A futura Academia de Medicina deverá ter por base a aplicação de “princípios rigorosos e de reconhecimento” dos especialistas antigos e um programa de formação “mais padronizado”, parcialmente alicerçado na entidade homóloga de Hong Kong. Ao mesmo tempo, com a Academia espera-se que o regime de internatos médicos seja “mais regular e ordenado”

 

Uniformizar o regime de internatos médicos complementares entre os sectores público e privado, permitindo que o sistema de formação seja implementado de uma forma “mais regular e ordenada”, é um dos objectivos associados à futura Academia de Medicina. Isto porque, enquanto que no hospital público o regime de internatos tem por base referências do sistema português, o Hospital “Kiang Wu” baseia-se no modelo de formação do Interior da China.

Contudo, para “definir e conceber o futuro programa de internatos médicos complementares é necessário ouvir as opiniões dos médicos dos respectivos serviços especializados hospitalares”, referiu Lei Chin Ion, presidente do Conselho para os Assuntos Médicos, durante a última reunião onde foi abordado o regime de internatos como a futura Academia de Medicina.

Para “melhorar o programa de formação” será organizado um seminário a curto prazo com a presença de médicos de três hospitais. Essas opiniões serão posteriormente analisadas pelo Grupo de Trabalho de Organização para aplicar no processo de construção da Academia de forma mais ordenada. No futuro, os médicos do sector privado que pretendam entrar nos internatos médicos complementares poderão fazê-lo através de prova, disse Lei Chin Ion.

Concordando unanimemente com a “necessidade e a urgência” da criação da Academia, os membros do Conselho entendem que esta irá “promover o desenvolvimento dos cuidados de saúde especializados em Macau, criando condições mais favoráveis ao planeamento de carreira de jovens médicos, aumentando a confiança e reconhecimento do nível de cuidados de saúde especializados de Macau por parte dos residentes”.

Outra questão abordada prendeu-se com o reconhecimentos dos especialistas antigos. Para Lei Chin Ion é preciso analisar com “cautela” esta questão pelo que a futura Academia deverá “defender princípios rigorosos e de reconhecimento, devendo ter critérios de avaliação” perante estas questões. Até porque “no início, os médicos privados de Macau eram principalmente provenientes do Interior da China”. “Já tinham realizado trabalhos especializados em hospitais da China, mas não tinham um regime de formação padronizado. Ou seja, após ingressarem em Macau e exercerem em clínicas privadas, será que podem ou não receber a qualificação de médico especializado?”, questionou Lei Chin Ion.

Por sua vez, o assessor do grupo de trabalho da criação da Academia de Medicina, Lai Fok Meng, acrescentou que o futuro programa de formação de médico especialista deverá ser “mais padronizado”. Segundo apontou, o conteúdo do planeamento básico terá como referência o modelo da Academia Médica de Hong Kong, mas “não será integralmente aplicado, uma vez que poderá não ser coerente com a situação real em Macau”. Por isso, “haverá ajustamentos após audição das opiniões dos departamentos de especialidades hospitalares”, disse.

Lai Fok Meng e Hung Chi Tim – médico especialista de anestesiologia há mais de 30 anos e com várias funções desempenhadas em comissões da academia da RAEHK – “irão desempenhar um papel importante na organização da Academia Médica”, referem os SSM.

Nesta fase, o grupo especializado de médicos – subordinado ao Conselho – já estabeleceu preliminarmente 34 especialidades com base no regime legal de formação de internatos médicos complementares sendo que os ajustes serão feitos “tendo em conta as necessidades futuras da medicina de especialidades em Macau”.

Ao mesmo tempo, tendo em consideração que a formação especializada nos hospitais públicos e privados “não é unificada e existem problemas de transição dos especialistas existentes”, foi realizada uma análise aprofundada destes assuntos, e as sugestões foram entregues ao Grupo de Trabalho de Organização da Academia Médica de Macau para acompanhamento e estudo.

Recorde-se que o projecto de lei do Regime de Qualificação e Inscrição para o Exercício da Actividade dos Profissionais de Saúde, está na fase legislativa para que se iniciem os trabalhos de consulta do projecto dos diplomas complementares, nomeadamente os relacionados com a Academia Médica e o regime de acreditação de especialidades.

 

Laboratório de Saúde Pública elevado a instituição de avaliação internacional

O Laboratório de Saúde Pública dos Serviços de Saúde recebeu a qualificação de Acreditação de Laboratórios Clínicos ISO15189, indicaram os Serviços de Saúde (SSM). A classificação surge após uma visita do Conselho Nacional de Acreditação para a Avaliação da China. Segundo os SSM, através desta classificação pode-se provar que o laboratório “atingiu o nível de reconhecimento de instituição de avaliação internacional, aumentando o reconhecimento de resultado de exame de análise laboratorial”.

 

C.A.