O piloto português André Pires vai participar pela 5ª vez no Grande Prémio de Motos de Macau, com a expectativa de terminar entre os 15 primeiros, embora reconheça que a concorrência é cada vez mais apertada

 

Salomé Fernandes

 

André Pires volta a representar Portugal no Grande Prémio de Motos de Macau. Apesar das dificuldades que sentiu durante a época, aposta numa boa prestação no Circuito da Guia e acredita que haverá surpresas positivas naquela que é uma das provas mais espectaculares do Grande Prémio de Macau (GPM).

“Quero voltar ao 13º lugar, ou melhorar. É uma tarefa difícil por causa da concorrência estar muito elevada. Antes sabíamos que o Michael Rutter ganhava de certeza, e neste momento há quatro ou cinco pilotos que podem ganhar”, afirmou o piloto ao Jornal TRIBUNA DE MACAU.

“Este ano somos menos pilotos que o normal e nota-se que o Grande Prémio de Macau tem seleccionado bem os pilotos. São menos mas mais fortes e isso dificulta-me a tarefa de tentar melhorar o 13º. Mas, se ficar dentro de um top 15 é muito bom”, indicou.

Natural de Vila Pouca de Aguiar, André Pires vai pilotar a Kawasaki ZX 10R com que participou também no Campeonato Nacional de Velocidade, em Portugal. E espera que o regresso com uma mota a que está familiarizado ajude à subida de lugar. “No ano passado vim com outra mota e fiquei em 19º. Foi aí que comecei a pensar que chega, não venho numa mota que não estou habituado e não conheço”, explicou, acrescentando que irá “seguir a receita do primeiro ano”, quando correu com uma mota que também já conhecia.

Este é o quinto ano em que André Pires marca presença no Grande Prémio de Motos de Macau, onde registou o melhor resultado (13º) em 2013, ano da sua estreia. Em 2014, ficou de fora ao sofrer um acidente na sessão de qualificação, e nos dois últimos anos obteve o 20º e 19º lugares, respectivamente.

É o único piloto português presente no GPM, depois de Tiago Monteiro se ter lesionado, embora já fosse o único nos motociclos a cumprir os critérios de selecção. “O Grande Prémio tem apertado com os requisitos. A primeira vez que vim cá bastava ser um piloto rápido e fazer as corridas todas. Há pilotos rápidos em Portugal e penso que tinham qualidades para vir a Macau”, apontou.

Quanto à prova deste ano, acredita que Dean Harrison pode ser uma boa surpresa. “Veio cá no primeiro ano em que eu vim e teve azar porque caiu e ficou para trás, mas notou-se que era um piloto muito rápido. Este ano cá está outra vez e tem feito campeonatos de ‘road-racing’ nos lugares da frente”.

André Pires, que diz ter por referência Allann-Jon Venter, pelas semelhanças de andamento em anos anteriores, explicou que apesar de já não ficar nervoso nos percursos normais em Portugal, em Macau a história é outra. “Mas também acho que isso é bom porque o medo é uma segurança. Se não tivesse medo arriscava e aqui não quero arriscar”, reconheceu.

Indicando que o desafio está na concentração, e em “ficar à vontade com o circuito, que devido aos muros, aos raides e ao meio da cidade”, o piloto destaca o facto de estar perante um circuito diferente do que está habituado em Portugal.

A equipa é totalmente portuguesa, depois de uma época com dificuldades. “O chefe de equipa desapareceu. Entretanto eu e o mecânico Jaime Lima decidimos avançar com o projecto, porque já tinha os patrocínios, e aguentei com a equipa o ano todo”, lamentou.

O tempo e os regulamentos são outras dificuldades em Macau. “Não estou muito habituado à humidade, e este abafado a andar custa mais. Sinto-me cansado mais rapidamente. De cada vez que chego a Macau, optei por treinar logo para não notar tanto esse choque quando começar a andar na mota”, explicou.

No entanto, a alteração climática tem pouco impacto no motociclo. “O meu técnico de equipa é chefe de suspensões, e nisso estou descansado que tenta minimizar alguma coisa com a aderência ao alcatrão e põe a mota com melhor afinação para me sentir à vontade para poder acelerar com força”.

A Kawasaki ZX 10R vem no seu estado original, ao contrário das motas de outros concorrentes. “Em Macau pode-se mexer em tudo, e a mota que tenho vem totalmente de stock, original, conforme é permitido correr em Portugal”. Alterações que não pôde realizar por falta de tempo e de patrocínios, visto que o orçamento, já de si pequeno, segundo indicou, chega a Macau em fim de vida. “Sem o município de Vila Pouca de Aguiar a ajudar não conseguia correr. Se fosse do futebol até podia estar na terceira divisão que apareciam uns milhares de euros, agora no motociclismo é difícil”, criticou.

O primeiro treino do piloto é na quinta-feira, e a corrida no sábado. Com o “jet-lag” da viagem ultrapassado, resta-lhe focar-se na pista, nos pontos de travagem e ultrapassar a competição.