutores a trabalhar. Foi a “era de ouro”, que não mais existe.
Ao longo dos anos, o número de riquexós, que actualmente se destinam a passeios turísticos na cidade, foi diminuindo, contando-se, nos dias de hoje, cerca de 60. Segundo informações da Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego, até ao final de Maio deste ano, havia 51 condutores de riquexó.



