Após a publicação de um artigo no Wall Street Journal sobre “décadas de má conduta sexual” por parte de Steve Wynn, as acções do grupo Wynn Resorts, que estavam em alta no início da sessão da bolsa de Nova Iorque, fecharam em queda de cerca de 10%. O jornal não reporta acusações envolvendo pessoal de Macau, onde a Wynn tem dois casinos
Um relatório de mercado do Deutsche Bank nota que o escândalo dá a oportunidade de comprar as acções do grupo a preços mais baixo a curto prazo, mas que a médio e longo prazo poderá não ter grande impacto.
“Não sabemos claramente qual a direcção da história, nem qual o impacto que terá nas acções (…) Acreditamos que uma parte substancial do artigo já era do conhecimento da empresa/direcção muito antes de hoje. Assim, não ficaríamos surpresos de ver mais acompanhamento do caso ou potenciais novas revelações, como tem sido o caso em outras circunstâncias semelhantes”, nota o relatório do banco.
A Comissão de Jogo de Massachusetts e a Comissão de Controlo do Jogo do Nevada vão investigar de forma independente as alegações do artigo.
Tendo começado como proprietário de um pequeno grupo de salas de bingo no nordeste dos Estados Unidos, Steve Wynn construiu um império do jogo com o seu nome, em que se incluem, nomeadamente, os casinos Mirage e Bellagio, em Las Vegas. Actualmente, já não é proprietário destes dois últimos casinos nem de Treasure Island, no entanto tem dois em Macau e está a construir outro de 2,4 mil milhões na área de Boston.
Mais de 150 trabalhadoras queixaram-se ao WSJ
O magnata norte-americano dos casinos Steve Wynn é acusado de agressão sexual por várias empregadas do seu grupo, incluindo ter obrigada uma manicura a ter relações sexuais. Os testemunhos foram recolhidos pelo Wall Street Journal e as acusações desmentidas pelo próprio e pela Wynn Resorts.
O Wall Street Journal diz ter contactado mais de 150 trabalhadores ou ex-funcionários da Wynn, tendo recolhido dezenas de depoimentos que apontam para “um padrão de má conduta sexual ao longo de décadas”, sendo que alguns apresentaram descrições de pressão para fazer actos sexuais.
Num dos casos, uma manicura casada alega ter sido obrigada a fazer sexo com o patrão, em 2005. A funcionária terá regressado ao trabalho em lágrimas e além de ter contado aos colegas apresentou queixa no departamento de recursos humanos. Mais tarde, a empresa chegou a acordo com ela por 7,5 milhões de dólares.
Outra ex-massagista disse que Wynn pediu para ser masturbado numa das sessões e depois passou a ser parte da sessão normal durante meses, porque ele era seu patrão. Outra ex-funcionária dá conta de um encontro semelhante, em que Steve Wynn terá também verbalizado que tipo de comportamento sexual gostaria de ter com ela, tendo-a agarrado pela cintura e pedido para o beijar.
“O contraste entre a posição de Wynn e as empregadas do salão e do spa é drástica. Antigas funcionários disseram que a consciência do poder que Steve Wynn tem em Las Vegas e o facto de saberem que os trabalhos que tinham eram dos mais bem pagos na cidade, criou um sentimento de dependência e intimidação quando ele fazia pedidos” lê-se na notícia, onde é acrescentado que esse sentimento pesava mais quando estavam no espaço limitado do escritório com um ou mais pastores alemães treinados para responder a ordens suas em alemão.
Além disso, muitos dos entrevistados tiveram medo de falar, devido a receios de que pudesse danificar a possibilidade de trabalharem noutros locais, devido à influência de Steve Wynn na indústria dos casinos e no Estado.
Um antigo director artístico do salão afirmou que “toda a gente ficava petrificada” com o comportamento e várias empregadas reportaram a executivos da empresa que os “avanços sexuais: estavam a causar problemas, mas “ninguém ajudou”.
Antigos funcionários relatam marcações falsas feitas para tentar ajudar colegas do sexo feminino evitando as marcações de Steve wynn ou mesmo de pedidos de presença de outras pessoas nas sessões para não ficarem sozinhas com ele.
É de referir que o artigo do Wall Street Journal não faz quaisquer referência a casos no território.
A culpa é da ex-mulher
Em resposta Steve Wynn disse: “a ideia de que eu assediei qualquer mulher é absurda”. Além disso, numa reacção à agência AFP, afirmou que se vive num mundo onde as pessoas podem fazer alegações sem se preocuparem com a verdade e “uma pessoa é deixada com a escolha de sobreviver a essa publicidade difamadora ou de se meter em processos judiciais durante vários anos”.
Por sua vez, Wynn acusou a ex-mulher Elaine de estar na origem de tais acusações, com o intuito de beneficiar no processo que trava contra ele, exigindo a revisão das condições do divórcio.
“As recentes alegações sobre o Sr. Wynn reflectem as alegações feitas em tribunal por Elaine Wynn na batalha legal contra o Sr. Wynn e a empresa. É claro que a ex-mulher do Sr. Wynn procura usar uma campanha negativa de relações públicas para conseguir o que não tem conseguido atingir nos tribunais: manchar a reputação numa tentativa de pressionar a revisão das condições de divórcio”, refere um comunicado da Wynn Resorts. Além disso, a empresa garante dar aos funcionários formação anti-assédio obrigatória e ter uma aberto uma linha telefónica para denúncias, que nunca recebeu qualquer chamada sobre Steve Wynn.
O Conselho de Administração da Wynn Resorts formou uma comissão especial para investigar as alegações de assédio sexual contra o fundador e CEO. Em comunicado, foi referido que a comissão será “composta apenas por directores independentes” que vão analisar as acusações do Wall Street Journal.
Patricia Mulroy, membro da comissão de gestão e de “compliance” vai liderar a nova comissão, que “está profundamente comprometida em garantir a segurança e o bem-estar de todos os funcionários da companhia, bem como em operar segundo o mais elevado nível de padrões éticos”.
Por seu lado, apesar do porta-voz de Elaine Wynn ter rejeitado fazer comentários, o seu advogado salientou que a ideia de que a sua cliente fomentou as alegações do jornal “não é verdade”.
O magnata controla cerca de 11,8% do capital da Wynn Resorts, ao passo que a ex-mulher detinha cerca de 9,4% no final de 2016, segundo o relatório anual do grupo. De acordo com o valor das acções no encerramento da sessão de quinta-feira, a participação de Steve Wynn vale 2,4 mil milhões de dólares e a de Elaine corresponde a 1,9 mil milhões de dólares.
O casal deu pela primeira vez o nó em 1963 e divorciou-se em 1986, tendo voltado a casar em 1991 até 2010. No segundo divórcio, a ex-mulher processou o marido em 2016 procurando ganhar controlo sobre os 7,4% de acções que detém na Wynn Resorts, acusando o ex-marido de ter quebrado um acordo de 2010.
Wynn demite-se de cargo de chefe de finanças do Partido Republicano
Face às acusações de assédio sexual, Steve Wynn que também ocupava o cargo de responsável das finanças do Partido Republicano norte-americano, demitiu-se. De acordo com o site informativo Politico, o magnata dos casinos acedeu ao cargo depois de Donald Trump ter chegado a Presidente e a demissão já foi aceite pela líder partidária, Ronna McDaniel.
JTM com agências



