A situação financeira da ANIMA está controlada para garantir a continuidade da associação pelo menos até Setembro, afirma Albano Martins, reconhecendo que os apelos do último mês produziram resultados. Na sexta-feira, foram eleitos os novos corpos sociais da ANIMA com Albano Martins a assegurar, pela última vez, a presidência

Catarina Almeida

A Sociedade Protectora dos Animais de Macau (ANIMA) está com a sua situação financeira controlada ao ponto de garantir a continuidade operacional até Setembro, afirmou o presidente da associação à TRIBUNA DE MACAU. Em meados de Abril, a ANIMA alertou para as dificuldades financeiras que estava a enfrentar e que colocavam em risco a continuidade da associação de utilidade pública, fundada a 11 de Dezembro de 2003.

O apelo público contribuiu não só para que a Fundação Macau concedesse, a título excepcional, a antecipação de 1,9 milhões de patacas – equivalente à segunda tranche do subsídio para 2018 – como gerou uma “onda” solidária. “Houve um grande movimento de solidariedade e embora possamos ter ainda bastante tempo até ao final do ano, os contactos que havíamos feito surgiram efeitos”, referiu Albano Martins.

“Tivemos apoios de vários membros da comunidade, [nomeadamente] um de 300 mil patacas de um membro da comunidade que não quis dar o nome. A Wynn Resorts prometeu que daria este ano o apoio que pedíamos e que estaria em falta, de 1,3 milhões de patacas. Estamos a aguardar em relação aos outros casinos”, indicou. Neste campo, referiu ainda que a estratégia é também de, em finais de Junho, abordar outros casinos para firmar novas parcerias. De um modo geral, salientou, “temos fundos para aguentar até finais de Setembro”.

Até lá, “iremos continuar a lutar para sobrevivermos”, embora já tenham sido levados a cabo alguns cortes. “Entretanto começámos a restringir pessoal. Neste momento a ANIMA tem apenas 35 pessoas, tinha 37. Uma já estava prestes a sair devido a um acidente de ‘trabalho’, outra pediu a demissão – depois de termos noticiado [a situação financeira] – e entretanto houve um trabalhador despedido por justa causa, pelo que entrou outro e então ficámos sem os dois funcionários”, disse. Todavia, a associação diz que não pode aplicar mais cortes com o pessoal pois “é muito difícil substituir nos abrigos”.

Para já continua tudo na mesma mantendo-se o apoio veterinário e a outros animais que não estejam directamente ligados à ANIMA, pelo menos até que a situação financeira assim o permita. “Se tivermos dificuldades vamos dizer a algumas pessoas que nos pedem apoio que temos de dar prioridade aos animais da ANIMA e aos que estão mais directamente ligados à ANIMA. Mas, isso ainda não se concretizou e vamos ver se conseguimos aguentar até Julho para ver se chegamos até Setembro, caso contrário, temos de continuar com a redução”, vincou.

A situação financeira da ANIMA foi um dos pontos abordados durante a Assembleia-Geral de sábado. Segundo Albano Martins, foram aprovadas as contas da associação e escolhidos os novos corpos sociais que não sofreram grandes alterações. Albano Martins assegura mais um mandato na presidência da direcção, mas será “o último”. “Tinha de continuar por causa dos galgos, porque este é o período que vai coincidir com o salvamento ou não desses animais. Tinha começado e vou acabar. O nosso mandato termina em finais de 2019 e espero que, nessa altura, haja alguém para me substituir”, apontou.

Precisamente em relação aos galgos, nomeadamente ao encerramento do Canídromo – previsto para Julho – a ANIMA enviou na sexta-feira a “última carta” endereçada ao Secretário para a Economia e Finanças cujo conteúdo não será, para já divulgado. Segundo o presidente da associação, está prevista uma conferência de imprensa para 18 de Junho na qual a ANIMA prevê partilhar a sua posição e a de Lionel Leong.

Na mesma ocasião, foi aprovado por unanimidade e aclamação, o título de presidente honorária para a esposa do Chefe do Executivo, Winnie Chu, no seguimento da mais recente adopção. A proposta partiu dos membros da direcção, a 12 de Maio, mas precisava de ser rectificada pela Assembleia-Geral como ditam os Estatutos.