A falta de credenciação dos profissionais da área da tradução está a preocupar Agnes Lam. Na opinião da deputada, se o Governo não implementar medidas para assegurar o futuro desta profissão, a carência dos quadros bilingues irá agravar-se, sobretudo quando o território pretende ser “Um Centro, Uma Plataforma”
Viviana Chan
Com a criação de sistemas de credenciação dos profissionais dos diferentes sectores a assumir-se como um tema constante no território, a deputada Agnes Lam veio agora defender o estabelecimento do mesmo regime para os tradutores. Numa interpelação escrita, a deputada e académica da Universidade de Macau sustenta que será favorável para a formação de quadros bilingues ou multilingues que o Governo aposte num planeamento a longo prazo.
Agnes Lam salienta ser necessária uma definição rápida de medidas para que seja possível acompanhar as necessidades de desenvolvimento da sociedade, agregadas à construção de “Um Centro, Uma Plataforma”, Macau como um Centro Mundial de Turismo e Lazer e plataforma de serviços para a cooperação económica e comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa.
“Os quadros de tradução são muito procurados”, indicou, recordando que o Governo já revelou estarem em falta cerca de 200 tradutores na Função Pública.
Para além disso, Agnes Lam frisou que dos avanços no regime jurídico das sociedades de locação financeira, no regime do benefício fiscal para a locação financeira e arbitragem em Macau, bem como do estabelecimento do Centro de Arbitragem internacional, irá derivar uma grande procura de tradutores especializados. Nesse sentido, a deputada prevê que a procura de quadros bilingues será ainda maior.
Na sua observação, existem alguns problemas no sector da tradução em Macau, como o número reduzido de companhias de tradução e clientes limitados. Citando um estudo, Agnes Lam realça que, embora o desenvolvimento do sector de jogo tenha atraído um grande número de jovens com cursos de tradução, o nível salarial dos tradutores não é muito elevado, sobretudo dos tradutores de Chinês-Inglês.
“Muitas vezes quem faz trabalhos de tradução, não são os profissionais desta área, por isso é que se criou uma grande disparidade na qualidade dos trabalhos”, referiu.
Para Agnes Lam, esta situação advém do futuro incerto da profissão e da falta de credenciação.
Na mesma interpelação escrita, a deputada recomenda a adopção do modelo de Taiwan, onde o Governo realiza um exame de credenciação para tradutores, sendo que os qualificados são inscritos numa base de dados de quadros, aumentando assim o nível de reconhecimento desta área.



