A Torre de Macau foi palco de um seminário co-organizado pela Associação dos Advogados e pela União Internacional de Advogados com o objectivo de trocar experiências e práticas de gestão e organização de escritórios de advocacia. Foi a primeira iniciativa desta natureza na RAEM

 

A Associação dos Advogados de Macau (AAM) e a União Internacional dos Advogados (UIA) organizaram, na sexta-feira e no sábado, na Torre de Macau, um seminário sobre “Gestão e Organização de Escritórios de Advocacia”.

“A iniciativa é para melhorar a qualidade do serviço prestado pelos advogados, dando-lhes instrumentos, ferramentas, para aumentarem a sua eficiência e produtividade dentro das regras da profissão”, explicou Jorge Neto Valente. No evento estiveram “especialistas em gestão do tempo dos advogados que permitem que os escritórios sejam organizados de uma maneira eficiente”. “No fundo, há aqui técnicas que são comuns a qualquer organização, mas a que os advogados normalmente não têm acesso e muitos aprendem à sua própria custa. Isso faz perder tempo e não permite dar um serviço tão adequado quanto as pessoas esperam”.

Em Macau é a primeira vez que se organiza um seminário desta natureza. “Há uma especialista do Reino Unido, um especialista que veio de Portugal, de um grande escritório de advocacia e que é vocacionado para esta actividade, um especialista de Hong Kong, e o presidente da UIA que, neste momento, por acaso, é português e que também vai presidir a um congresso no Porto em finais de Outubro”, explicou o presidente da AAM.

Neto Valente diz que participou no seminário também para aprender e trocar experiências. “Infelizmente tive de aprender muita coisa à minha custa”.

O actual presidente da UIA acredita que “longe vai o tempo em que o trabalho num escritório de advogados era uma profissão que não tinha o tipo de preocupações que hoje em dia tem qualquer prestação de serviços”. “Hoje em dia, a profissão de advogado é como qualquer outra mas requer uma série de competências em termos de gestão”, alerta Pedro Pais de Almeida.

O causídico acredita que entre os desafios actuais está a questão da inteligência artificial. “Há muitos colegas que se preocupam e acho que todos nos devemos preocupar com a inteligência artificial. Não acredito que os robots venham a tomar o lugar do advogado mas acredito que vão substituir uma boa parte das tarefas que os advogados executam actualmente”, anteviu o presidente da UIA.

“Nessa linha de pensamento, o mundo está em grande mudança e, obviamente, a gestão tem de ser encarada como uma ferramenta para o exercício da profissão de advogado no século 21”, acrescentou Pedro Pais de Almeida.

Já em 2014 a UIA organizou um congresso na RAEM que o presidente considerou “muito bem sucedido”, com mais de 1.000 advogados participantes, na sua maioria internacionais “provenientes dos quatro cantos do mundo”. No fundo, apontou, “Macau é sempre um porto seguro de abrigo para a UIA”.

 

I.A.