Na 9ª edição do “Sound & Image Challenge”, a curta-metragem “A Drowning Man” foi a grande vencedora da noite. Lúcia Lemos traça um balanço positivo do Festival que voltou a superar expectativas

 

Catarina Almeida*

 

A curta-metragem “A Drowning Man”, do realizador dinamarquês-palestiniano Mahdi Fleifel, conquistou o prémio de melhor filme da 9ª edição do festival internacional “Sound & Image Challenge”.

O grande júri considerou que “A Drowning Man”, filme que esteve em competição no festival de Cannes no ano passado, é um “retrato oportuno e intemporal do desespero e isolamento sem esperança num país estranho”, uma “pequena obra-prima” que se destaca da “recente onda de curtas-metragens sobre refugiados”.

“Silent Campine”, do belga Steffen Geypen, venceu o prémio de “melhor ficção” ao levar o “espectador a um mundo obscuro desprovido de valores e regras”. O júri descreveu a “curta” como uma “representação poderosa de um complicado relacionamento entre pai e filho”.

Concluída mais uma edição, a directora do Festival, Lúcia Lemos, traça um balanço positivo no quadro de um projecto que todos os anos tem ultrapassado as expectativas. “Posso dizer que foi tudo excelente quer em termos de audiência como de participação dos realizadores que este ano foram mais de 40 de várias partes do mundo. O número dos prémios em dinheiro foi o mesmo, acrescentámos seis prémios de prestígio para as “curtas” e dois para os vídeos-musicais”, disse, em declarações à TRIBUNA DE MACAU.

Segundo observou, as sessões de exibição dos 72 filmes contaram com boa adesão. Em média, “cerca de 30 a 40 [pessoas] por sessões e nalgumas, que até contei, ultrapassou as 100”. Uma das componentes em destaque foram as masterclasses – parte do Festival que teve início na última edição. Um momento deste evento que para Lúcia Lemos é para continuar. “No ano passado tiveram alguma adesão mas este ano foi muito maior. Numa masterclass, pelo menos, a sala ficou cheia. Portanto, isto é para continuar, naturalmente, porque nota-se que as pessoas têm interesse”, disse.

“Mesmo que os locais não tenham muito interesse – porque as pessoas trabalham ou estão noutros projectos que as impedem de ir – para os finalistas é muito importante porque aprende-se sempre. A adesão foi óptima dentro daquilo que já conhecemos de Macau”, realçou Lúcia Lemos.

Ainda ao nível da competição, um dos grandes vencedores foi também o jovem local Kin Kuan Lam devido aos três prémios que arrecadou com “Illegalist”: melhor realizador, filme local e identidade cultural de Macau.

Já o melhor documentário foi atribuído ao brasileiro Rodrigo Meireles, com “Anderson”, um homem de meia-idade com paralisia cerebral. Anderson aceitou ser filmado “se o documentário não fosse um drama”, lê-se na sinopse.

Na categoria de animação, destacou-se o alemão Malte Stein, que recebeu o galardão com surpresa. “Flood”, simultaneamente “explicável e inexplicável”, conquistou o júri com a sua “visão criativa singular que se desenrola num fundo sinistro e apocalíptico”.

Também de Macau, Sam Lam e Tiago Lei venceram o prémio Volume, que distingue o melhor vídeo musical.

A menção honrosa foi entregue ao realizador de Macau Chao Ut Ieng, com “Livestreaming”, e a escolha do público recaiu sobre “Who am I”, uma co-produção Macau/Filipinas, de Mark Aguillon. O realizador frisou o baixo orçamento da ficção e disse esperar regressar para o ano.

Organizado pela Creative Macau, o Festival recebeu nesta edição mais de 4.000 candidaturas. O grande júri foi presidido por Miguel Dias, um dos directores do Festival Internacional de Curtas de Vila do Conde, o director de informação e programas dos canais portugueses da TDM, João Francisco Pinto, e o realizador e produtor Detsky Graffam.

 

* com Lusa