Sete grandes accionistas das operadoras de jogo de Macau integram o novo “ranking” dos mais ricos do mundo, elaborado pela Forbes, com destaque para Sheldon Adelson (21º) e Lui Che Woo, que subiu 59 lugares para a 50ª posição. No intervalo de um ano, as fortunas dos principais investidores nos casinos locais cresceram 34%, ou seja mais 19,3 mil milhões de dólares americanos. A nível global, Jeff Bezos destronou Bill Gates
Sérgio Terra*
A recuperação das receitas dos casinos de Macau, com consequentes reflexos positivos nos resultados financeiros das operadoras e no valor das suas acções nos mercados de capitais, fez crescer novamente, e de forma expressiva, as fortunas dos principais investidores do sector do jogo no ano passado.
Sheldon Adelson (Las Vegas Sands), Lui Che Woo (Galaxy Entertainment), Pansy Ho (MGM China), Angela Leong (Sociedade de Jogos de Macau), Steve e Elaine Wynn (Wynn Resorts) e Lawrence Ho (Melco Resorts & Entertainment) voltam a figurar na lista dos mais ricos do mundo, elaborada pela revista Forbes pela 32ª vez. Segundo os dados analisados pela TRIBUNA DE MACAU, o total das fortunas dos sete accionistas de referência de operadoras com licenças para operar na RAEM aumentou 34% para 76 mil milhões de dólares americanos (613,2 mil milhões de patacas ao câmbio actual), em relação aos 56,7 mil milhões estimados em 2017.
Em termos colectivos trata-se do segundo crescimento anual consecutivo, depois da subida de 33,4% em 2017, que contrariou os decréscimos de 28% e 24,6% registados em 2016 e 2015.
De acordo com os dados da revista norte-americana, o estatuto de “rei do jogo” continua a pertencer a Sheldon Adelson, 21º da tabela mundial, com uma fortuna avaliada em 38,5 mil milhões de dólares. Relativamente a 2017, o presidente da Las Vegas Sands e da Sands China desceu um lugar, mas o valor dos seus activos aumentou na ordem dos 8,1 mil milhões.
Mas, Adelson deixou de ser o único magnata com ligação a Macau a integrar o “top 50” do “ranking”. Lui Che Woo, presidente da Galaxy Entertainment, subiu 59 lugares e surge agora na 50ª posição, com 20,1 mil milhões de dólares. Em 2017, a sua fortuna atingia 12,1 mil milhões.
Pansy Ho, co-presidente da MGM China, também teve boas razões para sorrir no ano passado: subiu 49 posições para a 365ª e a contabilidade cresceu de 4,2 para 5,3 mil milhões. Já Angela Leong, directora executiva da SJM, viu a sua fortuna recuar de 4,1 para 3,7 mil milhões e desceu 179 lugares para o 606º.
Apesar de renunciado à presidência da Wynn Resorts em Fevereiro, após ter sido acusado de agressões sexuais por várias mulheres, Steve Wynn continua a tirar dividendos do facto de deter 12% do capital da empresa. No intervalo de um ano, o magnata que teve um papel determinante na revitalização de Las Vegas saltou 135 degraus para a 679ª posição e o seu pecúlio financeiro atingiu 3,4 mil milhões, contra 2,5 mil milhões em 2017.
Por sua vez, a ex-esposa, Elaine Wynn, com a qual mantém uma longa batalha judicial, ocupa o 965º lugar, com 2,5 mil milhões, em igualdade com Lawrence Ho, presidente da Melco Resorts & Entertainment. Em 2017, os montantes estimados pela Forbes eram ligeiramente inferiores: 1,8 mil milhões para Elaine Wynn e 1,6 mil milhões para Lawrence Ho.
Bezos destrona Gates
O norte-americano Jeff Bezos, fundador e presidente da Amazon, foi considerado o mais rico do mundo, com 112 mil milhões de dólares. Bezos, de 54 anos, alcançou uma inédita avaliação de 12 algarismos e destronou Bill Gates, que encabeçou a lista 18 vezes nos últimos 24 anos e tem agora uma riqueza avaliada em 90 mil milhões.
Nas posições seguintes estão o norte-americano Warren Buffet (84 mil milhões) e o francês Bernard Arnault (72 mil milhões). O fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, aparece em quinto, com 71 mil milhões de dólares, à frente de Amancio Ortega, criador do grupo têxtil Inditex, dono da cadeia de venda a retalho Zara, e do magnata mexicano Carlos Slim.
A única fortuna portuguesa na lista é a de Maria Fernanda Amorim, viúva do empresário Américo Amorim, com 5,1 mil milhões.
Dois empresários do sector tecnológico da China Continental entraram no “top 20” pela primeira vez. Ma Huateng é o mais rico da Ásia e 17º no mundo, em grande parte devido ao sucesso do WeChat. Jack Ma, 20º do ranking mundial, lidera o gigante do comércio electrónico Alibaba, cujas acções aumentaram 76% num ano.
A lista de 2018 integra 2.208 pessoas com uma fortuna superior a mil milhões de dólares – mais 165 do que em 2017 – incluindo 256 mulheres (mais 29).
O Presidente dos EUA, Donald Trump, com uma fortuna de 3,1 mil milhões, caiu da 544ª posição para a 766ª, após um ano em que “perdeu” 400 milhões de dólares.
Para elaborar a lista, a Forbes contabiliza o valor das acções e aponta que a subida nos mercados e o aumento das matérias-primas foram factores fundamentais para a criação de mais riqueza no mundo.
As fortunas dos magnatas do jogo
Sheldon Adelson – 38,5 mil milhões USD (21º)
Lui Che Woo – 20,1 mil milhões USD (50º)
Pansy Ho – 5,3 mil milhões USD (365º)
Angela Leong – 3,7 mil milhões USD (606º)
Steve Wynn – 3,4 mil milhões USD (679º)
Elaine Wynn – 2,5 mil milhões USD (965º)
Lawrence Ho – 2,5 mil milhões USD (965º)
* Com Lusa



