A administradora da Yat Yuen assumiu que a empresa recebeu pedidos, com origem em Hainão, Zhuhai e Islândia, para exportação dos galgos. Indicando que a empresa falou com o IACM sobre todas as possibilidades em relação ao futuro dos galgos, Angela Leong garantiu que a mudança dos animais para o Jockey Club foi apresentada ao Governo já em 2016

 

Salomé Fernandes e Viviana Chan*

 

No final da reunião plenária da Assembleia Legislativa (AL), Angela Leong admitiu ontem que os galgos podem ir a China Continental, inclusivamente para Hainão, pois a Companhia de Corridas de Galgos (Yat Yuen) tem recebido pedidos de interessados. “Além de Hainão, até temos um pedido da Islândia, temos de apresentar ao Governo. Também temos pedidos de Zhuhai, o problema agora é que não conseguimos exportar, não é nada fácil”, afirmou a administradora da Yat Yuen, acrescentando que se o processo for acelerado, esses pretendentes poderão receber os galgos mais rapidamente.

Sem especificar se os pedidos estão relacionados com a compra e venda dos cães, declarou que alguns locais querem 20 a 30 galgos. Porém, asseverou, o Canídromo “não quer exportar para corridas, nem para reprodução”.

Durante a manhã, à margem da reunião de uma comissão na AL, Angela Leong tinha afirmado nunca ter pedido autorização ao Governo de Hainão para um projecto ligado a corridas de galgos. Mas, assumiu, que “se Hainão tiver uma lei que os possa proteger, essa ideia é bem vinda”.

A deputada falava em reacção à confirmação dada à TRIBUNA DE MACAU pelo Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM) sobre a intenção da Yat Yuen preparar a exportação desses cães no âmbito de um projecto de turismo. “Têm de perceber que independentemente do destino dos galgos, o bom ambiente é essencial, para terem uma boa vida de reforma, sobreviverem, estarem livres para fazer actividades. Acredito que tanto a imprensa como as pessoas defensoras de animais vão ficar felizes”, acrescentou.

Questionada sobre se tinha apresentado a ideia ao IACM, respondeu apenas que “falámos de qualquer possibilidade com o IACM”. “Os animais têm de respeitar certas regras, têm muitos procedimentos, documentos para ser tratados. Mas se houver um mecanismo especial, é muito positivo para quem gosta de animais”.

Assim, a justificação para solicitar a prorrogação do prazo do uso da área do canil por mais 120 dias prendeu-se com a necessidade de quarentena dos cães. “Estamos abertos todos os dias para pedidos de adopção, trabalhamos 24 horas por dia nisso, porque sabemos que adoptar para outra região não é fácil”, disse, expressando contentamento com o mecanismo da RAEHK para agilizar o processo de adopção.

Questionada sobre os motivos para promover a adopção tão tarde, acusou a comunicação social de especulação.

O “plano B” da Yat Yuen passa pelo alojamento dos animais nas cavalariças vazias do Jockey Club, opção que admitiu não ser a ideal, mas garantiu ter sido conversada com o Governo desde 2016, bem como pela possibilidade das associações defensoras dos animais os adoptarem.

Segundo a deputada, há ainda 400 a 500 galgos no Canídromo. “Se ninguém quiser os galgos, garanto que vou continuar a cuidar deles, até ao fim da sua vida”, prometeu.

Angela Leong frisou ser preciso “ver quem é que assumiu todas as responsabilidades do Canídromo e sustentou centenas de galgos”. “Os galgos não foram comprados por mim, foram adquiridos antes”.

 

*Com Liane Ferreira e Inês Almeida