Chegou ontem ao fim o 21º Festival da Lusofonia que continua a atrair público não apenas local mas também turistas que, estando de passagem por Macau, foram cativados pelo ambiente festivo. As Casas-Museu da Taipa voltaram a ser animadas durante três dias por muita música lusófona, artesanato e outras expressões artísticas
Inês Almeida
Foram várias as ameaças de chuva ao longo dos três dias mas o Festival da Lusofonia acabou por ser presenteado com sol intenso e calor abrasador no dia do encerramento. No entanto, não foi apenas o bom tempo que levou milhares de pessoas à zona das Casas-Museu da Taipa e às festividades.
Foram as cores, os sons, cheiros e sabores da Lusofonia. A atmosfera criada pelos ritmos oriundos dos vários países, o aroma dos pratos a ser confeccionados e uma ligação histórica que muitos não esquecem, sobretudo nesta altura em que se celebram de forma mais intensa as relações com os países lusófonos, contribuíram para atrair muitos visitantes.
Embora ainda ninguém ocupasse o palco do anfiteatro das Casas-Museu ao princípio da tarde de ontem, quem chegava ao local era logo abraçado pelos alegres ritmos brasileiros transmitidos por colunas instaladas em vários pontos do recinto. No Largo da Igreja de Nossa Senhora do Carmo, um círculo de curiosos começava a formar-se à medida que era preparado o campo onde viriam a realizar-se jogos tradicionais como a corrida de sacos.
Wing Lai
Descendo as escadas, além da música, sobressaíam as vozes e gargalhadas de crianças, algumas de faces coloridas com os mais variados desenhos, que jogavam matraquilhos, corriam, brincavam. Muitas famílias com crianças aproveitaram a tarde soalheira de domingo para ir até ao Festival e experienciar tudo o que a Lusofonia tem para oferecer.
Foi o caso de Wing Lai que esteve no Festival da Lusofonia pela primeira vez. “Decidi vir porque uns amigos meus vieram ontem [sábado] à noite e disseram-me que era divertido. Há boa comida, há coisas para as crianças brincarem, por isso, vim”, sublinhou à TRIBUNA DE MACAU.
Jody Santos
“Este festival é muito bom. As crianças já jogaram alguns jogos e vamos levá-los a fazer pinturas faciais. Ainda não comemos nada mas vamos comer mais tarde, ao jantar”, acrescentou Wing Lai.
Jody Santos também levou os filhos ao Festival da Lusofonia. “O ambiente é muito bom com as diferentes culturas dos países de Língua Portuguesa. É uma experiência muito boa para as crianças. É bom que eles sejam expostos a culturas diferentes, especialmente às dos países de Língua Portuguesa”, sublinhou. Os filhos gostam sobretudo da música e Jody Santos concorda que é “boa”.
Para Sofia Ieng, a ida ao Festival representou uma forma de ficar a conhecer outras culturas. “É a primeira vez que venho. O Português é uma das línguas de Macau, por isso, quero ficar a conhecer as diferentes culturas. Há uma muito boa atmosfera aqui, as bancas são muito bonitas”.
Sofia Ieng
A jovem apreciou especialmente o artesanato exposto em algumas bancas. “Temos aqui esculturas muito bonitas”. A gastronomia é também um dos pontos de interesse. Quando falou com a TRIBUNA DE MACAU, a jovem que fala um pouco de Português ainda não tinha provado nenhuma das iguarias mas assegurou que ia fazê-lo.
Balanço “muito positivo”
Jane Martins, presidente da Casa do Brasil e a única dirigente associativa no recinto àquela hora, faz um balanço positivo na iniciativa, no entanto, ressalva que “o ano passado foi melhor em termos da receita em relação aos nossos custos”. “O investimento é o mesmo mas acho que no ano passado as pessoas consumiram mais, ou talvez seja porque a festa teve quatro dias, se bem que também comprámos muito mais”.
“Ainda há hoje [ontem] o dia todo e as pessoas são capazes de demorar mais por causa do calor. Graças a Deus não vai chover, por isso, o balanço é muito positivo. A cada ano as pessoas estão mais felizes com esta festa, temos mais visitantes”, destacou Jane Martins.
Se no próximo ano o evento voltar a ter quatro dias, como o Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Alexis Tam, sugeriu na sexta-feira, “já temos como base o ano passado”, indicou Jane Martins que nunca esperou que “numa quinta-feira viesse tanta gente” como aconteceu no ano passado.



