O jornal “Plataforma” comemorou quatro anos e assinalou a ocasião com um debate centrado nas redes globais. Na sessão, que contou com João Francisco Pinto, Glória Batalha Ung e Jorge Neto Valente, foram abordadas questões como a cooperação entre os meios de comunicação locais e do exterior e, inclusivamente, a importância da arbitragem. À margem, Paulo Rego disse ter vários novos projectos pensados para a publicação, incluindo um investimento no Português do Brasil e talvez no Espanhol
Inês Almeida
O semanário “Plataforma” comemorou ontem quatro anos “o que às vezes parece mentira e uma longa aventura”, frisou Paulo Rego, presidente do Global Media Group Macau e antigo director do jornal. Actualmente, o foco está na produção multimédia, vídeo e multilinguismo.
“O site passa a ser diário, passamos de um semanário em papel para um diário online em chinês simplificado e tradicional, inglês e Português”, explicou Paulo Rego, acrescentando que o objecto é torná-lo num projecto multilingue “que vai ter mais línguas”. “Por exemplo, como há chinês simplificado e tradicional, também há Português de Portugal, que é muito querido em África, por exemplo, mas há o Português do Brasil, essa é claramente uma das nossas próximas apostas e muito provavelmente Espanhol”.
Neste momento, “temos 12 parcerias internacionais, incluindo marcas angolanas, brasileiras, estamos a negociar com parceiros em Cabo Verde e em Moçambique e o “Plataforma” com o “China Daily” e estender para várias marcas chinesas que vão naturalmente integrar este projecto”, assegurou.
Eventos como o de ontem deverão tornar-se regulares. “Estamos a planear que este seja um de muitos eventos, não só em Macau mas no Brasil, em Portugal, em Angola, Moçambique e na China. Estão todos a ser preparados e vamos ter uma média de 10 a 12 eventos por ano”, asseverou, sem, no entanto, levantar o véu em relação à próxima iniciativa deste género.
Ontem realizou-se uma conversa sobre “Redes Globais” que juntou a vogal executiva do Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento (IPIM), Glória Batalha Ung, o presidente da Associação dos Advogados de Macau, Jorge Neto Valente, e João Francisco Pinto, director de Informação e Programas dos Canais Portugueses da TDM.
Glória Batalha Ung mostra-se convencida de que no futuro a cooperação entre as redes globais e a plataforma de Macau “vai ter mais sucesso”. “A rede não é só a internet no computador, mas também a ligação entre as pessoas”, defendeu.
Por sua vez, Jorge Neto Valente focou a sua intervenção na questão da arbitragem, algo que já há muito defende. “Sonhos toda a gente tem e a ideia de Macau ser um centro para o Mundo de Língua Portuguesa é um sonho antigo que muita gente teve. É preciso ver que os sonhos são muito bonitos mas para accionar alguma coisa foi preciso o Governo Central dizer que Macau era uma plataforma. Isso fez toda a diferença”.
O advogado apontou também que, embora a Língua Portuguesa seja um elemento “importantíssimo” na relação entre os países onde é falava, se não houver um interesse económico “ela morre”. “Não chega só a criatividade, inteligência artística e intelectualidade. Isso não faz negócios”.
A importância da arbitragem
De qualquer modo, apontou Jorge Neto Valente, nos diversos países lusófonos, a maneira de pensar o Direito, os direitos humanos, económicos ou financeiros, é comum em muitos aspectos, o que facilita os contactos entre os países de língua portuguesa e a RAEM.
Ainda assim, “a arbitragem é mais importante do que pode parecer à primeira vista”. “Não obstante esses elementos comuns e a maneira comum de ver o direito, há uma coisa que não é possível que é os tribunais disporem, fora da sua área directa de jurisdição. Os tribunais são muito soberanos. Os tribunais de Macau não vão resolver disputas em Angola ou Moçambique”.
Assim sendo, “é mas fácil servir de ponto de contacto porque a China sentir-se-á melhor a discutir disputas em Macau do que em Angola ou Moçambique, os Países de Língua Portuguesa sentir-se-iam melhor a discutir em Macau do que na China Interior. Macau pode posicionar-se de maneira a acorrer a essas situações”.
O causídico voltou a frisar que “a promoção da arbitragem em Macau está muitíssimo incipiente”. “É preciso formar pessoas para desenvolver essa actividade, é preciso que se criem as estruturas, o que não é impossível, mas Hong Kong demorou mais de 20 anos para se afirmar como centro de arbitragem. Em Macau já há pessoas com tendência para a asneira porque há a tentação de pôr a arbitragem a ser feita pelo Governo. O Centro Internacional de Arbitragem de Hong Kong não é do Governo”, destacou.
Já o director de Informação e Programas dos Canais Portugueses da TDM destacou a colaboração do canal local com estações televisivas dos países de língua portuguesa. “Já recebemos jornalistas das televisões de serviço público a quem demos formação profissional, a quem permitimos que ficassem a conhecer Macau, fizemos o mesmo com agências de notícias e, portanto, o nosso relacionamento com outros órgãos do mundo de Língua Portuguesa é algo que faz parte do modelo de acção”, apontou João Francisco Pinto.



