A Associação de Imprensa em Português e Inglês de Macau (AIPIM) manifestou ontem “preocupação” com a eliminação de comentários sobre Tiananmen num debate da TDM, que levou dois comentadores a abandonarem o programa. Na segunda-feira, a TDM indicou que, no programa “Contraponto” difundido a 30 de Maio, “os comentadores opinaram sobre um processo que decorria no âmbito do Tribunal de Última Instância”, sobre um recurso apresentado pelos organizadores da vigília sobre Tiananmen, após a proibição da polícia, pelo que, “tendo a TDM em consideração que não é conveniente fazer quaisquer comentários ou emitir opiniões sobre casos cujo processo judicial ainda se encontre em curso, foi decidido remover o comentário” do programa, um argumento criticado pela AIPIM.
“Objectivamente não vislumbramos motivo que impeça comentadores de se pronunciarem sobre processos em curso nos tribunais, independentemente da natureza dos mesmos e desde que se respeitem as regras e os princípios aplicáveis, como o segredo de justiça ou a presunção de inocência (…), como aliás tem sido prática”, criticou a associação numa declaração enviada à Agência Lusa. “Esta situação, sendo ao que sabemos inédita no referido espaço de opinião e análise, suscita natural surpresa e preocupação”, acrescentou.
A TDM também eliminou uma reportagem da versão “online” do Telejornal em português, transmitido a 4 de Junho, mas em relação a essa situação a AIPIM considerou que seria “positivo um esclarecimento adicional por parte dos responsáveis editoriais”.
O advogado Frederico Rato disse que comunicou a decisão de abandonar o “Contraponto” à direcção de programas da TDM, a 8 de Junho, tal como o outro comentador, o jornalista Emanuel Graça, que não quis fazer declarações à Lusa. “Deixei o programa porque fui censurado na opinião que expendi relativamente à proibição da vigília para assinalar os acontecimentos na praça de Tiananmen, por parte da PSP de Macau”, afirmou o causídico.
Considerando que o incidente é “completamente inédito”, Frederico Rato contestou as justificações da estação: “Eu não fiz qualquer comentário à decisão de qualquer tribunal, fosse ele qual fosse”. “Para já, pode-se falar [sobre processos em curso], os advogados [nas causas] é que não podem, mas eu não estava lá na condição de advogado, e além disso não falei nem um segundo na gravação sobre qualquer decisão de qualquer tribunal”, acrescentou.
Relativamente à retirada de uma reportagem da versão final disponível no website do Telejornal de 4 de Junho, a TDM afirmou que “não tinha sido previamente visionada” e que “a jornalista também não tinha seguido as instruções que lhe tinham sido dadas pelo editor”, além de que “a [sua] inclusão nada acrescentaria em termos de informação”.



