O envio para o IACM de 650 formulários de adopção de galgos e a divulgação de uma carta aberta ao Secretário Lionel Leong são as mais recentes acções da Sociedade Protectora dos Animais em relação ao Canídromo. O presidente da ANIMA espera que o Governo “acorde” e não possibilite o envio dos animais para a China. Segundo Albano Martins, o Gabinete de Ligação do Governo Central em Macau não parece ser favorável a envolver o país na importação desses animais, mostrando-se “preocupado”
Catarina Almeida
A Sociedade Protectora dos Animais de Macau (ANIMA) vai entregar hoje ao Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais de Macau (IACM) um total de 650 formulários de adopção de galgos, incluindo adoptantes de Macau, Hong Kong e grupos internacionais, porque, diz Albano Martins, “não confiamos no Canídromo”. Esta é a reacção da associação à “campanha de adopção” anunciada pela Companhia de Corridas de Galgos (Yat Yuen). “Entramos no teatro deles”, disse Albano Martins em conferência de imprensa.
A pouco tempo do final da concessão, “tudo leva a crer que os galgos vão ser todos enviados para o Continente chinês” o que será um “desastre para o trabalho que o Governo de Macau tem vindo a fazer no sentido de tornar esta cidade uma moderna capital do turismo internacional”. Palavras de Albano Martins numa carta aberta ao Secretário para a Economia e Finanças que tornou ontem pública, como forma de mostrar a “frustração” com o facto do Governo nunca ter respondido às várias missivas da ANIMA. “Ninguém sabe o que vai acontecer agora. Ou os animais vão para a China porque é mais fácil ou o Governo vai acordar? Esta carta é muito clara”, defendeu.
Na carta, Albano Martins aponta ainda que os “animais só podem ir para regiões onde não haja leis de protecção de animais” já que é imperativo três meses antes de viajar sujeitá-los ao exame ao sangue. Logo, “é tecnicamente impossível que o Canídromo faça agora o que nunca fez na vida […] e mesmo que o fizesse era tecnicamente impossível serem todos absorvidos nessas duas RAE num mês ou mesmo num ano”.
O presidente da associação acredita que ao serem enviados para a China – como a própria Yat Yuen já admitiu ter intenções de fazer – vão “ser usados nas pistas privadas de corridas, onde o jogo ilícito, em violação das leis da própria China se tem vindo a proliferar”. Ou então “continuarão em trânsito para o Vietname, Paquistão, Indonésia, etc, sítios onde vão alimentar o mesmo jogo ilícito, para finalmente terminarem numa mesa de refeições”, lê-se na carta.
Esta possibilidade foi de resto abordada pela ANIMA numa reunião com o Gabinete de Ligação do Governo Central em Macau, em Janeiro último. Nesse encontro foi dito a Albano Martins que o Gabinete poderia vir a “tornar as coisas muito complicadas” no que respeita à importação de galgos por parte da China.
“Se Macau permitir a exportação dos animais para a China mas, por outro lado, se a China não permitir a importação os animais não poderão entrar. Ficaram convencidos com os nossos argumentos no sentido de não permitir que os animais sejam enviados para a China e perguntaram-nos muitas questões – que não posso revelar”, disse Albano Martins, que aguarda agora por uma segunda reunião com o Gabinete de Ligação. “Não vou dizer que garantiram totalmente mas disseram-nos que ficaram preocupados. […] É nosso dever, enquanto Macau, parte da China, acautelar que as leis chinesas são respeitadas e nós levantámos esses problemas e eles ficaram preocupados”, acrescentou.
“Estas pessoas têm muito poder”
Para Albano Martins, a ausência de respostas por parte do Governo explica-se pelo medo. “Estas pessoas têm muito poder e o Governo está a mostrar que é muito fraco em relação a este tipo de pessoas e basta olhar para a decisão sobre o Jockey Club”, vincou sem entrar em detalhes.
Nesta fase, a ANIMA irá “discutir com os parceiros sobre o que fazer porque fizemos tudo para convencer que aqueles animais precisam agora de descansar”. Além disso, com a ajuda dos parceiros internacionais, a ANIMA já garantiu que o envio dos galgos para o estrangeiro não terá custos.
Albano Martins revelou ainda que alguns parceiros internacionais estão em negociações com companhias aéreas para garantir que esses gastos possam ser gratuitos. Porém, o presidente da ANIMA não quis, nesta fase, divulgar mais detalhes, mas esclareceu que esta isenção de custos só é válida caso os animais sejam entregues a associações protectoras de animais.
Posto isto, resta esperar que o “Governo acorde e entenda que a ANIMA tem razão e que é preciso ajudar aqueles animais”, vincou Albano Martins para quem há três opções de resolução deste caso por forma a garantir um tratamento justo e adequado para os galgos. “Ou a ANIMA toma conta, ou toma conta o Canídromo ou o Governo [com a colaboração do IACM]. Em qualquer dos casos levará um ano [para as adopções] mas nós facilitamos essa rede para auxiliar a maior parte dos animais que, na nossa opinião, só pode ser adoptada fora, ainda que a prioridade seja Macau e depois Hong Kong”, rematou.
Deve ou não dar comida aos animais abandonados?
Devemos ou não dar comida aos animais abandonados? A questão é colocada e desconstruída num vídeo da UTV – imprensa online da União Geral das Associações dos Moradores – que está a gerar alguma polémica entre os cibernautas. O vídeo conta com a participação de dois funcionários do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM) que defendem ser pouco higiénico deixar comida aos animais nos parques ou jardins públicos. Todavia, cibernautas e defensores dos direitos dos animais criticaram estas afirmações argumentando que a campanha em peca por falta de lógica já que o IACM introduziu, em 2007, o “Plano TNR de Gatos Vadios”, reduzindo gradualmente o número de gatos vadios, através do controlo da sua capacidade de procriação.



