Apesar da TCM ser a operadora de autocarros públicos com mais acidentes por culpa dos seus condutores, é a Transmac que apresenta um aumento substancial, de um quinto, nos primeiros nove meses deste ano. Dados oficiais mostram que os acidentes ocorridos nesse período superaram o total de 2017. Por outro lado, as duas companhias receberam 796 milhões de patacas em assistência financeira e 392 milhões em receitas dos bilhetes

 

Liane Ferreira

 

Entre Janeiro e Setembro de 2018, registaram-se 653 acidentes de autocarros imputáveis às operadores, número superior aos 609 verificados em todo o ano de 2017. Deste modo, as autoridades contabilizaram um acréscimo de 7,2% nessas ocorrências.

Do total de acidentes registados até Setembro, 396 foram atribuídos à TCM, que desde Agosto se fundiu com a Nova Era, pelo que absorveu também o seu histórico de acidentes. Esta companhia tem uma média de dois acidentes por cada 100 mil quilómetros.

Apesar dos acidentes imputáveis à Transmac serem inferiores aos da TCM, totalizando 257 ocorrências nos três primeiros trimestres do ano, a empresa dos autocarros amarelos sofreu um aumento anual de 20,1%. Além disso, até Setembro de 2018, o número de casos por 100 mil quilómetros passou de 1,3 para 1,5, representando um acréscimo de 15,4%.

O troço da Rua do Campo, em direcção à Avenida de Horta e Costa, junto da Associação Geral das Mulheres de Macau, Colégio de Santa Rosa de Lima e Escola Pui Tou, está no topo da lista dos 32 pontos negros dos acidentes de viação das operadoras de autocarros. Em segundo e terceiro lugares surgem o troço da Avenida de Horta e Costa, em direcção ao Mercado Vermelho na Escola Pui Ching, e a Avenida de Horta e Costa (entre a Escola Pui Ching e a Rua de Francisco Xavier Pereira).

 

Assistência do Governo rendeu 796 milhões

Segundo os dados dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT), entre Janeiro a Outubro do ano corrente, a assistência financeira do Governo atingiu 796 milhões de patacas, enquanto as receitas das tarifas dos bilhetes cifraram-se em 392 milhões. Com o apoio e as receitas dos bilhetes, as operadoras de autocarros facturaram 1,18 mil milhões de patacas.

Nos 10 primeiros meses deste ano, a Transmac recebeu 395 mil patacas em subsídios do Executivo e 183 mil em receitas dos bilhetes. Já a TCM contabilizou 230 mil em assistência financeira e 115 mil em bilhetes. Até à fusão com a Nova Era, a TCM empresa recebeu 169 milhões de patacas em apoios financeiros, correspondentes a sete meses de operação.

Em termos de utilização do serviço, 1,06 milhões de pessoas usaram os autocarros públicos até Setembro, o que representa uma média de 58,08 mil passageiros por dia e uma taxa de crescimento anual do número médio diário de 1,22%.

No ano transacto, os autocarros serviram 2,11 milhões de passageiros, consolidando a tendência de crescimento desde 2011, quando 1,37 milhões usavam o serviço, a uma média diária de 37,1 mil pessoas.

No entanto, a análise ao terceiro trimestre do ano reflecte um decréscimo de 0,62% no número total de passageiros transportados para cerca de 52,9 milhões, em comparação com o período homólogo de 2017. O número médio diário de frequência também caiu 11,93% para cerca de 9.254 em termos anuais.