Entre Janeiro e Junho, a DSAL deu conta de 2.482 acidentes de trabalho, uma subida de 3,3% em relação ao mesmo período do ano passado. Nesse período, morreram duas pessoas vítimas de acidente laboral. As “quedas” e o “entalamento” figuram entre as situações que mais provocam acidentes no trabalho. Segundo o organismo governamental, os sectores mais afectados foram os das actividades culturais e recreativas, lotarias e outros serviços, assim como o dos hotéis, restaurantes e similares, perfazendo 57% do total
Catarina Pereira
O número de acidentes de trabalho registado na primeira metade do ano subiu 3,3%, em termos anuais, para um total de 2.482, de acordo com os dados estatísticos disponibilizados pela Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) e consultados pelo Jornal TRIBUNA DE MACAU. Em dois casos, os acidentes provocaram a morte dos trabalhadores, porém, o organismo ressalva que os dados relativos aos acidentes mortais serão revistos de acordo com as sentenças proferidas pelo Tribunal. Em ambos os casos, a DSAL garante que “não foram detectadas infracções às normas de segurança e saúde ocupacional”.
Num total de 2.479 casos, as vítimas ficaram com incapacidade temporária, tendo-se registado uma pessoa que ficou com incapacidade permanente após o acidente. Além disso, 269 indivíduos voltaram ao serviço no mesmo dia da ocorrência da situação.
A maioria dos acidentes envolveu “queda de pessoas”, num total de 648 casos, dos quais 522 foram quedas em terreno plano e 126 quedas em altura. O “entalamento num ou entre objectos” somou 483 situações, enquanto os “esforços excessivos ou movimentos falsos” causaram 433 acidentes laborais no primeiro semestre de 2026.
Verificaram-se igualmente casos de “marcha sobre ou choque em objectos” (359), “ferimentos causados por meios de transporte” (130) – dos quais 84 aconteceram na execução da actividade laboral e 46 durante a utilização de meio de transporte fornecido pelo empregador na ida para o local de trabalho ou no regresso -, “queda de objectos” (109) e “exposição ou contacto com temperaturas extremas” (80). Outros casos, não especificados, foram 187.
De notar ainda que houve 27 casos em que se registaram “ferimentos causados por animais”, 22 relativos a “exposição ou contacto com substâncias nocivas ou radiações” e quatro devido a “exposição ou contacto com a corrente eléctrica”.
Noutro ângulo, os dados da DSAL indicam ainda que 776 casos ocorreram no sector das actividades culturais e recreativas, lotarias e outros serviços, e 630 nos hotéis, restaurantes e similares. No seu conjunto, os acidentes nestes dois sectores representaram quase 57% do total.
Trabalhadores de outros sectores, não detalhados, foram afectados com 378 situações de acidentes de trabalho. Mas os acidentes laborais aconteceram também nas áreas do comércio por grosso e a retalho (145 casos), actividades imobiliárias e serviços prestados às empresas (134), transportes, armazenagem e comunicações (111), e construção (95), entre outros. No campo do trabalho doméstico houve registo de 43 acidentes laborais entre Janeiro e Junho.
Ainda de acordo com os dados da DSAL, as “mãos” foram a parte do corpo mais atingida (647 casos), seguindo-se “mais do que uma parte do corpo” (449), os “pés” (371) e o “tronco” (360). Os “membros inferiores” sofreram em 195 acidentes laborais, ao passo que a “cabeça” foi atingida em 168. Registaram-se ainda ferimentos nos “membros superiores” num total de 122 casos. Os “olhos” e o “pescoço” foram atingidos em 57 e 15 situações, respectivamente.



