Wong Ka Long, Eric Fok e Cai Guo Jie vão dar a conhecer ao público de Florença a mestria artística de Macau, numa exposição conjunta no “Le Murate” e aprovada pelo “Comune di Firenze”. Composta por 48 obras, a mostra “A impossível tulipa negra” será inaugurada a 3 de Maio

 

A associação “Macau Visual Art Student Zone” organizou uma exposição conjunta de três artistas de Macau, nomeadamente Wong Ka Long, Eric Fok e Cai Guo Jie, em Florença.

A exposição “A impossível tulipa negra” foi planeada pela curadora de renome Livia Dubon Bohlig e irá inaugurar a 3 de Maio no centro de arte contemporânea ”Le Murate”. A mostra foi aprovada pela “Comune di Firenze”, por isso, faz parte do programa artístico da cidade.

O nome dado à exposição refere-se ao primeiro mapa-mundi chinês desenhado em estilo europeu. “Os mapas e as identidades  têm um relação muito profunda. Como uma forma crucial de visualização das fronteiras nacionais, os mapas têm sido ligados à identidade nacional desde o início do nacionalismo moderno. No entanto, este mapa cria uma combinação de Ocidente e Oriente, desfocando os conceitos comuns de identidade”, diz a organização, notando que o mapa foi mandado pintar a pedido do Imperador Wanli, em 1602. Além disso, foi desenhado pelo missionário italiano Matteo Ricci, Zhong Wentao e o tradutor Li Zhizhao. Foi chamado de tulipa impossível pela sua “raridade, importância e exotismo”.

A exposição inspira-se na cartografia para explorar as áreas cinzentas entre o Ocidente e Oriente, aceitando as linhas de continuidade, mas também de disrupção entre as duas culturas, para discutir as ideias de exotismo de ambas as partes.

Assim, Ka Long Wong apresenta uma colecção de 25 capacetes militares pintados e desnudados da frieza dos conflitos armados onde são vistos.

Por sua vez, Eric Fok analisa o território antigo, numa interligação de Ocidente e Oriente, de modernidade construída em camadas de património histórico. Com os seus edifícios do presente num mapa aparentemente do passado, o artista cria uma cartografia melancólica e alternativa, entre a ficção e o real.

Já Guo Jie Cai apresenta um trabalho conceptual onde é explorado o conceito de pertença e de posse, no sentido em que não é a terra que nos pertencem, mas sim nós a ela.

A exposição é patrocinada pelo Instituto Cultural de Macau e apoiada, por exemplo, pelo “Le Murate Progetti Arte Contemporanea”, Instituto Confúcio de Florença e Instituto Camões. Estará disponível até 3 de Junho.

 

L.F.