Nos primeiros nove meses de 2018, a Air Macau melhorou em todas as vertentes operacionais, reforçando as expectativas de alcançar lucros pelo nono ano consecutivo. O bom momento da companhia reflecte-se na taxa de ocupação dos voos, que subiu 7,5 pontos percentuais para 81,5%. Com a procura a crescer mais depressa do que a oferta, a transportadora vai receber três novos Airbus, que permitem explorar rotas mais distantes e marcam a diferença pela sua eficiência e bom desempenho ecológico. Destinos como Mumbai e Perth podem entrar no radar da Air Macau
Sérgio Terra
A Air Macau continua a fazer importantes progressos no capítulo operacional, obtendo cada vez melhores resultados nos parâmetros que avaliam a oferta e a procura, o que, em última instância, também terá impacto positivo nos registos financeiros. Essa melhoria é especialmente significativa na taxa de ocupação de voos, uma vertente crucial na aviação comercial, com a companhia aérea a garantir agora percentagens consentâneas com a evolução do sector na região da Ásia-Pacífico, após ter passado vários anos abaixo da fasquia dos 70%.
Entre Janeiro e Setembro deste ano, a Air Macau conseguiu ocupar, em média, 81,5% dos assentos dos seus voos, o que representa um acréscimo de 7,5 pontos percentuais em relação aos primeiros nove meses de 2017, segundo indica o mais recente relatório da Air China, accionista maioritária da transportadora de “bandeira” da RAEM com 66,9% do capital. De acordo com o documento analisado pelo Jornal TRIBUNA DE MACAU, a tendência em alta prosseguiu no terceiro trimestre com a taxa de ocupação a ascender a 81,3%, mais 3,41 pontos do que no mesmo período do ano passado.
Estes valores já estão em linha com a tendência mundial, segundo dados estatísticos preliminares da Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA, na sigla inglesa) que atribuem uma taxa de 82,3% ao total do mercado da aviação civil nos primeiros nove meses deste ano. Na Ásia-Pacífico, a ocupação dos voos atingiu 81,9% no período em análise, ficando aquém da Europa (85,2%) e da América do Norte (84,1%), porém, a IATA ressalva que os resultados foram influenciados por várias tempestades tropicais que afectaram esta região do mundo.
Embora o novo relatório da Air China não especifique o volume de passageiros transportados pela Air Macau no terceiro trimestre, todos os indicadores apontam para a manutenção do crescimento do universo de clientes. Recorde-se que, só na primeira metade de 2018, o número de passageiros aumentou 17,49% para 1.526.200, face ao mesmo período de 2017.
O optimismo também é alicerçado do lado da oferta, tendo em conta que o indicador ASK (“Available Seat Kilometer”), que reflecte a capacidade disponível para passageiros, subiu 8,65% no terceiro trimestre e 6,35% no conjunto dos primeiros nove meses deste ano. Entre Janeiro e Junho, o ASK já tinha progredido 5,16% na variação homóloga, um avanço relevante para uma companhia de pequenas dimensões.
Por outro lado, os mesmos dados sugerem que ainda existe uma apreciável margem para expandir a oferta, uma vez que a procura tem aumentado a um ritmo superior. Essa realidade surge espelhada no índice RPK (“Revenue Passenger Kilometer”), que avalia a procura real de transporte: cresceu 13,4% entre Julho e Setembro e 17,14% no cômputo geral dos nove meses.
O relatório também não menciona os resultados financeiros obtidos até Setembro, mas os ganhos líquidos de 116 milhões de yuans (cerca de 135 milhões de patacas ao câmbio actual) alcançados no primeiro semestre, aliados aos dados de todas as componentes operacionais, colocam a Air Macau a caminho do nono ano consecutivo com lucros, até porque o segundo semestre tem sido, por norma, o mais produtivo para a companhia. Em 2017, os lucros líquidos atingiram 78,76 milhões de patacas, superando os 28,78 milhões apurados em 2016.
Novos aviões colocam Índia e Austrália no radar
A frota da Air Macau é composta por “apenas” 18 aeronaves – todos Airbus, incluindo 10 A321, quatro A320 e quatro A319 – com uma idade média de 7,79 anos, no entanto, a empresa já se prepara receber três importantes reforços, numa aposta clara na qualidade. Num comunicado publicado na sua página electrónica, a BOC Aviation – companhia de “leasing” controlada pelo Banco da China que tem sede em Singapura e escritórios em Dublin, London, Nova Iorque e Tianjin – anunciou um acordo que permitirá à transportadora da RAEM receber três Airbus A320neo, com entrega prevista para a primeira metade do próximo ano.
Actualmente, a Air Macau opera ligações para 28 destinos na China Continental, Taiwan, Tailândia, Vietname, Coreia do Sul e Japão, mas a maior autonomia de voo do A320neo (6.300 quilómetros) poderá permitir a abertura de novas rotas. O site especializado “ch-aviation” antecipa mesmo duas hipóteses: Mumbai, na Índia, e “potencialmente” Perth, na Austrália. Contactada pela TRIBUNA DE MACAU, uma fonte da companhia não afastou essas possibilidades, mas ressalvou que ainda não foi tomada uma decisão definitiva.
“Temos o prazer de adicionar a Air Macau como novo cliente e apoiar os seus planos de crescimento da frota e rede, capitalizando a sua posição na próspera região do Delta do Rio das Pérolas”, destacou Robert Martin, director executivo da BOC Aviation, enaltecendo ainda a aposta em “aeronaves mais eficientes e tecnologicamente avançadas”.
Com capacidade para transportar entre 165 e 194 passageiros, o Airbus A320neo (“new engine option”, ou seja, nova opção de motor) tem atraído grande procura, garantindo à fabricante europeia cerca de 60% das encomendas no segmento dos aviões de corredor único. O interesse por este modelo reside sobretudo no facto de ser apontado como um paradigma de eficiência e um dos mais ecológicos da aviação, características que não passaram despercebidas à Air Macau.
“A aeronave A320NEO está equipada com novos motores [‘Pratt & Whitney’] de alta eficiência e ‘sharklets’ [pequenos dispositivos na ponta das asas que reduzem o consumo de combustível]. Tem um excelente desempenho, é líder mundial entre as aeronaves de corredor único e a mais avançada tecnologicamente”, sublinhou Chen Hong, CEO e presidente da Comissão Executiva da Air Macau, citado pela BOC Aviation.
De acordo com a Airbus, comparativamente ao modelo convencional, o A320neo garante uma redução até 20% no consumo de combustível, exige menores custos operacionais e gera metade do ruído produzido na descolagem e aterragem. Além disso, em relação aos padrões actuais da indústria, emite menos 50% de NOx (óxido de nitrogénio), um dos “vilões” do aquecimento global.
“Um factor chave para o desempenho do NEO são os ‘sharklets’ (…) – que foram pioneiros no A320ceo (opção de motor actual). Esses dispositivos de 2,4 metros de altura nas pontas das asas são um padrão nas aeronaves NEO e resultam numa redução de até 4% no consumo de combustível em voos mais longos, correspondendo a uma diminuição anual nas emissões de CO2 [dióxido de carbono] de cerca de 900 toneladas por aeronave”, salienta ainda a Airbus no seu site.



