A escala geográfica dos países que acolhem o Português como língua oficial é grande, mas o valor económico da língua “é bem superior”, garantiu Alexis Tam, numa mensagem reproduzida durante uma conferência comemorativa do 130º aniversário do Jornal de Notícias
O Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Alexis Tam, defendeu que o valor económico da Língua Portuguesa é “bem superior” à escala geográfica dos países que acolhem a língua de Camões como oficial – não obstante o facto desta já ser “grande”, noticiou o Jornal de Notícias (JN).
Numa gravação em vídeo, Alexis Tam considerou ser exemplo prático o facto de ser possível falar em Português para fazer negócios em Macau e, com isso, entrar na economia chinesa, a segunda maior do mundo.
Ao valor económico, junta-se “o valor do diálogo de solidariedade civilizacional” entre o Oriente e o Ocidente, construído “ao longo de vários séculos”. Esta oportunidade não tem passado despercebida e materializa-se no investimento no ensino da Língua Portuguesa, que “tem vindo a crescer, ano após ano”, garantiu Alexis Tam. É portanto um “activo valioso” a rentabilizar.
As declarações do Secretário foram transmitidas durante a Grande Conferência de 130º aniversário do JN, uma ocasião em que o Presidente da República Portuguesa apelou ao reforço da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). Marcelo Rebelo de Sousa defendeu que não se pode perder tempo e que o ciclo geoestratégico e político em que se vai entrar a isso obriga. “Temos de recuperar o tempo perdido, porque é crime perder tempo”, alertou Marcelo Rebelo de Sousa.
Na sessão de abertura da Conferência “A Falar nos entendemos: A Língua como activo estratégico”, o Presidente português dirigiu-se ainda ao homólogo de Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca, uma vez que o país vai presidir à CPLP em menos de dois meses. “Não podemos perder Estados, não podemos perder poderes políticos, não podemos perder iniciativa económica, não podemos perder instituições sociais, não podemos perder comunicação social, não podemos perder esse tempo”, enumerou, considerando que o “ciclo geoestratégico e político” em que se vai entrar “apela ao reforço da CPLP”.
Por outro lado, Marcelo Rebelo de Sousa apelou a Portugal para que possa “coadjuvar em termos de secretariado executivo” durante a presidência de Cabo Verde na CPLP.
Já José Ramos-Horta, antigo Presidente de Timor-Leste, afirmou, no Palácio da Bolsa, no Porto, que Timor pode ser a porta de entrada dos países da CPLP para um mercado de exportação de 560 milhões de habitantes, no Sudoeste Asiático. Participante no painel da grande conferência, Ramos-Horta disse que “o Português é um instrumento de defesa da identidade timorense”.
Além disso, anotou que a língua portuguesa foi adoptada como uma das línguas oficiais do país, o que é “caso único” na CPLP. “Timor é a presença viva do português na Ásia. Pode ser a plataforma para os países da CPLP estarem no Sudoeste Asiático, para exportar para um mercado de 560 milhões de habitantes”, destacou.
JTM com Lusa



