Falta menos de um mês para arrancar mais uma edição do Grande Prémio de Macau e já se conhecem as “grelhas” para as diversas corridas do programa. André Couto regressa ao Circuito da Guia, ao contrário de Tiago Monteiro. Na Fórmula 3, Daniel Ticktum vem defender o título, mas terá adversários de peso com destaque para o alemão Mick Schumacher, de 19 anos, filho de Michael Schumacher
Vítor Rebelo*
O Grande Prémio de Macau vai para o asfalto da Guia a 15 de Novembro e a adrenalina continuará até dia 29, naquela que será a 65ª edição do mais importante evento desportivo do território. O início dos trabalhos de colocação de barreiras no circuito é a prova da aproximação das corridas, realizando-se também a partir de agora pequenos arranjos no asfalto, tal como acontece todos os anos, uma vez que a pista é citadina e necessita sempre de ajustamentos no piso.
No que diz respeito ao aspecto puramente competitivo do Grande Prémio e, depois de terminados as inscrições, no final do mês de Setembro, os responsáveis pela organização, liderados pelo Instituto do Desporto, o que já acontece há dois anos, após muitas edições com o cunho dos Serviços de turismo, divulgaram, em conferência de imprensa, todos os detalhes da competição, nomeadamente os pilotos que vão estar na grelha das respectivas provas: seis este ano.
Relativamente ao programa, há duas novidades: a presença dos Lotus, todos iguais e tripulados por pilotos da China, Macau e Hong Kong, e as três mangas, ao contrário das duas do ano passado, na Corrida da Guia, incluída mais uma vez no Campeonato do Mundo de Carros de Turismo (WTCR), cuja temporada fecha precisamente na RAEM.
André Couto ao volante de um Honda
E aí desde logo há um regresso que se saúda, André Couto, depois de um ano de ausência, para recuperar de um acidente de certa gravidade que o piloto teve no circuito de Zhuhai, no campeonato de GT da China em Julho de 2017.
André Couto, sempre muito acarinhado pelos adeptos locais, irá tripular um Honda, numa corrida onde já esteve pela última vez em 2012, quando, num Seat Leon 1.6 GT, foi 15º na primeira corrida e 11º na segunda.
Será um regresso de André ao circuito “da sua casa”, que se saúda e significa que estará praticamente a 100% no que diz respeito à recuperação, aguardando-se com expectativa a sua prestação.
Neste WTCR, os nomes são os mesmos que têm andado pelo mundo fora na época de 2018, tudo apontando para que se decida o título em Macau, com o veterano italiano Gabriele Tarquini, nesta altura a liderar a classificação (241 pontos, contra 234 do sueco Thed Bjork e do francês Yvan Muller). Antes de Macau há ainda as três mangas de Suzuka, no Japão.
Para esta prova da RAEM, integrada na tradicional Corrida da Guia, André Couto terá a seu lado mais quatro pilotos locais: Filipe de Souza( Audi), Rui Valente (Volkswagen Golf), Lam Kam San (Audi) e Kevin Tse Wing Kin (Audi).
O português Tiago Monteiro não irá participar, ao contrário do que se chegou a supor, porque o piloto da Honda regressa ao WTCR já em Suzuka. Tiago Monteiro, vencedor em 2016, terá sido aconselhado pelos médicos a não arriscar a presença na Guia, pelas características do circuito (praticamente sem escapatórias), numa altura em que o piloto luso vai recuperando do acidente que teve em Setembro do ano passado, numa sessão de testes.
A vaga deixada em aberto na Honda, acaba por facilitar a entrada de André Couto na equipa nipónica.
Ticktum e Mick Schumacher na corrida de F3
Daniel Ticktum
Mas a prova rainha do Grande Prémio continua a ser a Fórmula 3, que pelo terceiro ano tem a designação de Taça do Mundo FIA e que terá, como habitualmente, uma grelha de campeões dos diversos campeonatos, com destaque para o alemão Mick Schumacher, de 19 anos, filho de Michael Shumacher (ganhou em Macau em 1990), vencedor do Europeu da categoria.
Ao lado do germânico, vão estar o britânico Daniel Ticktum, detentor do título, o japonês Sho Tsuboi, o neozelandês Marcus Armstrong, o austríaco Ferdinand Habsburg, entre outros, num pelotão de seis nipónicos, uma mulher, a alemã Sophia Florsch e ainda um representante de Macau, Leong Hon Chio, de 17 anos, que ganhou no ano passado as séries asiáticas de Fórmula Renault e do campeonato chinês de Fórmula 4 e que em 2018 participou no Asiático de Fórmula 3.
A Taça GT, destinada a carros GT3, volta a estar na pista de Macau, o que acontece pelo quarto ano consecutivo, com o suíço da Mercedes, Edoardo Mortara, na linha da frente dos favoritos, depois de ter ganho no território em Fórmula 3 (duas vezes) e Taça GT (quatro vezes).
Há também outros nomes já conhecidos de Macau, como Dries Vanthoor, Earl Bamber, Darryl O’Young, Alexandre Imperatori, Augusto Farfus ou Maro Engel.
Motos sem Irwin mas com Rutter
Mick Schumacher
Igualmente de renome internacional, o Grande Prémio de Motos será este ano marcado pela ausência do britânico Glenn Irwin, vencedor em 2017, mas com outros “senhores” habituais, como Michael Rutter, John McGuinness, Gary Johnson, Martin Jessop, Peter Hickman (campeão em 2015 e 2016) e o único português na grelha, André Pires.
De resto, o programa integra as chamadas corridas de suporte, com destaque para a Taça Carros de Turismo de Macau, agora com o nome curioso de FOODD 4U, destinada a duas classes, 1600 turbo e 1950, cada qual com 18 concorrentes, de Macau (entre os quais Jerónimo Badaraco, Mendonça Del Fim, Leong Ian Veng), Hong Kong, Malásia, Taiwan e Japão.
Finalmente a estreia da Taça Lotus, Corrida da Grande Baía, onde os carros todos iguais serão tripulados por pilotos de Macau, Hong Kong e China. Eurico de Jesus e Mak Ka Lok são alguns dos representantes da RAEM.
Estão assim lançados os primeiros dados para mais uma festa dos desportos motorizados, com os nomes dos protagonistas, no asfalto, para as seis corridas do programa, realizando-se os treinos na quinta e na sexta-feira (14 e 15) e as corridas no sábado e domingo (16 e 17).
Conferência de imprensa… sem perguntas
Pelo segundo ano consecutivo, o tempo que dura a organização do Grande Prémio de Macau por parte do Instituto do Desporto (ID), o período que demorou a conferência de imprensa propriamente dita, não incluiu as habituais perguntas (dos órgãos de comunicação social) e respostas (dos elementos da comissão organizadora), como seria normal numa cerimónia que se denomina precisamente “Conferência de Imprensa do Grande Prémio de Macau”. Os participantes no evento limitaram-se a ler os “comunicados de imprensa” que estavam já na posse dos jornalistas, sem mais comentários nem direito a interpelações, ao contrário do que acontecia no passado, quando a organização pertencia aos Serviços de Turismo. Talvez por isso, são muito menos os órgãos de comunicação social de Hong Kong, que durante vários anos se mostravam interessados em questionar os diversos elementos da comissão organizadora, sobre vários aspectos relacionados com este grande acontecimento turístico/desportivo da RAEM. Apenas no final da conferência e a título individual, o presidente do ID, Pun Veng Keong, falou aos jornalistas que o quiseram interpelar, precisamente porque não puderam fazer perguntas durante o evento.
V.R.
* Jornalista



