Associação foi reactivada em 2016
Associação foi reactivada em 2016

Mais massa crítica, jovem e com espírito de iniciativa é o que a Associação dos Antigos Alunos da Escola Comercial Pedro Nolasco espera encontrar, agora que vai a eleições no dia 24 de Fevereiro. À TRIBUNA DE MACAU, o presidente, José Basto da Silva, reconhece que a associação tem remado contra a maré: a sede continua a funcionar num espaço emprestado e os apoios são praticamente inexistentes. Ainda assim, este ano, José Basto da Silva quer continuar a mostrar trabalho e até concretizar um sonho antigo

 

Catarina Almeida

 

A Associação dos Antigos Alunos da Escola Comercial Pedro Nolasco (AAAEC) vai a eleições a 24 de Fevereiro, no que revela ser uma mera execução dos Estatutos internos na sequência da reactivação há dois anos – depois da sua actividade ter ficado em suspenso durante oito anos – na medida em que não deverá haver novidades em termos de novas listas. “É a mesma lista, talvez com algumas renovações e elementos novos, mas eu continuo e os vice-presidentes não mudam. Basicamente fica tudo na mesma”, reconhece o presidente da AAAEC à TRIBUNA DE MACAU.

Os resultados serão anunciados no mesmo dia, durante a Assembleia Geral Ordinária marcada para às 18:30, no anfiteatro da Escola Portuguesa. Para José Basto da Silva, o importante é conseguir elementos novos, “mais jovens”, sobretudo numa altura em que a associação enfrenta algumas dificuldades.

“Queremos ter elementos mais jovens na direcção e pessoas com mais garra e mais iniciativa. Inicialmente éramos um núcleo mais pequeno, mais activo e os outros estavam um bocado a observar e a tentar aprender”, apontou referindo-se a “casos pontuais”. “Que ninguém leve a mal, mas esses elementos talvez [devam] sair para colocarmos outros mais activos e motivados, com mais sangue na guelra”, reforçou José Basto da Silva.

A associação conta actualmente com 50 sócios. “Não é muito, de facto, e a falta de massa crítica também condiciona os subsídios que recebemos”, lamentou. Segundo o presidente da AAAEC, para além da escassez de massa associativa, os apoios da Fundação Macau (FM) são praticamente inexistentes e “muito poucos para aquilo a que a gente se propõe fazer”.

“Não queremos ser meramente uma associação lúdica. Queremos fazer actividades na área cultural, nomeadamente promover o Patuá. Mas, para isso, precisamos de apoios. Sem apoios, à excepção do jantar de aniversário, temos feito muita coisa, modéstia à parte. Se tivéssemos apoios, faríamos muito mais”, vincou José Basto da Silva, reiterando: “É pena, não pedimos muito dinheiro mas nem sequer o pouco que pedimos é-nos concedido”.

A título de exemplo, para o jantar anual da associação, a FM concedeu aproximadamente 160 patacas por cada participante, num máximo de até 150 pessoas. “Não recebemos nada. Por cada programa que apresentamos à Fundação Macau, entregamos os documentos, e de todos os que apresentámos foram rejeitados à excepção do jantar. Não dá para muito e vemos os subsídios que a Fundação Macau costuma conceder para outros pedidos e ficamos um bocado desiludidos com a receptividade que temos tido”, critica.

Ainda assim, o presidente da AAAEC mostra alguma compreensão. “Compreendo que não tenhamos ainda resultados para apresentar mas vamos continuar a batalhar e mostrar trabalho”, garantiu.

 

Sede emprestada

coloca entraves

Reactivada em 2016, a Associação dos Antigos Alunos da Escola Comercial Pedro Nolasco continua sem sede própria. Uma situação que coloca “algumas dificuldades” e que não é de todo a mais ideal. Segundo José Basto da Silva, um gabinete emprestado no Jardim de Infância D. José da Costa Nunes continua a servir de instalações. “Não é uma situação ideal e que nos levanta algumas dificuldades, nomeadamente não termos subsídios para arranjar um funcionário que nos receba os sócios para coisas tão simples como pagar quotas anuais”, argumentou.

“É tudo na base do contacto individual. Partilho o meu telemóvel pessoal para fazer estas coisas. De facto, não é a melhor forma, mas não há muitas alternativas”, reconheceu.

Perante estes obstáculos, o presidente da AAAEC diz-se ainda mais motivado para concretizar o que planeiam e, pelo menos, “manter o que temos feito”. “Queremos continuar com os cursos de culinária e, aliás, já lançámos as inscrições para o dia 3 de Fevereiro. Vamos continuar com o apoio da Fundação Rui Cunha para organizar o Serões com Histórias – já temos apalavrado um orador para Março”, contou.

No plano de actividades deste ano está ainda a criação de um álbum fotográfico mediante recolha de memórias dos antigos alunos da Escola Comercial Pedro Nolasco. Uma ideia para a qual a associação já arranjou patrocinador. “Vamos pedir às pessoas para contribuírem com fotografias para um projecto, talvez mais ambicioso, porque queremos fazer um álbum da Escola Comercial, um livro. Já temos um patrocinador e agora é a questão de arranjar a matéria-prima e para o apresentarmos durante o jantar anual do próximo ano”, adiantou José Basto da Silva.

De pé continua também a ambição de angariar novos sócios através do Clube Lusitano de Hong Kong, onde estão radicados muitos antigos alunos. “Já tivemos alguns contactos, poucos, mas penso que já lançamos as bases”, frisou.

Em contrapartida, José Basto da Silva admite que o projecto da associação se juntar ao Conselho das Comunidades Macaenses está em “águas de bacalhau”. “Não houve evolução e a resposta que tivemos da altura é que isso era complicado e que não dependia de uma ou outra entidade e que também envolvia Casas de Macau e que não seria trivial fazer parte desse Conselho”, apontou.

“Temos outras guerras para batalhar e portanto essa pusemos de lado”, assumiu. “Queremos é fazer mais, melhor, mostrar resultados concretos além do que já fizemos e crescer, precisamos de mais volume, mais sócios para depois podermos também ver como será em termos de sede”, rematou.