Para alunos de medicina de Macau a estudar no exterior, o exame e estágio que terão de fazer caso pretendam trabalhar no território são “necessários” e não abalam a vontade de regressar à terra natal. Apesar disso, mostraram uma atitude cautelosa sobre o futuro
Rima Cui
Gordon é aluno do 4º ano da Faculdade de Medicina de Nanjing e já decidiu voltar a Macau, a sua terra natal, quando terminar o curso de cinco anos, porque o convívio com a família é o mais importante. Na sua opinião, a sua decisão reflecte muitas outras escolhas feitas por alunos locais de medicina, que estão a estudar fora, sobretudo na China Continental.
À TRIBUNA DE MACAU, afirmou acreditar que as futuras exigências colocadas pela proposta de lei sobre o Regime Legal da Qualificação e Inscrição para o Exercício de Actividade dos Profissionais de Saúde são “necessárias”. O docmento prevê que a actividade dos profissionais de saúde apenas possa ser exercida após a acreditação e o licenciamento obrigatório, sendo que 15 tipos de profissionais de saúde do sector público ou privado vão ter de fazer exame e de concluir estágio com uma duração mínima de seis meses.
“Macau não tem faculdade de medicina e os alunos que estudam no exterior têm níveis e métodos de formação diferentes, pelo que há necessidade de serem criados padrões uniformizados para avaliar se os alunos são realmente qualificados ou não. Isto é uma atitude de responsabilidade perante os cidadãos”, defendeu.
Segundo contou, o seu interesse pela medicina nasceu pelo gosto em ver uma série americana sobre o mundo médico. Na mira do jovem para a futura carreira, está a especialização em neurologia, por ser uma área em que os casos se assemelham aqueles investigados por Sherlock Holmes e por isso são mais atractivos.
Hoi Ngai Teng, aluna de medicina de 3º ano da Universidade de Jinan, também apoia e valoriza a acreditação e licenciamento, pois “para além de dar uma garantia aos cidadãos, também permite criar laços de confiança entre pacientes e médicos”. Entre sorrisos, a jovem afirmou que por isso mesmo terá de ser mais estudiosa.
Sobre o futuro, Hoi Ngai Teng mostrou-se mais cautelosa, daí que tenha decidido fazer o exame no território e no Continente.
No caso de estudantes de medicina em Taiwan, a situação é um pouco diferente, pois ao contrário dos alunos locais que estudam no Continente, poucos estudantes na Formosa optam por voltar a Macau para seguir a carreira profissional, frisaram Lei e Chong, alunas do 5º ano da Faculdade de Medicina de Kaohsiung.
“Em relação ao Continente, a cultura de saúde entre Macau e Taiwan têm mais diferenças entre si”, explicou Lei.
Para as jovens que vão começar a estagiar no hospital no novo ano lectivo, os recém-graduados formados no exterior não se sentem afectados pela acreditação, porque os salários durante o estágio não são muito diferentes daqueles praticados no primeiro ano de trabalho. Contudo, entendem que a mudança pode ser “desafiante” para os médicos que já trabalharam muitos anos no exterior e que queiram voltar ao território.
Num encontro entre alunos de medicina e a Comissão de Desenvolvimento de Talentos, Alvis Lo, médico do Centro Hospitalar Conde de São Januário, comentou o regime jurídico, afirmando que não está contra o exame e o estágio, apesar de algumas pessoas poderem ser afectadas.
“Os profissionais de medicina locais que vêm do exterior podem ser excelentes, mas provavelmente não conhecem bem o sistema de saúde e a prática médica de Macau. Acredito que o regime tem o intuito fundamental de aumentar a capacidade dos médicos e de garantir os direitos dos cidadãos”, sustentou.
Por sua vez, Lo Chung Mau, director do Hospital da Universidade de Hong Kong, localizado em Shenzhen considera que, como Macau não tem uma faculdade de medicina, é preciso os médicos serem avaliados através do estágio. Esta medida é importante para garantir a segurança dos pacientes, salientou.



