O IACM aceitou o pedido de prolongamento do prazo de reclamação dos galgos, de sete para 60 dias, depois da Yat Yuen ter apresentado um plano viável, mas distinto do que se previa. A empresa propôs o realojamento doméstico dos galgos em 11 habitações com área superior a 166 mil pés quadrados. Agora, tem até 29 de Setembro para recolocar todos os cães já vacinados e esterilizados nas novas casas, sendo que a ANIMA continuará a liderar o processo de adopção. Já o projecto de criação do Centro Internacional de Realojamento no Pac On aguarda aprovação da alteração da finalidade do terreno, sendo que as Obras Públicas já receberam um pedido nesse sentido
Liane Ferreira e Viviana Chan
Mais uma reviravolta no realojamento dos galgos do antigo Canídromo. O Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM) aprovou o prolongamento do prazo de reclamação dos cães, de sete para 60 dias, com base num novo plano, que propõe o alojamento doméstico dos animais.
De acordo com um comunicado da Companhia de Corridas de Galgos (Yat Yuen), “por estar envolvida a questão da finalidade do terreno, a proposta de estabelecer um Centro Internacional de Realojamento de Galgos num lote de Pac On, apresentada pela Yat Yuen e pela ANIMA, encontra-se actualmente pendente da apreciação e aprovação por parte dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes” (DSSOPT).
Assim, “ao manifestar sinceridade e a sua determinação em assumir responsabilidade, a Yat Yuen vem acrescentar mais uma proposta, a do Plano de Criação Doméstica de forma a permitir que os galgos obtenham de imediato o devido cuidado”.
A empresa assegura ter disponíveis habitações suficientes, na sua maioria vivendas e moradias autónomas, com uma área total superior de 166 mil pés quadrados, e que oferecerão a cada galgo um espaço de actividade de cerca de 100 pés quadrados. Além disso, designará tratadores para tomar conta dos galgos todos os dias, em turnos organizados por 24 horas.
A ANIMA também vai disponibilizar voluntários para cuidar e organizar os passeios dos cães todos os dias “oportunamente”. “A Yat Yuen continuará a ter uma atitude aberta e transparente, mantendo-se aberta à fiscalização diária por parte do IACM”, assegura a companhia.
Durante os 60 dias do período de reclamação, os galgos permanecerão no Canídromo e serão submetidos ao processo de vacinação e esterilização, sendo de seguida realojados nas habitações preparadas.
“A proposta destina-se à preparação de um lar que garante o bem-estar dos galgos em conformidade com o critério internacional de criação de galgos, iniciando assim um processo de adopção responsável sob supervisão e gestão da ANIMA”, garante a empresa.
Do lado do IACM, o organismo indicou que a Yat Yuen apresentou o requerimento para o alargamento do prazo de reclamação dos galgos, mas o local seleccionado envolve a finalidade do terreno. Portanto, “a pedido do IACM, a Yat Yuen submeteu hoje [ontem] uma nova proposta relativo ao plano de “habitação residencial”.
Deste modo, o Instituto confirma a utilização de 11 imóveis privados, servidos de um estabelecimento para o alojamento dos galgos, bem como disponibilização dos funcionários e associações de protecção dos animais na prestação dos cuidados aos cães.
Na avaliação da proposta, o IACM teve em conta o local de alojamento, os espaços para actividades, condições de protecção e gestão no âmbito da alimentação e os trabalhos de adopção.
“A Yat Yuen prometeu que ia coordenar e cumprir os requisitos do IACM, procedendo, por ordem, à vacinação anti-rábica e esterilização dos galgos, portanto, o IACM considerou que a proposta submetida pela Yat Yuen fosse viável”, referiu o Instituto, acrescentando que, além disso, “tendo em consideração que os estabelecimentos teriam condições para o alojamento dos galgos depois de estarem sujeitos à obra de adaptação”, decidiu autorizar a prorrogação do prazo de reclamação dos galgos, por 60 dias, até 29 de Setembro.
Como condição, o IACM exige que a Yat Yuen comunique, com pelo menos, sete dias úteis de antecedência, contados a partir da data em que pretender reclamar os galgos, para o organismo confirmar se os “estabelecimentos” correspondem às disposições da Lei de protecção dos animais.
Neste tempo, todas as despesas resultantes de cuidados temporários dos galgos pelo IACM estão a cargo da Yat Yuen. Os animais têm de ser reclamados até ao prazo estabelecido e devem ser liquidadas todas as despesas, caso contrário volta a estar em causa o abandono dos animais.
Com esta viragem, concretizaram-se algumas das frases míticas da administradora da Yat Yuen, Angela Leong, que disse que os galgos poderiam ficar em sua casa ou com os seus amigos. Nas edições de 30 de Maio, Angela Leong foi citada dizendo: “Se o Governo nos puder ceder um local eu ficaria feliz em cuidar deles até ao fim das suas vidas”. Antes disso, a 3 de Janeiro, a TRIBUNA DE MACAU já tinha dado conta de outras promessas da empresária: “Se o proprietário não pretender o galgo e me quiser dar, então fico com ele (…) tendo dinheiro suficiente para criar centenas de galgos. E até posso comer menos para os galgos terem comida suficiente”. “Se apelar aos meus amigos, os galgos irão ser todos adoptados rapidamente”, acrescentou.
DSSOPT recebeu pedido
de mudança de finalidade
Ontem à noite, a DSSOPT confirmou que recebeu um pedido para mudar a finalidade do edifício no Pac On, que está agora a analisar.
Horas antes, o Chefe do Executivo também se pronunciou sobre o caso. “Depois de receber o pedido, tratamos o assunto consoante os procedimentos propostos. Só depois disso, podemos analisar, elaborar relatório e avançar com a próxima etapa”, sublinhou Chui Sai On, apelando à paciência da sociedade em relação ao assunto.
Presidente da ANIMA lamenta falta de visão das autoridades
Confrontado com a notícia de que o IACM apenas aceitou o plano de realojamento doméstico, não considerando viável a mudança para o Pac On, Albano Martins, presidente da ANIMA, mostrou-se claramente desiludido. “Acredito que seja a única solução, porque o que era suposto era o Centro Internacional de Realojamento, mas pelos vistos Macau não tem visão para isso. E portanto, vai-se encontrar um solução que não é a melhor de todas, mas é a possível para quem tem tirar os galgos de lá, ou seja Angela Leong”, disse à TRIBUNA DE MACAU. “Pelos vistos, não querem seguir a solução que ela apresentou. Dos males o menor, mas eu esperava a primeira solução. Isto só significa que, perante as situações que conhecemos todas, em que em edifícios industriais existem clínicas veterinárias, lojas de animais, associações de animais, companhias de dança, associações de crianças, centros de yoga e tudo mais, é ridículo que isto seja impedimento para fazer uma coisa de valor”, frisou em tom decepcionado. Apesar de tudo, Albano Martins admite não existirem dúvidas quanto ao papel da ANIMA no processo de adopção. “Está assente, os animais são entregues à ANIMA e contamos com a boa-fé das pessoas envolvidas. A única coisa que lamento é que se perda o que seria uma inovação a nível mundial e faria de Macau uma cidade mais moderna”.



