O mercado de capitais norte-americano registou duas sessões em baixa, numa redução total de 7%, e as bolsas asiáticas afectadas pela queda de segunda-feira, também seguiram ontem a curva descendente. Em reacção, a Autoridade Monetária de Macau assegurou que está atenta e o território tem capacidade para fazer face às flutuações dos mercados
Liane Ferreira*
O dia começou em queda e acabou no mesmo sentido nas bolsas asiáticas, depois do índice norte-americano “Dow Jones Industrial Average” ter sofrido a maior descida percentual desde Agosto de 2011. No final da sessão de ontem, a Bolsa de Hong Kong recuou 4,4%, para 30.827,73 pontos e a Bolsa de Xangai fechou a cair 3,35%.
No Japão, o índice Nikkei 2225 recuou 4,7%, depois de ter caído 7% na abertura. O índice australiano S&P ASX 200 recuou 3,2% e o sul-coreano Kospi encerrou com um decréscimo de 1,5%.
Perante este contexto negativo, a Autoridade Monetária (AMCM) emitiu um comunicado a recordar que nos dias 2 e 5, sexta e segunda-feira, os maiores três índices do mercado bolsista dos Estados Unidos foram marcados por uma descida muito acentuada. O índice Dow Jones registou uma redução total de cerca de 1.840 pontos, correspondente a uma descida de cerca de 7%, o que, “simultaneamente, resultou em ajustamentos dos diferentes níveis nos diversos mercados bolsistas mundiais”.
“Existem, como é evidente, na economia mundial, certos factores instáveis e inesperados, pelo que o Governo da RAEM dispensará, como de costume, uma grande atenção à evolução dos mercados económico-financeiros internacionais, bem como ao mercado monetário e financeiro de Macau”, diz a AMCM, acrescentando que os mecanismos de supervisão e de emergência operam de forma contínua “sendo acompanhados por esquemas de comunicação e coordenação, com as instituições financeiras locais”.
A Autoridade admite que “quando a situação o justificar” serão tomadas medidas oportunas e apropriadas, de modo a assegurar a estabilidade da economia e do sistema financeiro local.
“Tendo em atenção que a RAEM dispõe de um sólido poder em termos de finanças públicas, com uma balança de pagamentos externos positiva, um regime de indexação cambial fiável e um sistema financeiro estável e saudável, o Governo e o sistema financeiro local têm capacidade suficiente para fazerem face às flutuações dos mercados financeiros”, garante o organismo.
No comunicado, a AMCM explica que, desde os finais de 2015 e início de 2016, o mercado bolsista americano apresentou uma rápida ascensão, tendo o índice Dow Jones registado, em termos acumulados, uma subida aproximada de 66,4%, de cerca de 16.000 pontos para o nível mais elevado de 26.616, reportado em Janeiro deste ano.
Na segunda-feira, o índice tecnológico norte-americano Nasdaq perdeu 3,78%, e o S&P500, que representa as maiores 500 empresas cotadas nos EUA, recuou 4,11%. Os investidores venderam os títulos face às preocupações de que a Reserva Federal aumente as taxas de juro, numa altura de subida da inflação, tornando o crédito mais caro, o que levaria a um abrandamento no crescimento da economia.
Uma queda de 10 por cento, face ao pico mensal, é referido em Wall Street como uma “correcção”. A última queda assim ocorreu no início de 2016, quando a cotação do petróleo afundou.
Tendo em conta que os mercados são caracterizados por flutuações e a subida é sempre acompanhada por ajustamentos, a AMCM aconselha os investidores a estarem mais atentos à evolução dos mercados e assegurar o controlo dos riscos, de acordo com as suas capacidades.
*Com Lusa



