A ANIMA evoluiu muito ao longo dos 15 anos de existência mas Albano Martins teme que a associação estagne se não for possível ter um director executivo a tempo inteiro. O presidente da Sociedade Protectora dos Animais de Macau continua a apontar como principal problema a falta de fundos e o facto do Executivo ainda não ter dado uma resposta sobre a possibilidade de tornar definitiva a concessão do terreno atribuído à associação
Inês Almeida
A Sociedade Protectora dos Animais de Macau (ANIMA) assinalou 15 anos de existência e, desde 2003, “mudou imenso”, sublinha o seu presidente. “O primeiro orçamento que a ANIMA fez era de 50.000 patacas para um ano de trabalho. Hoje o orçamento é de 11,6 milhões. Começámos com 11 membros fundadores e hoje temos mais de 700. Há mais de 1.000 voluntários e 300 a 400 padrinhos de animais. Temos à volta de 400 cães e 300 gatos”, explicou Albano Martins à TRIBUNA DE MACAU.
Para a evolução da associação foi necessária “alguma audácia” e contenção de custos. “Vamos este ano, provavelmente, conseguir reduzir grande parte das dívidas até porque algumas foram-nos perdoadas”. Porém, “estamos em cima do fim do ano, temos de pagar salários, décimo terceiro mês, e é sempre a mesma jogada. Não conseguimos melhor porque andamos constantemente preocupados com os fundos que temos”, frisou.
Mas o presidente da associação vai mais longe. “Se a ANIMA não conseguir ter um director pago, a tempo inteiro, não vai conseguir crescer mais. Já atingimos um limite em que são precisos profissionais. Não tenho ninguém em mente. A direcção da ANIMA é que vai decidir. Até 2019 eu estou, depois haverá eleições e alguém vai ter de aparecer”.
De qualquer modo, Albano Martins sabe os motivos porque ninguém quer ocupar o cargo. “As pessoas têm medo do elevado valor que é o orçamento da ANIMA. Até agora tenho sido capaz de resolver as questões todas porque conheço muita gente e consigo dar a volta. É preciso que haja uma pessoa com essa mesma capacidade e esse é o grande problema”, apontou.
Para 2019, a ANIMA apresentou ao Executivo um orçamento de 11,6 milhões pedindo um apoio de cinco milhões, no entanto, a Fundação Macau apenas concederá 3,8 milhões, tal como este ano.
Outra questão que está a limitar o campo de actividade da associação prende-se com as incertezas em relação à concessão do terreno que lhe foi atribuído. “O terreno está em vias de ser transformado em concessão exclusiva mas, sem ter essa confirmação, a ANIMA está sempre com medo de crescer. Era suposto acontecer este ano mas, pelos vistos, provavelmente só no próximo e esperemos que não haja interesses ocultos por detrás daquele espaço”, referiu Albano Martins.
Este assunto foi debatido “há pouco tempo” com o Secretárioo para os Transportes e Obras Públicas, Raimundo do Rosário, que disse estar a “acompanhar o processo”. “A nossa preocupação é que o Secretário já disse claramente que sai no fim do próximo ano. Se este processo não estiver terminado no primeiro trimestre do próximo ano, nem podemos saber se vamos ter a possibilidade de fazer a segunda fase da nossa construção”, salientou.
A ANIMA tem-se ocupado ultimamente sobretudo do tratamento dos galgos do antigo Canídromo, uma tarefa que não tem sido fácil e que tão cedo não deve melhorar. “Outro problema é que o IACM dá a entender que quer mais ou menos tudo fechado até Abril mas e os galgos que vão para a Austrália?”, pergunta Albano Martins, uma vez que o processo de envio dos animais se prolonga até Agosto.
Assim, “precisamos de família de acolhimento”. “Estamos a fazer uma campanha para conseguir arranjar 40 famílias que fiquem, cada uma, com um animal durante quatro ou cinco meses para depois seguirem para a Austrália”. Em Macau estão ainda 394 galgos.



