A administradora da Companhia de Corridas de Galgos de Macau (Yat Yuen) admite agora ser impossível cuidar de todos os galgos do Canídromo enquanto não for designado um espaço apropriado para o efeito. Angela Leong garante que ainda não fez esse pedido ao Governo, por não ser “gananciosa”
Viviana Chan
Angela Leong prometeu recentemente que iria cuidar de todos os 650 galgos mas parece estar a mudar de ideias. Em declarações aos jornalistas, a administradora da Companhia de Corridas de Galgos de Macau (Yat Yuen) reconheceu ontem que sem um terreno não será possível cuidar de todos os animais após o encerramento do Canídromo, a 21 de Julho. “Não sei como fazer, talvez seja melhor ensinarem-me”, disse.
Questionada se a “Yat Yuen” pediu ou pretende pedir um terreno ao Governo para alojar os galgos, a empresária começou por reiterar que é necessário dispor de um espaço, seja onde for. No entanto, garantiu: “não sou tão gananciosa a esse ponto” [de pedir um terreno ao Executivo].
Até agora, sabe-se apenas que a empresa que gere o Canídromo manifestou a intenção de ocupar temporariamente as cavalariças desocupadas do Jockey Club mas esse pedido depende da autorização da Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ).
Angela Leong disse ainda que as corridas vão, de facto, parar a partir do dia 21 do próximo mês, mas o Governo ainda “não tem nenhum plano em concreto para aproveitar o terreno”.
Quanto à mais recente actividade promovida pelo Canídromo, Angela Leong confirmou a adopção de 50 galgos mas garantiu que esses animais irão ficar ao cuidado de pessoas que “amam os animais” e que “não os irão usar para actividades lucrativas”. “As pessoas que participaram na actividade, são de Hong Kong ou de fora, houve até alguns donos de galgos que foram buscar os seus cães”, revelou.
Já na página oficial da “Yat Yuen” foi publicado um vídeo no qual a empresa conta – através de um relato de um antigo funcionário – a história e partilha o dia-a-dia do Canídromo. Ao longo de quatro minutos vêem-se alguns animais guiados pelos funcionários a nadar numa pequena piscina e a passear ao longo do recinto. O funcionário Kuan Weng Hong garante também que a equipa cuida “sempre” de “todos os galgos” com quem mantêm amizade, defendendo por isso que as corridas deveriam continuar no território – mesmo que noutro espaço pois é uma das “especificidades” de Macau.
IACM devolveu formulários da ANIMA
O Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM) devolveu à Sociedade Protectora dos Animais (ANIMA) os 650 formulários de adopção enviados na semana passada sob a justificação de que devem ser apresentados à “Yat Yuen” com quem deve “acertar as acções subsequentes a desenvolver”, revelou Albano Martins. O presidente da ANIMA decidirá hoje entre duas opções: enviar ou ir pessoalmente – sempre com a imprensa – ao Canídromo para entregar os formulários. Antes desta resposta, a ANIMA já tinha endereçado uma carta ao presidente do IACM, José Tavares, na qual equiparou o último dia de adopção do Canídromo a um “circo”, onde “toda a gente mexia em animais, sem qualquer tipo de controlo”. “Há quem acredite mesmo que alguns ter-se-ão escapado sem controlo do próprio Canídromo e do IACM”, disse Albano Martins. “Lamento dizer, mas isso mancha o nome de Macau e de todos nós e a imagem do próprio Estado chinês, ele próprio com imensos problemas no seu interior”, vinca. Na carta que divulgou ontem na página da ANIMA no Facebook, o presidente da associação diz mesmo saber de fonte segura que foram “dados para adopção sem critério várias dezenas de animais todos não esterilizados”. Na sua perspectiva, o IACM, como autoridade responsável pelo bem-estar dos animais, deveria “surgir fortemente que nenhum animal desse tipo fosse adoptado não estando esterilizado”.



