O administrador da TDM John Lai está a ser julgado por suspeitas de abuso de poder por ter utilizado os serviços do motorista do presidente do Conselho de Administração a título pessoal. Todavia, na sessão de alegações finais, a acusação e a defesa foram unânimes em considerar que, afinal, este caso não envolve elementos criminais

 

Viviana Chan

 

John Lai, um dos oito membros do Conselho de Administração da Teledifusão de Macau (TDM), está a ser julgado no Tribunal Judicial de Base (TJB) por suspeitas de abuso de poder. Porém, durante as alegações finais, a acusação reconheceu que este caso não envolve elementos criminais, uma tese suportada, obviamente, pela defesa que reiterou a inocência de John Lai, segundo o jornal “Ou Mun”.

O arguido, que usou apenas da palavra antes das alegações finais, classificou as acusações como sendo um “drama”. Segundo o mesmo jornal, Lai foi acusado de abuso de poder por alegadamente ter instado o motorista – contratado pela TDM – a ajudá-lo a resolver assuntos pessoais, nomeadamente comprar o pequeno-almoço, levantar encomendas aos Correios e limpar o seu carro pessoal, entre outras tarefas.

De acordo com a acusação, John Lai terá ainda viajado até aos EUA, em trabalho, mas acabou por ficar mais dias em regime de férias tendo alterado o bilhete do voo de regresso que tinha sido adquirido pela empresa. Além disso, a acusação alega que, de acordo com os Estatutos da TDM, só o presidente do Conselho de Administração usufrui do direito a motorista privado, porém, Lai teria tirado partido dessa regalia (que não se coadunava com as suas funções) e instruído o motorista do presidente do Conselho de Administração para, por exemplo, ir comprar pequeno-almoço, limpar, arranjar o carro particular e levantar encomendas nos Correios de Coloane.

Em tribunal, o motorista admitiu ter ajudado o arguido a cumprir determinadas tarefas. Porém, garantiu que todos esses serviços eram do conhecimento do presidente do Conselho de Administração da TDM.

Todavia, a acusação reconheceu que a TDM não tem uma regra clara sobre alterações de bilhetes de avião até porque, admitiu, o arguido acabou por pagar a diferença de preço. Quanto ao tratamento de assuntos pessoais, a acusação admitiu não haver indícios criminais porque a empresa não prevê de forma clara o âmbito de funções dos administradores.

O TJB ouviu ainda outros dois condutores que acompanharam o arguido sempre a título profissional, ou seja, nunca para tratar de assuntos pessoais.

Também foi ouvido Victor Chan, director do Gabinete de Comunicação Social, e um dos administradores da TDM. Nessa audiência, indicou que os administradores têm como principais tarefas assistir e participar em reuniões, pelo que as respectivas exigências devem ser distintas.

Já Frederico do Rosário descreveu este alegado comportamento como sendo “anormal”, uma vez que os recursos disponibilizados pela empresa não devem ser usados de livre vontade nem para interesses do foro pessoal.