Depois da direcção do IPM ter avançado que pretende processar o antigo professor David Quartermain por difamação, o académico veio a público apresentar documentos relativos às queixas de assédio, comportamento agressivo e mau desempenho profissional de outro docente do Centro de Inglês Bell, motivadoras das revelações iniciais
Liane Ferreira
No seguimento de declarações do presidente do Instituto Politécnico de Macau (IPM) de que a instituição iria apresentar queixa por difamação no Ministério Público contra o antigo subdirector do Centro de Inglês Bell, este voltou à praça pública para apontar o dedo ao Instituto.
Numa carta às redacções, David Quartermain escreve que “o IPM reagiu rapidamente com ameaças de acções legais numa tentativa de parar revelações adicionais”.
“Em vez do IPM ter respondido a questões levantadas sobre a falta de monitorização dos professores ou o porquê do mau feedback dos alunos não ter qualquer efeito na renomeação de um professor, o presidente do IPM focou a sua atenção na minimização das queixas contra o professor do centro Dave Winston Hill, alegando que as queixas não chegam a ser de assédio sexual”, diz o académico.
David Quartermain explica de seguida que em Maio de 2014 e Novembro de 2015 notificou a direcção do IPM de alegações tanto de estudantes como de professores relativamente a Dave Hill.
No leque de queixas apresentadas pelo ex-director encontra-se uma de professores de Xinjiang que participavam num curso de formação e que além da má qualidade de ensino do docente, começaram a receber visitas no dormitório pelo mesmo, sem que fossem avisadas, quando já estavam vestidas de pijama.
Noutro caso envolvendo uma colega do sexo feminino, o professor era acusado de “bullying” verbal, comportamentos rudes, brutos e hostis, que chegavam a causar mau estar entre todos os docentes do centro. Numa das situações, terá envergonhado a professora em frente de toda a turma. Uma assistente de 21 anos também se queixou de comentários feitos em relação ao seu corpo, por isso apenas visitava o centro quando o docente não estava.
Alunos do centro queixaram-se de ser “óbvio que o professor não estava a ter um desempenho profissional”, tendo-lhes faltado ao respeito. Os estudantes diziam mesmo ter “medo de ter aulas, devido à sua maneira de estar e de ensinar”. “Não nos sentimos seguros a ter aulas com ele”, disseram.
No final, o docente em causa foi classificado com uma nota de 3.90 pontos em 10, e outra professora teve de leccionar uma aula de compensação aos alunos, cuja avaliação foi de 9 pontos.
Noutra troca de e-mails sobre os colegas de trabalho, o professor em causa disse ter “de tomar conta de criaturas patéticas” e “aconselhar quatro suicidas nessa equipa”.
Face aos documentos apresentados, David Quartermain salienta ser de facto um caso de assédio sexual que devia causar mais preocupação ao IPM.
Recorde-se que o caso rebentou na semana passada, depois de uma entrevista de David Quartermain ao diário em língua inglesa “Macau Daily Times”, onde acusou o IPM de negligência e má administração, incluindo ausência de avaliação dos comportamentos dos professores e até a falta de tratamento de casos de assédio sexual.



