Apesar das previsões da Autoridade Monetária preverem um crescimento contínuo da economia de Macau, motivado pelo alargamento da oferta turística e infraestruturas transfronteiriças, o organismo deixa alertas aos bancos e investidores locais. Num relatório oficial, a Autoridade pede mais atenção aos riscos crescentes nos mercados financeiros globais e aos riscos trazidos pelos ajustamentos nas taxas de juro

 

Liane Ferreira

 

No primeiro relatório de 2018 sobre a estabilidade financeira e monetária pela mão da Autoridade Monetária de Macau (AMCM) mantêm-se o tom positivamente cauteloso do Governo, sendo referido que a recuperação da economia mundial é positiva e Macau faz parte dessa melhoria. Fazendo referência às previsões do Fundo Monetário Internacional sobre o crescimento da economia local, a AMCM recorda que para este ano se prevê um crescimento de 7% e para 2019 de 6,1%.

“A meio termo, espera-se que continue a crescer (economia de Macau) com base nos projectos de infraestruturas transfronteiriças, como o Terminal Marítimo da Taipa e a abertura a curto prazo da Ponte do Delta. Na frente dos projectos privados estão os novos “resorts” integrados a abrir este ano e em 2019, conduzindo ao apoio da procura externa por serviços turísticos”, lê-se no relatório apresentado pelo Departamento de Pesquisa e Estatística da AMCM.

A procura interna que se esperava contraísse, em 2017, devido ao abrandamento da construção na segunda metade desse ano, deverá manter-se este ano, mas a uma velocidade mais lenta. O  consumo privado deverá crescer de forma constante ao lado da recuperação económica.

Apesar disto, a AMCM alerta para certos riscos nas perspectivas de crescimento de Macau a curto-prazo, devido às políticas de ajustamento monetário dos EUA, do desempenho financeiro dos maiores parceiros de negócios da região, a direcção dos preços dos bens locais e ao declínio maior do que o esperado dos investimentos da construção no privado.

Além disso, “investidores residentes locais devem estar vigilantes dos riscos crescentes nos mercados financeiros globais”, sendo que a AMCM salienta ainda o acréscimo de riscos associados aos grandes mercados de acções aos quais os investidores de Macau estão expostos. Com os rácios preço-rendibilidade no final de 2017 a serem mais elevados do que a média dos períodos homólogos de 2012-2016, tal reflecte um aumento dos riscos, segundo padrões históricos.

“O aumento das taxas de juro podem ser riscos para o portfólio de obrigações dos investidores locais”, referiu a Autoridade.

Por outro lado, com a tendência de aumento das taxas de juro e a normalização dos balanços nos EUA, as taxas de juro dos bancos da RAEM devem “eventualmente” aumentar. “Assim, não pode ser retirada a hipótese de que durante o ano os bancos locais poderão aumentar as taxas de juro nos empréstimos e depósitos”, disse a AMCM.

“O público (em geral) deve estar atento a potenciais efeitos no mercado imobiliário, avaliando com prudência as posições financeiras e agindo dentro dos seus meios na compra de propriedade e gestão dos riscos equivalentes. Os bancos de Macau devem gerir os potenciais riscos trazidos aos seus balanços financeiros trazidos pelos ajustamentos nas taxas de juro”, salientou o organismo.

 

Inflação deverá voltar a aumentar

O relatório da Autoridade afirma ainda que a pressão da inflação vai manter-se “razoavelmente baixa” e as condições do mercado de trabalho estáveis. A inflação será ligeiramente mais alta em 2018 do que em 2017, devido à recuperação da procura.

A estabilidade monetária e financeira, bem como outros pontos estruturais fortes têm apoiado de forma robusta a resiliência da economia de Macau. Apesar da gestão macroeconómica prudente do Governo, a AMCM considera que a cooperação regional é a “chave do sucesso” para a estratégia de diversificação, beneficiando a estabilidade macroeconómica a longo prazo.

Para concluir, a AMCM afirmou que o é crucial para o território alargar o espectro da procura no desenvolvimento e diversificação da economia, apostando no desenvolvimento de “indústrias nascentes que ajudariam a fortalecer a oferta de Macau”, como é o caso das convenções e exibições, cultura e criatividade, medicina chinesa e serviços financeiros especializados.