Termina hoje o prazo dado pelo IACM para a empresa que gere o Canídromo apresentar o plano para a colocação dos galgos. O organismo propôs à ANIMA o reforço da comunicação com a empresa, que se limitou a encaminhar a associação para a página de internet onde estariam as fichas de inscrição para adopção. Porém, essa página não existia até domingo e ontem estava a ser alvo de “update”. A ANIMA acusa a Companhia de recorrer a truques e complicar a situação, não devendo entregar o plano exigido
Liane Ferreira
Ainda não há resposta da Companhia de Corridas de Galgos Macau (Yat Yuen) ao ultimato feito pelo Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM) e a Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ) no sentido de apresentar uma proposta concreta sobre o futuro dos 650 galgos. O prazo termina hoje.
Em declarações à TRIBUNA DE MACAU, Albano Martins, presidente da Sociedade Protectora dos Animais (ANIMA), revelou que no dia 18 de Maio enviou uma carta ao Secretário para a Economia e Finanças, “com um tom duro, a dizer que o Governo de Macau tem de resolver” a situação. Entretanto, o IACM e a DICJ tiveram uma reunião com o Canídromo, durante a qual fizeram um ultimato, que termina hoje. A TRIBUNA de MACAU contactou ambos os organismos numa tentativa de conhecer mais pormenores sobre o processo, mas não obteve respostas até ao fecho desta edição.
O IACM enviou uma carta à ANIMA comunicando os resultados dessa reunião e propôs à associação “que de forma activa e rápida, coordene com a Yat Yuen e inicie as adopções”. No entanto, o problema de comunicação parece continuar a residir na Yat Yuen.
“Ontem, a ANIMA fez um contacto telefónico com o Canídromo para dizer que estávamos disponíveis para ajudar a fazer as adopções desses animais e eles disseram: digam a quem estiver interessado para ir ao nosso website e preencher as fichas de adopção que estão lá. Mas, na realidade só têm uma linha de atendimento. Além do mais, Macau não tem capacidade para absorver todos esses animais e tudo o que lá está é em chinês (não sendo adequado para adopções estrangeiras). Vê-se mesmo que não estão interessados em resolver o problema, mas em complicar”, lamentou Albano Martins.
No domingo, o site do Canídromo não tinha nenhum separador dedicado à adopção, contrariando garantias dadas ao IACM, e ontem apesar de existir uma página para o programa de adopção, esteve todo em dia em actualização, sem qualquer tipo de conteúdo.
“Vamos esperar que eles consigam dar uma resposta ao Governo, mas o nosso entendimento é que não vão dar. Eles têm sempre argumentado que a ANIMA não diz nada, mas sempre que a ANIMA envia cartas, são devolvidas. Diziam que nós não contactávamos, mas ligamos para lá e dizem para preencher fichas que não existem”, criticou o presidente da associação.
Para Albano Martins, “são truques para lançar poeira e enviarem os animais para a China, mas eles [galgos] não vão de certeza absoluta, porque a ANIMA vai agendar uma segunda reunião com o Gabinete de Ligação para bloquear as entradas dos animais na China”.
Em relação ao pedido de um terreno para colocar os animais, anunciado publicamente por Angela Leong, Albano Martins recordou que falta apenas um mês para o término do prazo para a saída da empresa do Canídromo. “O que é que vai fazer num mês num terreno?”, questionou.
“Agora é uma jogada de truques e nós estamos a seguir o esquema. Estamos a contactar com eles”, frisou.
Ontem, a ANIMA enviou duas cartas, em inglês e chinês, à Yat Yuen voltando a mostrar-se disponível para “ajudar todos os galgos a encontrar famílias adoptivas”. Além disso, salienta que necessita de um ano para realocar todos os animais.
A 1 de Dezembro de 2017, a ANIMA enviou uma carta ao Secretário Lionel Leong com outra missiva em anexo, enviada para o Canídromo, onde falava da oferta para ajudar no realojamento dos galgos e convidava Stanley Lei Chi Man, director executivo da Yat Yuen, para um debate público sobre o tema.
Antes disso, a 26 de Maio de 2017, foi endereçada e entregue em mãos outra missiva a Angela Leong onde Albano Martins escreveu: “Devemos enviar uma mensagem à comunidade local e internacional, mostrando que somos capazes de chegar a um compromisso e acordo pelo bem de todos esses animais”.
Nessa altura, a ANIMA pedia para ficar com todos os galgos durante um ano no espaço do Canídromo para encontrar uma solução para os cães, assumindo todas as despesas.
Na carta enviada pelo IACM à associação, relativa à reunião com a Yat Yuen, lê-se que a empresa disse estar a “aceitar e a tratar os pedidos” de adopção, sendo que “um plano de registo para adopção e os pormenores do respectivo plano, as informações necessárias ao requerimento e o boletim estão disponíveis na sua página”.
O Instituto sugeriu ainda que, tendo em conta declarações anteriores da ANIMA sobre a possibilidade de cerca de 400 pessoas de todo o mundo estarem dispostas a adoptar os galgos reformados, a associação deveria “reforçar a cooperação com a Yat Yuen para procurarem adoptantes adequados”. Além disso, reiterou que disponibilizará todo o apoio técnico no âmbito das licenças e inspecção na exportação dos animais.



