A decisão da China de limitar a 100.000 renminbis por ano os levantamentos através dos cartões “UnionPay” não preocupa analistas do sector do jogo no imediato. No entanto, um relatório da Sanford C. Bernstein refere que esta medida pode representar a possibilidade de novas restrições e eventuais limites ao sistema das lojas de penhores, que seriam mais significativos
Inês Almeida
A introdução do limite de 100.000 renminbis para os levantamentos nas caixas automáticas no exterior por parte da Administração Estatal de Câmbio da China (SAFE, na sigla inglesa) está a gerar algumas preocupações, ainda que moderadas para já, entre os analistas do sector do jogo, no sentido em que a medida poderá levar a novas restrições com um impacto mais significativo.
Um relatório da Sanford C. Bernstein alerta que quem não cumprir as novas regras pode ver suspensa a sua capacidade de levantar dinheiro durante o resto do ano e até no ano seguinte. Os analistas Vitaly Umansky, Zhen Gong e Cathy Huang referem que as novas regras também enfatizam que as pessoas não devem pedir emprestados cartões ou utilizar os seus para ajudar outros a contornar a nova regra.
Os analistas antevêem que os novos limites “podem ter algum impacto no mercado de massas bem como na camada mais baixa dos jogadores premium” uma vez que de acordo com um estudo feito pela Sanford C. Bernstein 40% dos jogadores levantam dinheiro com recurso a cartões “UnionPay” da China.
“De um modo geral, as novas políticas podem representar ainda mais medidas de controlo de capitais em 2018. Continuamos a colocar a possibilidade de mais controlo de capitais/restrição/escrutínio no futuro, embora ele possa não ser dirigido especificamente a Macau”, frisam.
Ainda assim, ressalvam, embora as novas políticas possam ter impacto nas receitas brutas do jogo em 2018, “a maior preocupação seria se houvesse um crescente controlo ao movimento de capitais fora da China”. “O impacto mais significativo nas receitas brutas do jogo ocorreria se fossem impostos limites ao sistema de casas de penhores em Macau ou houvesse mais intervenção aos canais subterrâneos de financiamento, por exemplo”.
Por sua vez, citado pelo portal GGRAsia, Grant Govertsen, da Union Gaming, disse acreditar que as novas regras não vão ter impacto nas receitas brutas do jogo. “Em primeiro lugar, o limite de cerca de 15.000 dólares americanos por indivíduo, por ano, teria só, potencialmente, impacto no sector das massas ‘premium’ visto que o contributo para as receitas brutas dos jogadores de massa de categoria mais baixa” se situa abaixo desse valor e “os jogadores VIP jogam à base de crédito”.
Segundo o GGR Asia, o analista referiu ainda que é provável que muitos dos jogadores do sector de massas “premium” tenham estabelecido contas bancárias no exterior que não serão afectadas por restrições nacionais. “Em terceiro lugar, acreditamos que o uso de cartões bancários para levantar dinheiro em ATM’s foi sempre uma das últimas opções”.
Desde segunda-feira que os cidadãos chineses que viajam para o estrangeiro passaram a estar limitados a levantar nas caixas automáticas 100.000 renminbis, numa medida que tem como objectivo travar a evasão fiscal, lavagem de dinheiro ou financiamento do terrorismo.
Angela Leong desvaloriza impacto dos novos limites
A directora executiva da Sociedade de Jogos de Macau (SJM) acredita que a nova restrição ao levantamento de numerário no exterior “vai ter algum impacto” nos casinos, no entanto, desvaloriza a amplitude da medida. Frisando que a China Continental tem uma população de mais de mil milhões, Angela Leong acredita que poderá não haver problema se o Governo chinês incluir mais cidades na lista de acesso aos vistos individuais. Angela Leong defende, por isso, que o Executivo da RAEM deve focar a sua atenção em atrair mais visitantes, podendo fazer mais em termos de diversificação na oferta do entretenimento.



