A Yat Yuen diz ter apenas 127 pedidos de adopção, na sua maioria de Macau, continuando a ignorar os que foram apresentados pela ANIMA. A deputada Agnes Lam alertou ontem para a alegada venda de galgos de Macau no Interior da China e criticou a atitude inadequada do Canídromo. A TRIBUNA DE MACAU descobriu que algumas lojas online da China já estão a vender galgos, alegadamente da RAEM, por milhares de renminbis. Outras associações defensoras dos animais continuam em silêncio sobre os riscos deste caso, indicando apenas que os cães são privados e só podem incentivar à adopção
Viviana Chan
A adopção de galgos na Companhia de Corridas de Galgos Macau (Yat Yuen) já estará a fomentar negócios de venda de animais do outro lado da fronteira. A deputada Agnes Lam disse ter recebido pedidos de ajuda no sentido de alertar para a alegada venda desses cães no Interior da China, depois de terem sido adoptados localmente.
Contactada pela TRIBUNA DE MACAU, uma das lojas online que vende cães, sediada em Pequim, garantiu “ter galgos que vieram de Macau”, todos de raça pura. Um galgo pode custar milhares de renminbis e o preço varia muito consoante a condição dos animais.
A loja em questão rejeitou revelar como conseguiu obter os galgos.
Uma segunda loja online publicou um anúncio publicitário, garantindo que tem 23 galgos para venda, todos saudáveis e de raça pura. Cada animal custa 5.000 renminbis.
Agnes Lam mostrou-se preocupada com o futuro dos galgos, uma vez que poderão ser usados para reprodução. Além disso, indicou que amigos seus ouviram falar da revenda de galgos nas acções de adopção no Canídromo.
Na sua página de Facebook, a deputada criticou o tratamento “não adequado da Yat Yuen, que ignorou os apelos emitidos pela associação de direitos dos animais, e que supostamente devia ter feito uma adopção para todo o mundo, mas só agora quando o tempo está a terminar é que fez actividades” desse tipo.
Agnes Lam salientou que agora é a última oportunidade para salvar os galgos. “Deve ser feita a castração antes de serem entregues ao adoptante. Para além disso, têm de confirmar que os adoptantes são verdadeiros e querem cuidar deles”, frisou.
Muitas associações de defesa dos direitos dos animais, como a Associação de Protecção dos Animais Abandonados de Macau (APAAM), a “Long Long Animals Asylum Home” e a “Everyone Strau Dogs Macau Volunteer Grupo”, que normalmente são muito activas no território têm-se mantido fora dos radares, sem campanhas nem comentários sobre a situação dos cães. Até agora, limitaram-se a partilhar notícias da Yat Yuen.
Questionada pelo Jornal TRIBUNA DE MACAU, a vice-presidente da APAAM, Josefine Lau, afirmou que não recebeu nenhum galgo nas suas instalações, nem tomou a iniciativa de tentar adoptar algum. “Apenas fiz apelos para as outras pessoas adoptarem, porque os cães são do Canídromo e não podemos interferir quando pertencem a alguém”, disse.
Já o responsável pela “Long Long” afirmou que as casas de acolhimento da associação não têm capacidade para receber o número total de galgos e criticou a falta de apoio do Governo. Nesse contexto, apenas incentivou as pessoas a adoptarem.
Macau é o maior destino de adopção
Num comunicado divulgado no seu site, a Companhia de Corridas de Galgos Macau (Yat Yuen) revelou ter recebido 127 pedidos de adopção: 72 de Macau, 39 de Hong Kong, 15 do Interior da China e um de Taiwan.
No final de Junho, o presidente da ANIMA, Albano Martins entregou à Yat Yuen 650 formulários de adopção, que tinham sido rejeitados pelo IACM, mas este balanço da empresa mostra que o Canídromo não está a contabilizar os pedidos apresentados pela ANIMA com adoptantes de Macau, Hong Kong e grupos internacionais.
A Yat Yuen indicou ainda que os adoptantes locais podem tratar dos documentos no Canídromo, porque o pessoal do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM) está convidado a tratar dos documentos no local. Quanto aos adoptantes fora de Macau, a Yat Yuen indicou que devem informar-se junto do IACM.
De acordo com a publicação de Hong Kong “HK01”, um adoptante da antiga colónia britânica não conseguiu fazer o licenciamento por ser necessária uma autorização de importação. Esta informação foi confirmada a este jornal por um funcionário da linha de atendimento do IACM.
Em comunicado difundido ao final da noite de ontem, o IACM acrescentou que a licença só pode ser concedida quando o adoptante obtiver uma autorização de importação do destino. Além disso, alertou os adoptantes estrangeiros que devem ter conhecimento do local de destino e ponderar os incómodos causados, porque antes de saírem de Macau precisam de permanecer na RAEM muito tempo e ainda têm de esperar novamente na quarentena do destino.
O referido adoptante, de apelido Chang, criticou o facto de ainda não existir um mecanismo especial de adopção, salientando que os serviços públicos de Hong Kong e de Macau estão a “passar a bola” uns aos outros.
De acordo com a página do Facebook “Save Greyhound in Macau”, um grupo de voluntários de Hong Kong preencheu 14 formulários de adopção e, ao mesmo tempo, está a pedir a ajuda de residentes de Macau para alojarem os galgos, temporariamente, enquanto esperam pelos documentos.



