Uma residente morreu após ter sido atropelada por um carro, impulsionado por um autocarro da Nova Era que terá perdido o controlo e embatido no ligeiro. O acidente envolveu cinco veículos. A companhia de autocarros afastou a possibilidade de ter ocorrido uma avaria mecânica e as autoridades indicaram que os cinco condutores envolvidos passaram no teste alcoólico
Rima Cui
Um autocarro da Nova Era colidiu ontem de manhã, pelas 9h00, com um automóvel ligeiro na Rua de Francisco Xavier Pereira, tendo causado o atropelamento de uma transeunte na passadeira, que acabou por falecer. A vítima fatal era uma residente de 67 anos de idade.
O acidente grave envolveu um autocarro e quatro automóveis ligeiros. Segundo o Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP), o autocarro em causa terá embatido no carro da frente, devido a uma confusão entre acelerador e travão. Enquanto a mulher atravessava a passadeira foi atropelada e o carro que a atingiu bateu no da frente e outros dois que estavam parados.
No acidente, outro condutor ficou preso na viatura, obrigando os Bombeiros a proceder ao desencarceramento. O motorista de 54 anos foi encaminhado para o hospital consciente. Segundo a polícia, os cinco condutores passaram no teste alcoólico.
Em reacção, a companhia de autocarros Nova Era afirmou que o motorista do autocarro tem 32 anos e possui carta de condução há nove meses, acabando de voltar de férias. Para além de apontar que tudo estava dentro dos parâmetros normais no teste anual do condutor, a Nova Era salientou que o autocarro envolvido foi sujeito a manutenção no final do mês passado.
O autocarro de seis anos passou nos exames da inspecção anual do Governo no final de 2017, indicou a companhia, defendendo que a investigação preliminar afastou a existência de problemas mecânicos no autocarro.
A Nova Era garantiu que vai investigar o motivo do acidente e rever e reforçar as medidas de segurança.
DSAT suspende condutores em part-time
No seguimento do acidente mortal de ontem, a Direcção dos Serviços de Assuntos de Tráfego (DSAT) fez saber que recebeu o relatório da Nova Era e exigiu a revisão das medidas de segurança e a apresentação de um plano de melhorias no mais curto prazo possível. Para além disso, deu ordens com vista à suspensão de funções de condutores que não tenham contratos a tempo inteiro. Lamentando o sucedido, o organismo salientou que as companhias de autocarros devem garantir de forma apropriada a segurança dos passageiros e peões. De acordo com dados das autoridades policiais, até Novembro registaram-se 778 acidentes atribuídos a empresas de autocarros, o que significa que por cada 100 mil quilómetros de circulação verificou-se uma média de 1,8 casos de acidentes, menos 10% do que em 2016 (dois acidentes). A DSAT exortou as companhias a melhorarem a formação dos condutores e a fazerem uma revisão abrangente do sistema de exames médicos dos condutores. Para além disso, pediu às transportadoras para escolherem condutores com bom comportamento para efectuarem as viagens na Ponte Governador Nobre de Carvalho, reforçando a supervisão.
L.F.



